segunda-feira, 5 de junho de 2017

O lar de muitos

Refletindo de uma maneira muito bonita, imaginemos a Santíssima Trindade nos céus vivendo o puro e perfeito amor por todos os séculos dos séculos. Então Deus disse: não é possível em todo esse amor não existir alguém com quem possamos compartilhar essa felicidade. Então Jesus respondeu: estou de pleno acordo. O Espírito Santo disse: me parece perfeito. Assim, de comum acordo a trindade santa, Deus pôs-se a organizar a questão como um bom arquiteto, um bom programador. Desta forma, tendo em vista seu plano de amor, colocou-se a criar o mundo em vistas de “alguém”, não de algo ou alguma coisa. Alguém, caro leitor, você, eu, as pessoas que conhecemos e não conhecemos. Deus pensou em toda a criação para que ela servisse a alguém. Assim começou o amor de Deus.

Em seguida, com tudo pronto, nos criou e nos ordenou que homem e mulher se unissem em uma só carne para que constituíssem família (Gênesis 2,24), abençoando essa relação. E sabemos, como nos recordou Jesus nos evangelhos, tem sido assim desde o princípio. O homem se torna esposo, a mulher se torna esposa. Se casam contraindo o sacramento do matrimônio, constituído por Jesus para elevar a realidade natural do casamento, e se casam para constituir família. Família essa, cujos membros batizados e pertencentes da igreja de Jesus Cristo recebem ainda a graça de Deus Pai de receberem, além do anjo da guarda de cada um, o anjo custódio responsável por esta família.

Porém, o mundo bate muito forte com sua catequese e as fraquezas humanas e outras interferências insistem em dificultar a vida de muitas pessoas que caminham neste vale de lágrimas. E como dizia uma freira idosa no convento em que vivia Santa Maria Faustina Kowalska: “ninguém está dispensado da luta”. Nossa inteligência limitada não alcança os desígnios divinos e nos cabe, portanto, com a fé em Jesus, fazermos a vontade do Pai.

E a vontade do Pai se manifesta de muitas maneiras e em todos os lugares. Assim pôde comprovar a turma da catequese da quinta etapa da Paróquia São Rafael, localizada em Curitiba-PR, comandada pelo meu amigo pessoal, o catequista Alessandro. Em visita ao orfanato Associação Lar Criança Arteira, localizado no bairro Fazendinha, numa caminhada em forma de romaria, os adolescentes peregrinaram, preparando seus espíritos em oração para uma experiência que marcaria suas vidas. Num sábado à tarde, dia 03/06/2017, empunhando seus Santos Rosários e algumas doações para a instituição, passaram algumas horas com as crianças que lá vivem.

São muitas histórias e histórias não tão felizes, mas todas reais. Abraçar uma criança, que é órfã, beija-la, conversar com ela e enxergar em seu olhar uma felicidade ao nos ver e um desejo de que aquele momento não acabasse, pega qualquer coração mais despreparado. Ali, é possível olhar para o que é a vida e realidade de cada um e poder olhar para sua própria vida. São momentos que marcam pessoas e nos fazem compreender o que Jesus espera de cada um de nós, pois assim ele dava o exemplo, assim ele fazia durante sua passagem por este vale de lágrimas. Jesus tinha muito a oferecer. Palavras que libertavam, que consolavam, que levavam a paz, Jesus levava a cura do corpo e da alma, Jesus com sua presença fazia as pessoas se sentirem melhor e longe delas ele rezava por elas. Assim devem nos tocar essas experiências. Devemos sempre perceber que temos a nossa família, talvez não uma família como queríamos e isso é assim mesmo. Foi Deus que nos deu a família que temos, cuidemos dela. Ao olharmos para a realidade de uma criança que não pode como nós ter o amor de um pai ou de uma mãe, devemos agradecer por nossas vidas, sejam elas como forem, e ainda mais, pelos que tem menos que nós, devemos nossas orações, nosso afeto, nossa compaixão, exatamente como Jesus fazia e faz.

No retorno para a Paróquia para encerrar a atividade em conjunto com os pais que aguardavam os jovens crismandos, houve a partilha da experiência. E se emoções e lágrimas, vozes embargadas e coração apertado se unem a momentos assim, é porque aconteceu um marco, aconteceu uma transformação. Quem participou deste dia acordou uma pessoa e se deitou outra. Todos devem se motivar a fazer em sua vida uma experiência como essa. Eu mesmo também já estive com minha família neste orfanato e o resultado em nossas vidas é transformador. Crianças te abraçando pedindo para irem embora com você com um olhar que nunca mais se esquece e cuja lembrança me traz à tona, novas lágrimas.

Neste dia, este era o lugar em que Deus queria que estes jovens e os que os acompanharam estivessem, para que pudessem receber especiais graças que tocam a alma. Que esta experiência frutifique a todos que participaram direta e indiretamente e que outras gerações possam viver o mesmo momento, se não neste local, numa realidade que do mesmo modo possa transformar suas vidas e aponta-los para a direção que Jesus espera que caminhemos, amém.


fonte: Jefferson Roger

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