segunda-feira, 18 de setembro de 2017

O sortilégio do diabo

Para aqueles que conhecem o desenho animado de longa metragem da Disney chamado Branca de Neve e os Sete Anões, faço-me aqui de um pequeno trecho dele para iniciar o tema que iremos refletir neste artigo. Quando os anões chegam em casa e encontram a princesa dormindo em suas camas, ao descobri-la o anão chamado Zangado disse, generalizando, que “as mulheres são falsas, cheias de sortilégio”. Então o anão chamado Dengoso perguntou: “o que é sortilégio?” E Zangado disse: “não sei, não interessa”.

Pois bem, para nós católicos esse pensamento do personagem Zangado não deve ser adotado porque nos interessa e muito sabermos e conhecermos um pouco sobre o sortilégio. Devemos ser, ao contrário, analogicamente falando, como o anão que fez a pergunta. E detalhe, talvez zangado não soubesse direito explicar e por isso disse que não sabia, mas, ele acertou no que disse, vamos ver então.

De forma geral e um tanto resumida, sortilégio significa um conjunto de características de sedução, naturais ou artificiais, que um indivíduo pode ter e utilizar para conquistar algo em seu benefício. Percebem a relação da palavra com o diabo? Nas sagradas escrituras não encontramos a palavra sortilégio mas encontramos muitos ensinamentos sobre ela na forma de contexto e seus sinônimos. O diabo não se utiliza dos sortilégios para conquistar para si algo (a condenação de nossas almas)? Se pararmos para analisar com cuidado, é sortilégio em cima de sortilégio. Um para atrair a atenção do cristão para suas ofertas, outro para convence-lo a experimentar o pecado, outro para convence-lo de que é melhor do que o caminho das pedras proposto por Jesus e assim por diante.

Aos que aderem aos seus convites, também o uso do sortilégio começa a integrar o cotidiano de suas vidas. Os pecados estão diretamente relacionados com as mais variadas formas de sortilégios. São muitas as formas de seduções que participam da adesão que as pessoas fazem pelo pecado. E vamos recordar da gravidade do pecado. Todo pecado é um ato de desobediência ao primeiro mandamento da lei de Deus. Sim, porque quando pecamos, ao escolhermos o pecado, escolhermos pecar, estamos colocando no lugar de Deus outra coisa, seja qual for sua natureza.

Devemos, portanto, ficarmos muito atentos, se sortilégios são conjuntos de características de sedução, naturais ou artificiais, que combatamos com um conjunto de características de sedução diferentes: a palavra de Deus, o evangelho de Jesus, o rosário, o catecismo e toda a Tradição de mais de dois mil anos que formam, todos unidos e aliados as práticas religiosas, a instransponível muralha frente aos intentos do inimigo. Que façamos nós, cada vez mais, parte desse maravilhoso conjunto, que irá um dia nos colocar no céu para a felicidade eterna por conta de uns poucos anos aqui firmes no segmento do Cristo, amém.


fonte: Jefferson Roger
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Pode esperar sentado

Nascemos, por conta do projeto de Deus para nossa existência, chegamos a este mundo. Cada um com sua particularidade e individualismo que não será jamais igual ao de pessoa alguma. Alerta! Aqui já enxergamos a primeira tentativa do diabo em tornar a todos iguais a ele. Por conta da maciça avalanche de tentações que soterram aqueles que se iludirem com suas ofertas, o comportamento humano se torna globalizado e a linha de conduta cristã, apresentada a cada um por Deus, rapidamente dá lugar ao viver o paraíso aqui na terra sem o seu criador.

Quando nossos pulmões inflam pela primeira vez, e a vida fora do ventre da mãe começa a terminar nesta terra, começamos a absorver tudo de Deus e tudo do mundo. Somos lançados nesta vida como a corda de um cabo de guerra. Ora por nossas fraquezas pendemos para o mal, ora por nossas certezas pendemos para o bem, ora por nossas dúvidas ficamos no meio, em cima do muro, em atitude morna. O problema, infelizmente, não se simplifica à medida que passamos por essas experiências. Vão restando, se permitirmos, sequelas depois de cada situação que passamos e essas experiências de vida vão nos moldando e traçando para Deus e para o próximo, um perfil da nossa pessoa.

Muitos insistem em dizer que fulano não vai mudar, outros se surpreendem com aquela pessoa que mudou e tantos nem acreditam que tudo isso fosse capaz. Perdoamos e não somos perdoados, não queremos brigar mas as brigas (discussões) nos envolvem, queremos as mais diversas formas de paz em nossas vidas mas certas formas de paz exigem um alto preço a se pagar. Queremos fazer o que julgamos certo e não conseguimos. Nos dedicamos a alguém ou alguma causa e vemos a ruína da decepção e da tristeza desabar sobre nossas cabeças.

Coragem! Nos estimula Jesus, se perseguiram a ele, também perseguirão a nós, nos ensina o salvador da humanidade. Bem-aventurados, nos ensina também no seu sermão da montanha e nos recorda que a perseverança que segue até o final, será premiada. Portanto, o dito popular que diz que “podemos esperar sentado” só se aplica no sentido de que temos que ser pacientes em Deus. Fora isso, o que devemos fazer é agir exatamente ao contrário do servo mau que escondeu o talento por medo de seu patrão. Ou seja, devemos arregaçar as mangas e rezar, pois a oração, única arma do cristão, nos recorda Santo Antão, move o céu e a terra. Nós é que não acreditamos porque esperamos que esse movimento seja feito como queremos e esquecemos que ele é feito como Deus quer.

O acomodado que julga que alguém nunca irá lhe pedir desculpas por alguma ofensa, por orgulho próprio e achar que está na razão, espera sentado. Mas, o incomodado que julga que alguém nunca irá lhe pedir desculpas se coloca a rezar para que Deus toque o coração dele e que ele se corrija, se converta e tome um caminho que irá lhe trazer grandes bênçãos, e faz tudo isso no anonimato, porque Deus que nos vê no oculto, irá nos recompensar. E assim, nos fica claro nas mensagens do evangelho que nada cai do céu, também nesse sentido não devemos esperar sentado. Até no dia da sentença do justo juiz, a narrativa do evangelho nos conta que se formarão duas fileiras, as dos malditos e as dos benditos. E podemos crer que essa fila não vai ter cadeira, portanto, os acomodados que se espertem no aqui e agora e os incomodados que nunca se cansem de trabalhar pelo reino.


fonte: Jefferson Roger
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As imposições da igreja

Caros leitores, não é de hoje que bem sabemos que a igreja católica, e me limito a falar aqui apenas dela pois das outras denominações religiosas o assunto requer outro artigo, vem se transformando num pinheirinho de natal, repleto de toda a parafernália colorida e penduricalhos espalhados por todos os seus galhos. Já escrevi por aqui e volto a repetir, que saudades de João Paulo II e Bento XVI. Esse que está por aí, e que chamam de vigário de Cristo, minha nossa viu, mas isso também é pano pra manga para outra ocasião.

Pois bem, sem mais rodeios vamos apontar um pouquinho para o seu comportamento de Maria vai com as outras e do politicamente correto. O que ela (a igreja) acha que precisa impor (e chama de pastorear), ela faz. Vamos a alguns exemplos? Sempre é bom não é mesmo? Mas antes vale recordar que ela é munida de muitas caras, caricaturas e máscaras, ou seja, tem muita coisa boa dentro dela. Refiro-me aqui a igreja padecente e a igreja triunfante (purgatório e céu), que operam de outra forma em nossa existência. Agora, nós aqui, pertencentes a igreja peregrina, ô dó do povo viu, sentimos na pele o agir dos pecadores, dos hipócritas, dos lobos em pele de cordeiro, dos maus sacerdotes (e alguns são muito maus mesmo) e dos cristãos ensoberbecidos e egoístas.

Você vai na missa e participa de uma missa poluída por culpa do padre e dos leigos organizadores da liturgia. Os músicos pensam que estão ali para se apresentarem, no presbitério existe pouca diferença com um palco ou passarela. Os cânticos religiosos foram substituídos por músicas com letras e melodias que não se coadunam com o proposto real da santa missa. Palmas, gesticulações, aplausos, sinal da cruz no início da santa missa substituído por música, oração do glória e do santo substituídas por músicas que não reproduzem a oração. Padres bêbados celebrando missas, pedindo para a comunidade rezar com ele a oração pela paz, rezando no final da missa duas vezes a oração pós comunhão, música da “paz de Cristo” durante o abraço da paz, aniversariantes recebendo antes da bênção final o canto do parabéns pra você e muito mais, muito mais.
Nos encontros promovidos por toda a arquidiocese começam com aquela farra aeróbica e com musiquinhas pra queimar calorias, todas ridículas. Se tem que gosta, só lamento, deviam comprar um karaokê e ficar nas festinhas dançando, cantando e rebolando. Dá um intervalinho, aparece uma tal de equipe de animação para mais cantorias, pessoas enganchadas, mãos no ombro do parceiro e tudo mais. Aja paciência viu. Dá para contar nos dedos em quantas formações ou retiros é deixado de lado essa baderna toda substituindo por orações, rosários, terços ou adorações. Nos dedos de uma mão aleijada. Devia haver mais seletividade pois nem todos que querer ir em uma formação para aprender, querem ficar pulando, dançando ou cantando. Se algumas pessoas querem exercer isso, que o façam de modo oportuno e para os que são adeptos dessas práticas.

É assim, a igreja quer pregar o evangelho, mas não quer abrir mão de se modernizar. Em alguns pontos seu comportamento é medieval, em outros adota o ecumenismo do diabo e a modernidade do mundo. E vá caro leitor, fiel católico falar a respeito sobre essas coisas com padres, bispos ou algum leigo engajado nessa porcariada toda. Uns ficam nervosos, outros irritados, outros adotam a política do deixa pra lá, Jesus é amor, é misericórdia. Que nojo, como diz minha filha mais nova. Quanta tristeza para os católicos tradicionais e autênticos que assistem a cada tempo que se vai, tornarem-se a minoria que realmente querem seguir o que nos pede Jesus e encontram no seio da própria igreja de Cristo, tanto joio. Ainda bem, ainda bem que ainda existem algumas coisinhas boas, ainda bem que está garantido pelo fundador (Mateus 16,18) que as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Por hora, nós que empunhamos o estandarte de viver sob o puro mandato divino e nos esforçamos para deixar de lado toda mácula, que como bem disse o papa Paulo VI, entrou como fumaça (satanás) na igreja e insiste em entrar em nossas vidas, seguimos num esforço máximo para não seguirmos dois senhores (Mateus 6,24) e nem sermos do mundo (Tiago 4,4). Perseverança! (Mateus 10,22)

fonte: Jefferson Roger
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sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Treinando o Corpo

Glorificai a Deus no vosso corpo, assim lemos na primeira carta aos Coríntios. Nosso corpo, que é santo, presente de Deus para nossa interação e vivência neste período provisório de peregrinação no vale de lágrimas precisa sim, como diz a escritura, ser muito bem cabresteado por nós, porque, também sabemos muito bem, ele tende a agir meio como advogado do diabo.

Facilmente ele se acostuma com confortos e prazeres corpóreos e com algum custo, ele se acostuma com uma vida disciplinada. Não é fácil, caros leitores, nos sentarmos escravizadamente em frente a um prato delicioso e nos empanturrarmos até a sacies dos olhos só parando por que não cabe mais nada em nosso estômago? Não é fácil ficarmos debaixo das cobertas numa manhã fria e chuvosa de domingo ao invés de sairmos, por exemplo, para irmos à missa? Não é fácil ficarmos esparramados no sofá da sala apenas usando o controle remoto para trocar canais e assim ficarmos por horas atrofiando os músculos?

Pois é, nosso corpo precisa de muito pouco para memorizar e se acostumar com atividades prazerosas. Agora, tente disciplina-lo a comer nos horários, dormir nos horários, fazer exercícios físicos regulares e periódicos para você ver se ele não se rebela e grita em protesto! E pior, além de protestar, se deixarmos alguma disciplina, seja de que natureza for, rapidamente ele perde o hábito e sua eficiência naquilo que deixamos de fazer. No entanto, quando passamos a trata-lo com o devido respeito conforme sua natureza pensada e criada por Deus, ele passa a nos servir e deixar de ser uma vitrine e um latão de lixo.

O corpo, que é santo começa a servir ao Senhor, dar testemunho e glorifica-lo, exatamente de acordo com o propósito dele. Aos poucos, nossa vontade, que brota no coração (assim nos ensinou Jesus) e se instala na mente, passa a comandar o corpo e esse é o percurso correto. Nosso corpo até tenta protestar, como uma criança mimada, mas no controle da situação, nós ditamos as regras para ele. E assim, vencendo as doenças espirituais da gula e da luxúria, crescemos no amor e santidade rumo aos céus. Façam a experiência, comecem a praticar uma forma de penitência qualquer ou então a penitência chamada de jejum. Comece aos poucos, só algumas horas e vá com o passar do tempo aumentando na medida em que seu corpo for sendo “treinado” e for se acostumando com a imposição de sua vontade. Mas não esqueça dos propósitos e da maneira correta de se fazer.

Nossa Senhora bem lembrava em suas aparições que no verdadeiro jejum não se passa nem sede e nem fome, ou seja, o propósito da penitência tem caráter espiritual e o corpo trabalha em conjunto para ordenar, mente, corpo e espírito numa direção apenas. Se você se sentir mal, recue, diminua a intensidade da penitência, Deus precisa de você no campo de batalha, a radicalidade que os grandes santos tinham em suas penitências, se alcança com o tempo, vá com calma e pés no chão. A experiência de qualquer forma de jejum é magnífica e recomendada a todos, com prudência e coerente diligência da condição e compleição de cada pessoa. Aprendemos na bíblia e na vida dos santos que essa prática é muito utilizada pelos cristãos. Quem vos escreve também já a alguns anos pratica e, atualmente, exerço o que chamo de jejum das trinta horas. Como já me disseram, só por Deus mesmo para não se cansar das atividades do cotidiano e para não sentir nem fome ou sede. É um período de extrema união com Deus e pelas causas da sua igreja. Pelo bem dos pecadores, como nos recorda Nossa Senhora em Fátima, a pedido de seu filho, rezamos e fazemos penitência por eles. Nunca pode ser considerado mérito pessoal ou heroísmo e sim, um serviço que um membro do corpo de Cristo por amor a Deus, exerce no seio da igreja, para seu bem, mas fundamentalmente para o bem comum.


fonte: Jefferson Roger
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Pais Desinteressados

“Filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isto agrada ao Senhor. Pais, deixai de irritar vossos filhos, para que não se tornem desanimados”, assim lemos na carta aos Colossenses 3,20-21. “Filhos, obedecei a vossos pais segundo o Senhor; porque isto é justo. Pais, não exaspereis vossos filhos. Pelo contrário, criai-os na educação e doutrina do Senhor”, assim também lemos na carta aos Efésios. Pois muito bem, caros leitores, é fato conhecidíssimo de todos que no contexto da família, pensada, desejada e criada por Deus, precisa existir dentro da democracia familiar, também uma hierarquia, bom senso e, colocando um olhar espiritual sobre o assunto, uma direção espiritual.

Os pais devem ser, ao modelo de São José, os provedores e mantenedores da casa e da família, e vejam que isto não exclui a participação da mulher que é benvinda em épocas atuais. O problema é que muitos pais viram as costas para o mandato de Deus que diz que “devemos cuidar do povo e da sua religião (1ª Macabeus 3,43). Ora, não deve haver espanto nisso porque nosso povo começa dentro de nossa casa, com marido, esposa e filhos, então, a célula básica de humanidade, alvo constante do diabo, é nossa conhecida igreja doméstica. Por isso também, pais são chamados de primeiros catequistas.

No entanto, quanto mais a humanidade caminha sem avançar nas principais áreas de sua existência, por outro lado, em outras, seria de se tirar o chapéu. Mas, como bem nos coloca o Padre Thomas Kemphis: “não é raro que o homem desagrade a Deus com aquilo que gosta”. Sábias palavras, já proferidas nos idos do século XV. Muitos, acabam por alguns motivos tornando-se verdadeiros pais desinteressados. Tem reunião na escola, ou o pai ou mãe comparecem. Tem reunião na escolinha de futebol ou de balet, o pai ou a mãe está presente. Até na escola, quando se convoca uma reunião, ou o pai ou a mãe acaba comparecendo.

Por que? Ora, simples também; porque é do interesse dos pais e tem relação direta com seus filhos. Tudo parece bem não é mesmo! Não! Não é. Onde anda o interesse dos pais pela parte espiritual de seus filhos? Os novíssimos, regra de ouro a se pensar sobre eles todos os dias, diz também aos filhos de cada um. A todos, sem exceção. E os pais, desinteressados, além de negligenciarem esta realidade em suas vidas (Eclesiástico 7,40) também o fazem com relação aos filhos. “Pergunta para teu catequista” – dizem alguns ou então os catequisandos ficam empenhados em sempre dar justificativas do porquê seus pais são ausentes em reuniões ou até mesmo nas atividades da igreja, da comunidade e paroquiais.

Erram gravemente pois em Ezequiel 3,20-21, Deus nos ensina que se não corrigirmos alguém que sabemos estar fazendo algo errado, também seremos cobrados. Isso se encaixa perfeitamente aos pais. Quando casaram se comprometeram a Deus, perante o altar, criar e educar os filhos na fé cristã, mas, terminam gastando o pouco tempo que lhes sobra com eles somente com as coisas que passam. Já diziam os antigos: depois do leite derramado...

Se pais e mães não são alicerce familiar, a ruína pode muito facilmente atingir todos os membros e isso inclui os filhos. Volto a dizer, pais desinteressados, depois do leite derramado...

Portanto, acordemos da letargia e da preguiça espiritual, agora, como dizia São João Maria Vianney, “é hora de trabalharmos pela nossa salvação”, e a igreja de Cristo por mandato dele acrescenta: é hora também de trabalharmos pela salvação do próximo. Desde o próximo que vive no mesmo teto que nós, até o próximo que não vive. Afinal, agindo assim, que é como Deus espera que façamos, deixamos de lado o egoísmo pois não iremos querer o céu só para nós, iremos querer o céu para aqueles que amamos e para todos.


fonte: Jefferson Roger
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quinta-feira, 14 de setembro de 2017

É preciso se retirar

Caros leitores, o famoso amigo da onça, o duas caras, aquele que dá com uma mão e toma com a outra, nosso conhecido inimigo cruel, o diabo, faz um esforço tremendo para nos acompanhar todos os dias e durante todo o dia através das suas tentações, ora disfarçadas em pratos deliciosos, ora apresentadas em grandes e aparentes dificuldades intransponíveis.

De um lado ele nos quer próximos dele (pratos deliciosos), longe de Deus e enraizados no mundo tornando-nos, por consequência, inimigos de Deus (Tiago 4,4). Do outro lado, ele tenta nos convencer de que Deus é um desmancha prazeres que fica lá do alto querendo ver o circo pegar fogo (dificuldades intransponíveis). Seja como for, tanto faz; é preciso ficar bem claro ao católico de que satanás faz todo o esforço possível para que sejamos convencidos de que nossas práticas religiosas não passam de um exagero. Ele fica como uma sentinela a nos vigiar para, a qualquer movimento nosso voluntário na direção das coisas que não passam, criar todo o tipo de empecilho para que desanimemos em nossos esforços.

Certa vez, quando eu comandava numa paróquia em Curitiba a prática do terço dos homens, após no reunirmos e distribuirmos os cinco mistérios do dia com suas meditações para cinco pessoas conduzirem as dezenas, eis que a primeira dezena do dia foi dada a um senhor que aparentava bastante idade. Após eu dar entrada no terço chegou a vez do idoso conduzir a parte que lhe cabia. Então ele começou, com muita dificuldade a ler a meditação daquele mistério. Todos os presentes fizeram o máximo de silêncio porque era muito difícil compreender suas palavras. A medida em que ele foi lendo, a compreensão do que dizia foi melhorando e quando ele terminou de ler a meditação, praticamente se entendia tudo que ele falava. Ele terminou de ler a passagem bíblica e quando todos se preparavam para rezar o primeiro mistério do dia, este senhor de muita idade se antecipou e disse o seguinte:

“Há algum tempo eu tive um derrame cerebral e como sequela eu não podia mais falar, sempre vindo as missas com minha esposa, ela me incentivava a participar deste terço que acontece após a missa, mas, nunca tomei coragem. Hoje, resolvi vir e é a primeira vez depois de muito tempo que voltei a falar” – Pensem, caros leitores, em como ficou o clima daquele pequeno retiro que fazíamos para pedir e agradecer a Jesus e a Maria por tudo. Além do testemunho colhido naquele momento, motivo de grande emoção e comoção (fico emocionado sempre falo disso e me recordo) para todos, o terço foi rezado com fervor ainda maior. Eu particularmente recitei a oração aos prantos. Maravilha das maravilhas é ser católico e fazer parte do corpo de Cristo, sua Igreja.
Recentemente, uma das colegas de trabalho de minha esposa teve a mesma experiência de vida. Preparando-se para um retiro, a fúria do inimigo (vale lembrar que tudo é permissão divina), se lançou sobre a moça na tentativa de faze-la desanimar e desistir de participar do mesmo. Afinal, o diabo sabe que muitas almas são arrancadas do seu domínio nesses retiros. O poder de fogo ali reunido, move céus e terras. Pois bem, auxiliada pelo seu fiel escudeiro, seu anjo da guarda (e não pensem que ele não está envolvido, porque sempre está), ela participou do retiro, todas as dificuldades se tornaram combustível para motiva-la a ir. Lá, testemunhou as maravilhas de Deus na vida das pessoas e recebeu uma confirmação particular de que o melhor que ela poderia estar fazendo naquele momento de sua vida, era estar ali.

Em certa altura os participantes receberam cartas de amigos, parentes ou familiares. Cartas de incentivo e bons votos. E esta moça, a Valéria, que usa óculos de grau para corrigir sua deficiência na visão, pois sem ele não consegue ler, simplesmente pode ler toda a carta que recebeu, coisa que não lhe é possível fazer sem seus óculos. Não há certeza maior que Deus possa colocar no coração de uma pessoa quando ele, com esse pequeno toque e gesto de carinho e amor, nos faz crer que algo assim só pode vir do céu. Terminado o retiro e já em casa, para o veredito final, ela não conseguia mais ler sua carta. Pode um negócio desses? Claro que pode, o Deus vivo e Deus do impossível, cuida dos que o amam como a pupila dos seus olhos! Portanto, chega de mundo, chega de pecado, os testemunhos estão espalhados pelo mundo. Vale a pena uma vida vivida assim, com Deus no coração. Dificuldades? Existem! Sabemos disso, mas, o mais importante é que existe sim, um Deus que nos pensou, nos desejou e nos criou e, graças ao seu amor, nos concedeu o direito de um dia vivermos felizes para o reino que para todos preparastes, amém.

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A importância do retiro


fonte: Jefferson Roger
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quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Exaltação da Santa Cruz

Quem se exaltar, será humilhado e quem se humilhar, será exaltado. Essas palavras da primeira frase foram proferidas pela boca de Jesus. E você caro leitor pode estar se perguntando o porquê deste trecho bíblico para falarmos do dia em que a igreja católica comemora a exaltação da Santa Cruz (dia 14/09). O ensinamento é muito simples, vamos acompanhar.

Na vida do Cristo, enquanto possuidor aqui na terra das duas naturezas (a divina e a humana), pudemos acompanhar através do seu evangelho que, onde ele colocava a mão, acontecia uma grande transformação. Isso porque seu toque divino, tem o poder curador, vivificador e poder para, como vimos nas bodas, transformar água em vinho. Buscavam tocar em suas roupas, para ficarem curados e aqueles a quem ele empunha as mãos deixavam de ser as mesmas pessoas de até então. Jesus passava pelo caminho e as multidões o seguiam, os cegos gritavam ao longe pedindo por ele. Como vemos, as pessoas, em atitude de humildade e necessidade (deixavam o orgulho próprio de lado e se humilhavam perante o mestre), embora algumas pessoas tinham apenas, como o próprio Cristo mencionou, interesse em encher a barriga, saíam dessa experiência modificados, transformados; a experiência com Jesus os exaltava.

É assim, antes de Jesus, humilhado, depois de Jesus, exaltado. Por isso que aqueles que não querem se humilhar se rebelam contra Deus e escolhem os prazeres do pecado, abrindo mão da glória eterna do paraíso. Preferem não se humilhar e se renderem ao Deus uno e trino. Todavia, sejam as coisas como são, nada muda o fato de que o toque de Jesus muda tudo. Na cruz, no alto do calvário, o amor de Deus por cada um de nós colocou seu filho unigênito pregado nela. Humilhando-se face a reprovação e abandono humanos, foi exaltado em suas cinco chagas, estendido frente ao escárnio de seus algozes. Ali, o símbolo cristão, no toque do corpo humano e divino, banhado em sangue, foi exaltado para toda a eternidade e é por isso que pela fé em tudo que aconteceu, para os cristãos olhar para a cruz do ressuscitado e exalta-la, perante tudo que ela significa para cada um, no mínimo é um gesto de retribuição e agradecimento pelo amor divino pelos seres humanos. Pois deve ser muito mais!

Na crucificação, enquanto o Cristo era separado em suas naturezas e na morte do corpo se apresentava a todos, da mesma forma no ápice da santa missa, no momento da consagração, quando o sacerdote empresta seus atos e voz a Jesus, seu corpo e sangue outra vez, mas sem derramamento de sangue, são separados da divindade que nos é invisível. Jesus disse que quando fosse levantado da terra, atrairia todos a ele (João 12,32) cumprindo a profecia de Isaías que diz que “olharão para aquele que transpassaram (Isaías 53,3). Na santa missa a profecia se repete, no ato da consagração, na renovada exaltação da santa cruz, quando o Cristo está novamente sendo elevado e atraindo o olhar de todos. Eis uma grande profecia e um grande mistério de amor para nossas vidas. Que a cruz de Cristo seja a minha luz, se diz na oração de São Bento, amém.


fonte: Jefferson Roger
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Seja um Apressado

É isso mesmo que você leu no título do artigo caro leitor, seja um apressado e muito apressado! Mas sei que deve, quem sabe, estar lembrando daquele ditado popular que diz que “o apressado come cru”. É verdade a conotação deste dito popular, porque denota que a pessoa, não tendo atitude ponderada e bem refletida, age na impulsividade e não reflete o suficiente e de forma madura para poder tomar decisões.

Sabemos no dia a dia de nossas vidas e em meio a correria das horas que sempre parecem nos deixar para trás, que a pressa, vem aí outro ditado, é inimiga da perfeição. Sobre esse ponto de vista até seria possível confabular que Deus não tem pressa para com suas criaturas porque não age na medida e no tempo que queremos. Porém, aqui o buraco é mais embaixo. Como Deus está fora do tempo, já que é eterno, a medida de tempo, que é uma contagem regressiva desde o momento de nosso nascimento, se transforma, sob um olhar sobrenatural que sempre devemos ter sobre nossas vidas, numa constante oportunidade para nos salvarmos e ajudar os outros a se salvarem.

As pessoas reclamam que Deus não age logo em suas vidas, quando querem o bem, mas apontam ele como culpado rapidamente quando as dificuldades aparecem. Exigem uma pressa de Deus mas não fazem esforço nenhum para se apressarem a se corrigirem na vida, tomarem vergonha na cara, se converterem, se confessarem, tomarem o rumo certo e pararem de ficar com a cara no travesseiro e a bunda empinada pro teto, choramingando porque Deus não me atende, o que será que fiz de tão errado para merecer isso. Acorda! É bem o contrário, você não fez nada, não fez a sua parte. Deus espera de cada um, no mínimo o máximo de esforço pois o céu é arrebatado a força e são os violentos que o conquistam (Mateus 11,12).

Jesus chamou um homem a segui-lo e ele apressadamente disse que primeiro precisava enterrar seu pai; um outro respondeu apressadamente que primeiro precisava se despedir dos que estavam em casa. (Lucas 9,59-62) Os fariseus e doutores da lei sempre rodeavam a Jesus e mau o Cristo fazia alguma coisa que eles reprovavam, apressadamente arguiam contra Nosso Senhor e iam contra suas atitudes e ensinamentos.

Não é assim que devemos ser, estes exemplos bíblicos nos servem para mostrar como não devemos ser porque um dos melhores exemplos de como devemos agir apressadamente, além, é claro, o de Jesus, que sempre atendia prontamente a todos que lhe procuravam, é o da Virgem Maria. Depois que o Anjo Gabriel anunciou que ela conceberia pelo Espírito Santo e daria a luz ao salvador da humanidade, também lhe disse que sua parenta Isabel, de idade avançada, já estava grávida e no sexto mês. O que foi que Maria fez? Deu de ombros? Disse para o Anjo Gabriel que tudo bem? Que bom para ela, ela queria tanto um filho? Nada disso: Lucas 1,39-40 – “Naqueles dias, Maria se levantou e foi às PRESSAS às montanhas, a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel.” Vejam, ela foi apressadamente em auxílio de Isabel. Assim devemos agir. Mais um exemplo? Vamos lá:

Mateus 2,13-14 – “Depois de sua partida, um anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse: Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito; fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o menino para o matar. José levantou-se durante a noite, tomou o menino e sua mãe e partiu para o Egito.” Perceberam? José nem esperou amanhecer, acatou a ordem divina e apressadamente, levantou-se durante a noite e seguiu viagem. É assim que devemos agir. Devemos ter pressa de amar a Deus e deixar o caminho da perdição para trás. Devemos ter pressa em nos santificar e ajudar aos outros a se santificarem. Devemos ter pressa. Devemos ter pressa!


fonte: Jefferson Roger
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Cartas para Deus

Deus nos fala de muitas formas, nós é que não ouvimos, não prestamos a atenção (Jó 33,13-14). Temos o mau hábito de transformar nossas orações em listas de pedidos e exigências, tentando inutilmente arrancar de Deus alguma coisa que queremos para em troca o bendizermos publicamente. Assim não são as coisas pois dessa forma “que recompensa tereis?”(Mateus 5,46)

Já dizia Santa Catarina de Sena: “não é a toa Senhor que tens tão poucos amigos”. Dizia ela dessa forma em face da conduta que Deus adota com suas criaturas. As pessoas não possuem inteligência suficiente para compreender porque que o tratamento de Deus para com elas precisa vir recheado de sofrimentos, dificuldades, tribulações e toda a forma de acontecimentos que na grande maioria das vezes parecem não se encaixarem no comportamento que esperaríamos de um denominado Deus de amor e misericórdia.

Pois bem, nesse momento quem entra em cena para roubar o protagonismo atuante em nossas vidas é o diabo, que vê nos sofrimentos uma oportunidade de nos afastar de Deus. Na verdade, satanás procura sempre transformar tudo em oportunidade para ele nos derrubar. Tolos de nós que não agimos da mesma forma. Deveríamos cada vez mais em nossas vidas transformarmos cada segundo delas em oportunidades de nos salvarmos e ajudarmos os outros a se salvarem. Padre Pio já dizia que quanto mais próximo de Deus, maiores são as tentações. Cuidado! Se não sofres de nenhuma adversidade de qualquer natureza na vida se preocupe porque a regra divina é bem ao contrário disso. Deus nos concede os momentos de consolo, é verdade, mas para nos lembrarmos e valorizarmos o hoje, porque no ontem passamos por dificuldades ou ainda passaremos.

Isso é o que os paroquianos da Igreja de São Jorge, no bairro do Portão puderam experimentar na noite de ontem. Através de uma atividade coordenada pelo pároco e pela coordenação da catequese, pais, catequisandos e catequistas se reuniram para viverem a experiência de refletirem sobre essas verdades que cercam todas as pessoas e suas famílias. Foi transmitido um filme cristão que retrata a realidade do amor de Deus na vida das pessoas, mas, sem a ausência das tribulações em suas vidas. Não importando a idade ou o estado de vida de cada um.

Depois da sessão de cinema, acompanhada de pipoca e suco, o pároco encerrou o encontro com uma reflexão em cima do filme, relacionando o assunto com o cotidiano atual em que nossas famílias vivem. No mesmo horário, bem comentou o sacerdote, em que a mídia televisiva transmitia programas que apresentam conteúdos que vão na contramão dos valores cristãos, as pessoas ali reunidas reforçavam seus laços em torno do que realmente existe de valor em suas vidas: Deus e suas famílias. Nos disse Jesus que onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, seja para pedir o que for, meu Pai que está nos céus vos concederá, porque onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles – (Mateus 18,19-20)

Peçamos a Deus que iniciativas como essa aconteçam em todos os lugares do mundo para que o projeto pensado, desejado e criado por Deus, chamado de família, nunca deixe de olhar para a cruz de Cristo e de caminhar junto com ele para que um dia, possam contemplar a face do criador, que por amor a cada um de nós, nos entregou seu filho único. Que Maria Santíssima nos auxilie nessa caminhada e nos conforte com seu manto para que possamos em cada tropeço, em cada queda, em cada dificuldade, mantermos nossos olhares erguidos para enxergar os corações santíssimos e sabermos para onde devemos estender nossas mãos.


fonte: Jefferson Roger
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terça-feira, 12 de setembro de 2017

A cor azul na liturgia católica

E aí pessoal, alguém já participou de alguma missa onde o sacerdote está trajando a cor azul? Já parou para pensar se pode? Se está previsto na Instrução Geral do Missal Romano ou em outro documento da igreja? Vamos dar uma passadinha pelo assunto para melhores entendimentos.

Liturgicamente está documentado e também atestado pela tradição da igreja o uso de algumas cores paramentais que simbolizam algumas passagens celebrativas na vida da igreja. São elas o branco, usado no tempo pascal e Natal do Senhor assim como em suas festas e memórias, menos na sua paixão. Também é usado nas festas e memórias da Virgem Maria, dos Santos Anjos, dos santos que não são mártires, no dia de todos os santos, nascimento de João Batista, do evangelista João, na cátedra de São Pedro e no dia da conversão de São Paulo.

Depois temos o vermelho, usado no domingo de ramos e na sexta-feira santa. Também no domingo de pentecostes e na paixão do Senhor. Utiliza-se também o vermelho nas festas dos santos mártires, no dia dos apóstolos e no dia de São Mateus, São Marcos e São Lucas. A cor verde utiliza-se nos períodos chamados de tempo comum. Na quaresma e no tempo do advento se utiliza a cor roxa. A cor preta é utilizada e prevista pela instrução geral do missal romano para a celebração de missa pelos mortos, podendo facultativamente ser substituída pelo roxo.

A cor rosa é usada no quarto domingo da quaresma e no terceiro domingo do advento. Já a cor dourada e também a prateada pode vir em substituição a cor do dia e do dia festivo, menos, em substituição a cor preta. Essa permissão existe embora o prateado e o dourado não estejam previstas na instrução geral de forma direta, alguns artigos as permitem.

Agora, para encerrar o texto, falemos da cor azul. Pode ou não pode? O que diz os documentos da igreja? A cor azul é tida como uma atribuição chamada de privilégio papal, concedida para a solenidade da Imaculada Conceição de Maria em alguns locais do mundo. Ou seja, é necessária uma autorização que venha da Santa Sé, é o que nos diz o Monsenhor Guido Marini, diretamente de Roma, no departamento para as celebrações litúrgicas e também o Padre Polycarpus Rado, em sua publicação datada de 1961, entre alguns números do próprio missal.

Como vemos, caros leitores, poder pode, mas não é atitude a se tomar por gosto próprio. A permissão é restrita (foi concedida a Espanha, Portugal e suas colonizações e, por isso, o Brasil através de Portugal que recebeu na Capela de São Miguel em Coimbra, por defender o dogma da Imaculada Conceição recebe o direito de uso neste dia solene). Portanto, a permissão que também se estende aos Santuários Marianos, precisa ser alcançada de Roma pois afinal, antes de ser bonito ou ser conveniente, é preciso ser fiel ao magistério eclesial porque, se os pastores das ovelhas de Jesus, não são fiéis ao pouco, como ensinarão os católicos em seus maus exemplos a serem fiéis no muito?


fonte: Jefferson Roger
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O olhar treinado de Jesus

Sedes imitadores de Cristo, assim lemos em Efésios 5,1 e 1ªCoríntios 11,1. Pois muito bem caro leitor, vamos concordar numa coisa, é difíiiicilllllll ser imitador de Cristo não é não?! Claro que é, qualquer um sabe disso e quantos desistem de imita-lo e abrem mão de “pagar o preço” para se entrar nos céus. Não entendam mal, pagar o preço aqui, significa estar disposto a viver tudo, eu disse “tudo” que Jesus nos propõe em seu evangelho. Tudo quer dizer, vou ter que me repetir: tudo!

Tudo é 100% e não 99,9% e é nesse ponto que o diabo se mete no meio. Aquele sem vergonha. Ele entra com a tentação do exagero querendo convencer as pessoas a ficarem na superficialidade, na política do salário mínimo, na atitude rasa e descompromissada, alegando, aquele derrotado, que não é preciso tanto exagero afinal, Jesus já perdoou nossos pecados e Deus, é como um vovô, é como o papai noel e vai nos permitir entrar no paraíso até mesmo contra a nossa vontade. Ora, diz o diabo, ele não ensina na parábola do filho pródigo e do pai misericordioso que dá para se fazer farra e depois é só retornar que tudo bem?

E muitos caem nessas mentiras, algumas bem articuladas, por isso o Cristo pede vigilância da nossa parte. Bom, felizmente existe solução para tudo, vinda dos céus é claro, mas, vale lembrar que, as soluções de Deus sempre serão as que precisamos e não as que queremos. Para tudo que é difícil Jesus nos ensinou que é porque sem ele nada podemos fazer (João 15,5). Quanto mais difícil estiver é porque menos de sua ajuda estamos pedindo, contando e aceitando.

No entanto, uma coisa é certa, mesmo que seja difícil imitar Jesus na prática, pois depende também do esforço de cada um, podemos sim, e muito, aprender com ele. No evangelho aprendemos, no episódio da sinagoga, que no canto do recinto havia um homem com a mão direita ressequida que, Jesus, em pleno dia de sábado, subjugou o preceito judeu e curou o enfermo e, o que achei muito legal, colocou o homem no centro do local para que ficasse evidente tudo que ele iria fazer. Ou seja, Jesus nos mostrou que não devemos nos acoar quando estamos em defesa da fé e, devemos ter um olhar, com relação ao próximo, atento às suas necessidades. Vejamos bem, não se trata de sermos reparadores e sim de sermos sensíveis ao que se passa dentro das pessoas. Jesus em meio aos judeus percebeu lá no canto do ambiente aquele homem. Não sabemos, não temos detalhes apurados sobre o comportamento do homem, mas é possível avaliar que Jesus “enxergou” no rosto da pessoa aquilo que estava no coração.

Assim devemos ser. Existe, como nos ensinou catequeticamente muito bem, São João Paulo II, a chamada teologia do corpo. O corpo fala, exprime sentimentos também. Seja um olhar triste, uma cabeça abaixada, ombros caídos para frente, um caminhar arrastado, sobrancelhas e lábios caídos para baixo, tudo no corpo indica problemas, coisas boas, ruins ou em desacordo com alguma coisa. Pessoas carentes de atenção ou com baixa autoestima transformam seu corpo numa árvore de natal. Pessoas vaidosas também. Pessoas mundanas e adeptas dos pecados da carne também. Enfim, o corpo reflete o que está na alma e nós, servos de Cristo, precisamos ter um olhar como o de Jesus, um olhar treinado para podermos ajudar quem precisa, evitar o mal e com nossas atitudes, mostrarmos em tudo, e inclusive em nosso olhar, que somos seus imitadores.


fonte: Jefferson Roger
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Dê tempo ao tempo, será?

Existem por aí, todos nós bem sabemos, vários ditados populares que procuram envolver o tempo nas questões comportamentais e humanas. Dizem que o tempo cura as feridas, dizem que o tempo é como um predador, dizem que o tempo é nosso aliado, dizem que é preciso dar tempo ao tempo e até, no livro do Eclesiastes se diz que existe tempo para tudo.

De fato, as coisas são assim mesmo, me refiro ao livro do Eclesiastes, mas, uma coisa é certa sobre o tempo. Não podemos culpar o tempo por causa de nossas atitudes. O tempo nunca nos falta, sempre é uma questão de prioridade. Se damos muita importância para algo, iremos arrumar tempo para fazê-lo. Se não damos, só o faremos se sobrar algum tempo, do contrário, o tempo que se vire, afinal é culpa dele não nos ter concedido tempo para fazermos aquilo. Pobre dos que pensam assim, o hábito de se colocar a própria culpa nos outros ou em alguma coisa não passa de desculpa, e como se diz por aí, das bem esfarrapadas. Acham que não entrarão na fila do juízo para encararem o olhar penetrante de Jesus, o justo juiz.

As pessoas dizem, dê tempo ao tempo, tudo se ajeita, deixe a poeira baixar mas, por trás disso tudo que dizem, não procedem com nenhuma atitude. O tempo, por si só, não precisa dele para nada. É uma medida que Deus nos concede no hoje da humanidade para caminharmos em meio as obras que fazemos. Vamos dar um pequeno exemplo? Sempre ajuda não é mesmo!

Duas pessoas brigam, lembrando que as discussões muitas vezes acontecem por causa de pontos de vistas divergentes. Pois muito bem, a discussão termina e vai cada um para seu lado. Uma das partes fica mais machucada e ela recebe o consolo que diz que deve dar tempo ao tempo. Errado! Por este conselho, muito fajuto, diga-se de passagem, a pessoa é aconselhada a seguir em frente e viver na esperança de que a outra parte reconheça o que fez e venha reatar a amizade rompida. Mas, e se a pessoa estiver em processo de endurecimento do coração? Ou se for daquelas que acham que são donas da verdade? Pode esperar sentado...

Dar tempo ao tempo só funciona se fizermos a nossa parte e a nossa parte não consiste em não fazer nada. Precisamos procurar a reconciliação, que nada mais é do que perdoar e perdoar significa abrir mão da justiça e isso exige uma renúncia, que passa por cima do orgulho próprio, mas, abre espaço para a dignidade. É um ceder, um tolerar, um entregar-se nas mãos do Deus do impossível. Dessa forma sim, feita a nossa parte, que consiste em perdoar 70x7, como Jesus ilustra no evangelho, respondendo a pergunta de Pedro, e como nos ensina que devemos antes de dar a oferta no altar, buscarmos a reconciliação com o próximo e mais, agir como rezamos o Pai Nosso, quando pedimos perdão na medida em que perdoamos, aí sim, damos tempo ao tempo da forma correta pois fazemos a nossa parte.

Dar tempo ao tempo é colocar nas mãos de Deus mas, devemos nós, fazermos a nossa parte. Do contrário, o tempo que Deus nos concedeu não serviu para nada, assim como o servo mau e infiel que com o talento que recebeu resolveu enterrar. O católico deve se mexer pois o tempo não para e ficarmos parados no tempo damos ao inimigo tempo de sobra para ele conspirar contra nossa caminhada e depois, se não agirmos no hoje, o que irá nos faltar será justamente o tempo, que tanto desperdiçamos com aquilo que não deveríamos.


fonte: Jefferson Roger
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terça-feira, 5 de setembro de 2017

Por que cremos no que não vemos?

Certa vez uma menina em idade escolar perguntou a um padre: O que devo responder para minhas amigas na escola quando me perguntam por que acredito em Deus? Afinal, caros leitores, essa não é a pergunta que muitas pessoas fazem durante suas vidas? A sociedade educa cérebros, não educa almas. Aquilo que realmente importa é invisível, o que é visível aos sentidos básicos, é irrelevante.

Como tudo que importa para nós tem sua natureza no invisível, começamos a compreender que isso, o que importa, é uma realidade da alma. Se as pessoas sedem as realidades da carne, dos prazeres e dos sentidos, fatalmente colocam de lado o cuidado com a parte invisível. O desequilíbrio acontece e não conseguimos sustentar nossa subida rumos aos céus por conta de nosso constante movimento de distração ou dedicação para as coisas irrelevantes, as coisas que passam.

Muita munição disparada em alvo errado só anuncia ao inimigo que não estamos compreendendo o cenário de batalha. Muito ao contrário, agindo assim nós é que nos tornamos alvos fáceis daquele que como um leão, está à espreita buscando a quem devorar. Um ato de se receber do namorado uma caixa de bombom é irrelevante em si. Um vendedor também pode entregar a mesma caixa de bombom. O ato visível é irrelevante e só pode ser comprovado pelos sentidos. Agora, a sensação ao se receber a caixa de bombom das mãos do vendedor e das mãos do namorado é completamente diferente. Por que?

Porque, no invisível, onde estão as coisas que importam, lá a namorada encontra o sentimento do seu parceiro por ela. Está oculto aos olhos o que brotou do coração e só a alma percebe porque vai além da carne, além do palpável. No gesto visível do corpo, a alma sempre pode alcançar o invisível. Por isso, somente nós, compostos de corpo e alma, podemos olhar para a cruz de Jesus e contemplar o amor dele por cada um naquele gesto concretamente realizado até as últimas consequências.

Ademais, aos animais a cruz de Cristo é um objeto, um nada, uma parte do todo que os cerca, sem importância alguma, é irrelevante. Sendo assim, é por isso que acreditamos no que não vemos. Acreditamos porque enxergamos dentro de nós (na alma) a sementinha que Deus brotou em nossa criação e que floresceu e cresce a cada dia através de nossa experiência com o ressuscitado. Quanto mais abrimos nossos corações, mais vivemos essa comunhão e mais acreditamos naquilo que os sentidos não veem, mas que nossa alma enxerga com uma clareza infinita: o amor de Deus.


fonte: Jefferson Roger
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Mary Wagner é mais uma perseguida

Mary Wagner, pró-vida canadense que foi presa diversas vezes por tentar convencer mulheres a deixarem de matar seus filhos nascituros, será julgada novamente no próximo dia 12 de setembro. Mary entrava em clínicas de aborto no Canadá portando rosas brancas e vermelhas, panfletos e cartões. Algumas das perguntas que ela fazia às mulheres que encontrava nas clínicas eram:

“Tem certeza de que quer matar o seu bebê?”

“Por que você tiraria a vida de seu bebê?”

“Tem consciência de que vai matar o seu bebê?”

Uma das pessoas que têm acompanhado o caso de Mary Wagner entrou em contato com o site defensor dos direitos da família "CitizenGO" solicitando uma intervenção e pressão em forma de mensagens de apoio a ela. Elas serão apresentadas ao juiz responsável pelo caso Eric Libman. Até o momento em que redijo este artigo, uma petição que será encaminhada ao juíz, com meta de cinquenta mil assinaturas, já tinha alcançado a marca de quarenta nove mil e quatrocentas. Sinal de que o povo cristão se mobiliza junto aos organizadores que dão a cara a tapa para, não gerir as manifestações mas também conduzi-las junto aos que a elas se destinam.

E as coisas são assim caros leitores. Ainda bem que, com diz Nossa Senhora, no final o meu Coração Imaculado Triunfará. E Jesus garantiu a todos que as portas do inferno não prevalecerão sobre sua igreja. Por hora, o campo de batalha está ativo, o confronto da almas acontece. É hora a hora, minuto a minuto, segundo a segundo. A todo o instante. Jesus não nos mandou vigiar e orar sem cessar por capricho autoritário. Assim como Mary Wagner, tantos outros já passaram e sofreram perseguições. Jesus nos alertou que seríamos perseguidos por causa dele. Ela não é a última, quisera que fosse mas, como não sabemos o dia que só cabe ao Pai Eterno, nos resta a fé nas promessas celestes. A fé precisa permanecer em pé. Se a fé sucumbir, tudo que dela depende cai por terra como dominós montados em fileira.

Quando em nossa miséria humana caímos nos pecados, nossa fé se abala, mas não cai junto conosco. É por causa dela, do que ela nos faz acreditar, que brota em nossos corações o arrependimento e a força para nos reerguermos quantas vezes for preciso. Esse dom precioso é um primoroso combustível celeste de nossas almas. Tão poderosa que é, que nos bastaria a medida de um grão de mostarda, como nos ensina Jesus, para movermos montanhas. Peçamos, portanto, o dom da fé e uma fé sempre cada vez mais forte. Do contrário, nossos sentidos não irão resistir ao cenário que se apresenta diante de nós, onde nos aparenta constantes vitórias do inimigo.

Não nos enganemos, é muito barulho sem dúvida o que satanás está fazendo, mas não há como ele vencer uma guerra que foi decretada como derrota para ele lá no início dos tempos. Por hora, façamos a nossa parte, as batalhas estão aí, de cada um é cobrado uma postura real e concreta de soldado de Cristo. iremos nos acovardas e sermos os primeiros a rolar na ladeira dos condenados, como nos ensina o livro do Apocalipse ou iremos abraçar o projeto salvífico de Deus e sua proposta do Reino Eterno? Deus espera de cada um, uma escolha e não consente numa escolha parcial, pois já nos ensinou que não podemos servir a dois senhores.


fonte: Jefferson Roger e CitizenGO
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segunda-feira, 4 de setembro de 2017

O chamado de um catequista

Os dons e os chamados de Deus são irrevogáveis (carta aos Romanos). Uma vez que Ele nos chama não há o que fazer, não adianta ficarmos nos esperneando como o profeta Jonas no ventre da baleia. Ou relutarmos como Moisés. Uma vez escolhidos e convocados, o chamado de Deus nos aponta para a realidade de um dom recebido para o bem comum, como aprendemos nas cartas paulinas.

Os chamados celestes, que apontam para as vocações, não acontecem de graça em nossas vidas. Longe de apontar para uma exaltação de Deus em nossas vidas ela quer, ao contrário, nos encarregar de uma grande tarefa. Quando um membro do corpo de Cristo recebe algum chamado ministerial, significa que ele está convocado para, além daquilo que é a obrigação de todo cristão, engrossar as fileiras de frente no combate, que é o bom combate.

Não importa, cedo ou tarde, cada um recebe a sua informação divina de o que tem que fazer nessa vida. Aqueles que acham que não receberam nenhum chamado é porque não enxergaram os sinais a sua frente, estão com o olhar embotado pelas coisas que passam, as coisas do mundo e olham apenas para o seu umbigo. São chamados a serem pais, são chamados a serem mães, são chamados a serem religiosas ou são chamados a serem sacerdotes. Não existe, e o catecismo confirma, outro tipo de chamado que não se ramifique destas quatro formas. Se Jesus disse que a messe é grande e os operários são poucos, tristemente devemos entender e sobretudo basta olharmos para a realidade do mundo como está hoje, que, embora os dons e os chamados de Deus sejam irrevogáveis, o livro arbítrio que Deus nos concede, nos dá direito (bobos os que pensam assim), de escolhermos virar as costas para as obrigações que todos os batizados têm.

De fato, é assim que acontece, o famoso não tenho tempo entra em cena, o famoso não levo jeito entra em cena, o famoso não quero me envolver com isso entra em cena. Dizer não, para pessoas assim, negligenciadoras na parte que lhes cabe é um virar as costas para Deus. Tudo, diz a escritura, concorre para o bem daqueles que amam a Deus, e não se pode escolher apenas dizer não, e não e mais não para Deus, de forma militarizada como se ele estivesse a nos perturbar e querer de nós que não tenhamos tempo para nós mesmos e nossos prazeres.

Como saber? Ora, é muito simples, tudo que vem de Deus e nos atinge quando estamos com o coração aberto para a ação do Espírito Santo nos pega em cheio e não fica sombra de dúvidas. A certeza é imensa e não se pode objetar em seu contrário. Lembremos sempre do profeta Jonas. Lembremos da primeira catequista, Maria Santíssima.

Os catequistas, braço forte junto aos primeiros catequistas, os pais, carregam a missão de serem o rosto da igreja que leva a boa nova do Reino a todas as criaturas, com palavras, atitudes e testemunhos. Assim acontece em todas as paróquias das arquidioceses e dioceses. Há poucos dias atrás comemorou-se o dia do catequista e a data, na paróquia onde atuo foi comemorada com um evento de acolhida, palavra do pároco, momentos de oração, um jantar e uma reflexão aos presentes através de uma apresentação teatral em forma de mímica (link da apresentação aqui), onde eu e minha filha mais velha, Yasmin, mais uma vez levamos as mensagens de Jesus através dessa forma de arte. Ficando, além do presente, a oportunidade de se pensar a respeito daquilo que Deus sempre espera de nós.


fonte: Jefferson Roger
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O traste do inferno

A palavra traste originalmente significa coisa velha, de pouco valor, antigamente utilizada para se referir a alguma coisa em casa de pouco valor. Com o passar do tempo, a expressão sempre viva e em constante mutação, que chamamos de linguagem falada, adotou essa palavra para também se referir a uma pessoa que presta para nada, que é inútil. Colocadas as coisas dessa maneira, podemos enxergar claramente uma ligação dessa expressão coloquial popular com algumas passagens bíblicas que apontam para essa possível realidade na vida de uma pessoa.

Eclesiástico 15,21-22 – “Ele (Deus) não deu ordem a ninguém para fazer o mal, e a ninguém deu licença para pecar; pois não deseja uma multidão de filhos infiéis e INÚTEIS.

E na parábola dos talentos encontramos: Mateus 25,24-30 – “Veio, por fim, o que recebeu só um talento: - Senhor, disse-lhe, sabia que és um homem duro, que colhes onde não semeaste e recolhes onde não espalhaste. Por isso, tive medo e fui esconder teu talento na terra. Eis aqui, toma o que te pertence. Respondeu-lhe seu senhor: - Servo mau e preguiçoso! Sabias que colho onde não semeei e que recolho onde não espalhei. Devias, pois, levar meu dinheiro ao banco e, à minha volta, eu receberia com os juros o que é meu. Tirai-lhe este talento e dai-o ao que tem dez. Dar-se-á ao que tem e terá em abundância. Mas ao que não tem, tirar-se-á mesmo aquilo que julga ter. E a esse servo INÚTIL, jogai-o nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes.”

Lucas 17,10 – “Assim também vós, depois de terdes feito tudo o que vos foi ordenado, dizei: Somos servos INÚTEIS; fizemos o que devíamos fazer.”

Como podemos observar, a expressão inútil é utilizada em duas formas de aprendizado a ser colocado em prática na vida do cristão. Em Eclesiástico vemos que Deus rotula aqueles que não praticam o bem, consequentemente aderindo ao mal, como pessoas sem utilidade para o Reino dos Céus. Pessoas assim não produzem frutos em suas vidas tanto para si, quanto para os outros, quanto para a pátria celeste. Deixam de lado o mandato divino de evangelizar por conta dos seus interesses egoístas.

No evangelho de Mateus, o ensinamento celeste nos diz que aquele que negligencia sua missão cristã, de não ir e pregar o evangelho a toda a criatura, dando testemunho de Cristo por amor a ele e não por medo, é ramo fora da videira e não tem serventia para o Reino. Exatamente na mesma linha da passagem de Eclesiástico. Já em Lucas a palavra inútil é usada em outro contexto, para ensinar outra questão que cabe em nossas vidas. Neste trecho percebemos o quanto, embora Deus queira precisar de suas criaturas, não precisa delas para fazerem as coisas. Ainda nos mostra que, devemos fazer e agir conforme a natureza pensada e criada por Deus e agindo assim, nada mais fazemos que nossa obrigação. Na passagem aprendemos que não devemos nos vangloriar de fazermos aquilo que é nossa obrigação cristã.

Desta maneira, com estes três exemplos, vemos que o ditado do traste do inferno se encaixa muito bem na questão, resumindo a postura de uma pessoa que não está agindo de maneira a agradar a Deus e, tampouco, agradar aos homens. Se não fazemos o que devemos, não agimos como precisamos, nos escondemos acoados como o servo inútil de Mateus ou nos vangloriamos como o servo inútil de Lucas, corremos o risco de ouvirmos de Jesus no dia do juízo o mesmo que ele disse no sermão da montanha: Mateus 5,46 – “que recompensa tereis?”


fonte: Jefferson Roger
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sexta-feira, 1 de setembro de 2017

As Brancas de Neve Católicas

Olá pessoal, acho que é sabido da grande maioria a existência do conto infantil da década de trinta, desenvolvido pela Walt Disney intitulado “Branca de Neve e os Sete Anões”. Na história, um dos personagens, a madrasta de Branca de Neve, má, cruel e invejosa, mantinha por ciúmes e inveja a pobre moça coberta de andrajos e sob o julgo das tarefas. Esse é o contexto inicial transmitido ao público no início do filme e que mais tarde revela as atitudes da personagem má.

Trazendo como analogia essa obra de ficção científica para a realidade em que vivemos, me sirvo dessa história para relembrar um pouco da vida de uma santa chamada Beatriz da Silva, cuja memória se faz dia um de setembro. Também em sua vida, uma mulher por inveja e ciúmes por causa da sua beleza, a tratava de forma que as biografias que encontramos sobre a vida dessa santa descrevem como um calvário.

Em sua vida aprendemos que, quando ela estava com seus vinte anos e sendo muito bela, chegou ao ponto máximo o embate maléfico perpetrado por sua “inimiga”, a esposa do rei da Espanha, D. João II, a qual santa Beatriz era dama de honra. Conta-se que a mulher aprisionou a moça num caixão por dias para que ela morresse por falta de ar. A jovem mulher, por nutrir tão fervorosa devoção por Nossa Senhora da Conceição não ficou desamparada pela mãe de Deus que a livrou desse infortúnio.

Como atitude concreta de profundo agradecimento ela tornou-se freira e assim viveu até os seus sessenta e seis anos de vida, tendo passado pela Ordem das Dominicanas, ramo feminino da Ordem de São Domingos de Gusmão e mais tarde, tendo fundado uma ordem de monjas de estrema clausura. Após sua morte a herança deixada pela santa foi a de cultivar o amor a Maria Imaculada, a Paixão de Jesus Cristo e a Santa Eucaristia.

É um simples exemplo de tantos outros que podemos encontrar na história do catolicismo e que serve para nos ensinar que, como diz Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus, sempre existirão ventos contrários e não devemos desanimar. O céu (paraíso) não cai no colo de ninguém, é preciso subir até lá e não existe atalho que evite os sofrimentos, dificuldades, tribulações, problemas ou desafios. É difícil para cada um segundo a medida que o bondoso Deus concede, conforme seu infinito amor e sabedoria, neste caminhar pelo vale de lágrimas. Não se trata de ver para crer, como quer ensinar o diabo, se trata de crer para ver, como nos ensina Jesus.


fonte: Jefferson Roger
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Perseguição até dentro da Igreja

Não é de hoje que aprendemos na história da igreja que os defensores que de faca nos dentes se lançam na jaula dos leões para erguer em riste o estandarte do evangelho são perseguidos. Novidade nenhuma é porque Jesus disse que “sereis perseguidos por causa de mim”. E a perseguição que começou no início dos tempos e se alastra até os dias atuais não poupa nenhuma área do seu alcance. Anônimos cristãos ou não sofrem a tentativa de cárcere espiritual e duras sanções por parte dos acusadores e, infelizmente para os cristãos, como a fumaça de satanás invadiu a igreja, nas palavras muito acertadas do Papa Paulo VI, também dentro da mesma acontecem as perseguições.

São membros do corpo de Cristo que, corrompidos pelo mal, agem para o agrado do demônio. Basta uma rápida passadinha pela vida dos santos. Incontáveis perseguições a freiras e padres e religiosos leigos para atestarmos o quanto o mal não se sente bem com o brilho da luz de Cristo em ação no mundo. Desde Santa Terezinha, os pastorinhos de Fátima, Santa Bernadete, Santa Catarina Labouré, São Francisco e Padre Pio, só para recordarmos alguns exemplos heroicos da fé, sem mencionarmos os mártires, até os dias de hoje, como diz Jesus: sereis perseguidos por causa de mim. E as perseguições acontecem nos mais variados escalões.

Seja um membro de família muito dedicado em sua catolicidade, seja um pároco ou uma religiosa, não importa, tudo aquilo que agrada a Deus o diabo não gosta, se incomoda e faz de tudo para abolir. Recentemente se noticiou outro sacerdote, o padre Rodrigo Maria, fundador da Fraternidade Arca de Maria, como um dos mais novos perseguidos, acusado de muitas calúnias como desobediência a igreja e tudo o mais. Ficou afastado, vítima de um processo engendrado e fraudulento dentro do clero e até proibido de celebrar todos os sacramentos. Mas, como diz na escritura, o Espírito Santo sai em nossa defesa e não devemos nos preocupar. Encerro aqui com a declaração que o sacerdote fez, e que concordo plenamente, a respeito das pessoas que não querem seguir a autenticidade do evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, luz da luz.

“De modo oficioso, autoridades e colaboradores das mesmas, disseminaram, de maneira leviana, as mais pérfidas acusações a meu respeito. Mas, para se compreender o que realmente aconteceu é preciso compreender a atual situação da Igreja, que possui hoje em seu quadro dirigente muitos senhores que têm por programa combater e neutralizar todas as pessoas e movimentos que são considerados conservadores e que, de certo modo, representam um “modelo de Igreja” que eles querem ver sepultado. Todos os que não se adequam ao relativismo revolucionário reinante e ousam pregar a imutável doutrina católica estão debaixo de perseguição.”


fonte: Jefferson Roger e ofielcatolico.com.br
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O paraíso sem Deus

A agenda de destruição das famílias infelizmente segue acirrada a sua busca pela implantação dos ideais marxistas que tanto insistem em destruir a célula básica da sociedade, jogar no latão de lixo o plano salvífico de Deus e ainda por cima defender a teste de que tudo isso que promovem não passa de uma evolução natural da humanidade. Tenha paciência viu.

Já é de muito tempo que a batalha entre a frente cristã e os promotores da cultura da morte acontecem pelos continentes a fora. Há de se recordar que o fato é biblicamente registrado. “Cuidai de vós mesmos e de todo o rebanho” – diz a escritura (Atos 20,28). E por que precisamos cuidar? Simples, porque “Sei que depois da minha partida se introduzirão entre vós lobos cruéis, que não pouparão o rebanho. Mesmo dentre vós surgirão homens que hão de proferir doutrinas perversas, com o intento de arrebatarem após si os discípulos” – nos alerta a passagem (Atos 20,29-30).

E a coisa é tão evidente e a frente inimiga toma tanto corpo que os mornos e os descrentes na verdadeira essência da fé colocam em cheque a imparcialidade da doutrina celeste. Quando Jesus diz “eu sou a verdade, o caminho e a vida, ninguém vai ao pai senão por mim”, encerra nessa afirmação toda a questão que gira em torno do que é bom e do que é mau. No entanto, o esforço dos servos do diabo (e muitos são e nem sabem que são) segue em ritmo incansável pois querem que o mundo se torne um paraíso sem Deus, apenas regido pelas regras humanas. Pobres destes e dos que aderirem.

Jesus disse a Santa Faustina que agora é o tempo da misericórdia, depois, ele terá a eternidade para puni-los. São leis abortistas, leis que promovem a ideologia de gênero, programas televisivos como filmes, novelas, programas de auditório e todo esse tipo de parafernália que enfrentamos, nós católicos e cristãos, diariamente, num combate que cobra de cada um, uma posição firme em respeito ao que se acredita e defende.

Para um pai e uma mãe o compromisso com Jesus precisa chegar até o ponto de, devo dizer, corajosamente, ensinar o que é certo aos olhos de Deus, contradizendo toda a maré mundana que jorra em forte correnteza contra nossa subida rumo aos céus. Olhem só como estão as coisas. Não bastasse todo o peso da subida cristã rumo a pátria celeste ainda temos o bônus de degladiar com essa caterva infernal e sua plebe.

Ainda bem que novos céus e novas terras virão e que a Jerusalém celeste espera a todos os violentos (Mateus 11,12) e perseverantes (Mateus 10,22) para que recebamos a coroa da glória eterna, segundo nossas obras (Apocalipse 22,12). Até lá, seguimos na batalha.


fonte: Jefferson Roger
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quinta-feira, 31 de agosto de 2017

O céu em degraus

Caros leitores, biblicamente falando, nossa vida passa pela experiência dos três céus. Não se trata de algum tipo de invenção mundana ou científica e sim de uma realidade que nos é ensinada nos testamentos bíblicos. Vejamos.

Agora, nesta etapa de nossas vidas eternas, nessa passagem estagiária por este vale de lágrimas, estamos a viver sob o firmamento, criado por Deus como vemos no livro do Gênesis, que é denominado como o primeiro céu. Trata-se do céu que fisicamente podemos contemplar, podemos visualizar. Ele se estende até onde nossa visão alcança. Lembrando que nossa visão alcança a realidade celeste que denominamos de universo. Podemos ver a maravilha do seu azul num dia ensolarado e a sua sobriedade durante uma noite estrelada, o que nos dá uma pequeníssima ideia do universo. Este é o céu que abarca o ar que precisamos para inflar os pulmões e numa realidade além, está compreendido dentro do universo.

Deixando a esfera material e física, além de vivermos sob o aporte deste céu, também nos relacionamos com o seguinte campo de ação que é denominado de segundo céu. É o plano espiritual, invisível aos nossos sentidos básicos. É onde estão os anjos que atuam conosco (anjos da guarda) e os demônios que operam nas tentações. Grandes santos e santas de Deus receberam a graça de enxergarem este plano. Todas as aparições acontecem nesse plano. Vale ressaltar que alguns estudiosos e teólogos incluem no segundo céu a realidade do universo. Segundo eles, tirando a realidade da existência espiritual, tudo que existe e não vemos está no segundo céu, ficando para o terceiro céu a realidade espiritual. Teoria que pode ser vencida facilmente porque não podem os anjos da guarda, por exemplo, nesta teoria, nos ajudarem aqui neste plano se eles estiverem no paraíso, eles precisam estar perto de nós, mas num plano que não os vemos. Isso só é possível com a realidade do segundo céu, o plano espiritual de atuação invisível ao olho nu pois, na forma do segundo céu ser tudo que abriga o universo, o paraíso se torna tangente ao nosso plano e dessa forma, seguindo o mesmo exemplo, um anjo de guarda está ao nosso lado e ao mesmo tempo está no paraíso. Isso não funciona assim. Fiquemos então com o estudo que aponta como primeiro céu, o que vemos, mas também aqui está o universo pois quando olhamos para cima não vemos o fim do céu, o que vemos é a magnitude do céu refletida na concepção do universo. Continuemos.

Por fim, nossa caminhada que passa por esta realidade do primeiro e segundo céus, tem como fim último alcançar o paraíso, morada de Deus; o terceiro céu (O Reino dos Céus). Concedido para aqueles que pelas obras receberão a coroa da glória eterna. Ao terceiro céu seremos admitidos se nosso esforço for, no mínimo, o máximo. Nosso destino, que já sabemos ser eterno, só depende de fazermos nossa parte para que possamos viver neste céu ou fora dele.

Na oração do Pai Nosso, a oração original que está muito bem traduzida ao latim encontramos essa realidade dos céus. Na primeira parte rezamos: “Pai Nosso que estais nos CÉUS... referindo-se a morada de Deus, o paraíso. Na segunda parte rezamos: “seja feita a vossa vontade, assim na terra como no CÉU. Ou seja, na primeira parte, damos glória a Deus que está no céu dos céus, no paraíso, morada eterna do Onipotente. Na segunda parte contemplamos sua atitude de promover que as coisas aconteçam conforme sua vontade, tanto aqui no mundo (debaixo do primeiro céu, o céu que vemos) quanto no segundo céu (o plano espiritual). Em algumas aparições Nossa Senhora diz: “desço dos CÉUS novamente para lhes dizer...”, referindo-se claramente ao paraíso. E assim, esta compreensão catequética sobre as verdades celestes nos permitem conhecer um pouquinho mais sobre a realidade do que nos cerca, tanto física como espiritual e nossa relação com ela, inclusive através da oração do Pai Nosso.


fonte: Jefferson Roger
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quarta-feira, 30 de agosto de 2017

No sofrimento a oração tem mais valor

Não é de hoje, caro leitor, que todos nós sabemos que é mais fácil acreditar num Deus que nos concede aquilo que queremos ao invés de acreditar num Deus que nos concede aquilo que precisamos. Quando queremos alguma coisa e recebemos, ficamos muito satisfeitos e na expressão da igreja, ficamos consolados. Porém, se Deus, aquele que comanda tudo e todos, amorosamente nos mostra que as coisas não são como queremos e sim como ele quer, então rapidamente o Deus que não nos atende é transformado por nós em desmancha prazer e inimigo da nossa felicidade.

Como somos pessoas de mentes curtas e não queremos ser, ficamos nos debatendo em meio aos nossos conceitos porque eles nunca são suficientes para responderem nossos questionamentos. Ninguém vai tirar uma dúvida de português num livro de matemática. Não há como agir assim e nem o fazemos porque sabemos que o que queremos está em outra fonte. Assim é em nossa vida. A outra fonte dos porquês é Deus e não adianta ficarmos dando ouvidos ao mundo, ao diabo ou a quem quer que seja pois tudo que precisamos saber e conhecer vem do céu. É evidente também, precisamos deixar claro, que como membros do corpo de Cristo e sob a ação do Espírito Santo, recebemos nossos dons, atribuídos por ele como lhe aprouve para o bem comum e, portanto, fica claro aceitarmos que pessoas do mesmo corpo de Cristo, atuam como instrumentos de Deus em nossas vidas.

Desta forma, colocadas as coisas, sempre irá acontecer a tentação de se comparar o aqui e o acolá. Um vendedor mostra seu produto, nos permite testa-lo, compara-lo com outro e tudo mais, na intenção de que possamos comprovar o que ele está a dizer. O mesmo acontece numa concessionária de veículos. Podemos fazer um test-drive. Nas lojas de cosméticos existem as amostras dos produtos e perfumes para ajudar em nossas escolhas. Nas lojas de vestuário podemos provar as roupas que escolhermos antes de compra-las. Aí reside o problema das pessoas. Deus não se comporta como um vendedor de produtos, de carros ou de cosméticos e perfumaria. Como ele não precisa provar nada, embora muito tenha provado no decorrer da história da humanidade, haja vista saber que sua “oferta” é a melhor oferta possível de existir, Deus não tenta convencer ninguém, nem obrigar porque ele sabe que quando acreditarmos primeiro, iremos “comprar” a ideia do Reino dos Céus. E é nesse contexto que se mete o diabo. Ele tenta nos convencer que as demoras de Deus e os sofrimentos são coisas ruins. E ele infelizmente convence a muitos. Se a coisa vai bem, rezamos com alegria porque o bondoso Deus nos atende na medida do nosso tempo. Se a coisa vai mal, miseravelmente deixamos a oração de lado porque o bondoso Deus de bom não tinha nada e quer que acreditemos nele, vivamos segundo sua proposta, nos humilhemos perante ele e busquemos primeiro as coisas que não passam em detrimento das que passam.

É nessa hora que somos provados na paciência e perseverança e é quando as coisas não andam como queremos que nossa oração tem mais valor. Ela nos faz crescer na fé e a torna inabalável. Se Jesus disse para vigiarmos e orarmos sem cessar, que obedeçamos. A salvação da alma passa pela balança de alguns anos de vida por aqui em prol da eternidade na glória dos céus.


fonte: Jefferson Roger
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segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Fazer de tudo para não fazer nada

Caros leitores, se existe uma coisa em que o mundo ensina com maestria, e falo aqui no contexto espiritual em que nossa batalha pela salvação das almas é constante, são formas de “enrolarmos” nossa consciência, razão e coração para não fazermos o que precisamos e sim o que queremos precisar. É muito fácil olharmos para nossas vidas, quando elas estão sendo vividas com desleixo espiritual que é de dar vergonha e tristeza a qualquer santo de Deus, para percebermos como somos mestres na arte de arrumarmos tempo para tudo e não arrumarmos tempo para tudo. Explico.

Quando se trata dos prazeres terrenos, acha-se tempo para tudo, quando se trata dos prazeres eternos, falta-se tempo para tudo. O diabo, muito astuto como sempre, sabe que o ser humano faz muito uso dos sentidos e por isso ele compreende que uma pessoa, se não estiver mergulhada no mistério pascal, vai se comportar um pouco como São Tomé. Como ele não pode experimentar, ou pensa que não pode, as alegrias celestes no aqui e agora, investe naquilo que pode sentir no já. Fazem de tudo, relacionado aos prazeres terrenos, para não fazerem nada, relacionado as felicidades do paraíso.

Ficam insistindo, quando muito, em adotar uma política de salário mínimo quando o assunto é sua religião e a salvação de sua alma. E pior; como crismados e soldados de Cristo, negligenciam com veemência o serviço junto a igreja de Jesus na salvação das outras almas. Pobres embotados de mente e coração, desvalorizam com unhas e dentes, no mínimo, as dozes horas finais da paixão de Jesus Cristo. Pensam que suas almas foram compradas a preço de banana e se colocam na condição de ovelhas que teimosamente querem chafurdar na lama.

Abrem seus corações para a tentação do “não precisa” e para a tentação do “amanhã”.

Recitar diariamente o Santo Rosário não precisa, ir na Santa Missa de preceito não precisa, se confessar com frequência para comungar frutuosamente não precisa, ler as sagradas escrituras com grande frequência não precisa, adoração ao Santíssimo, jejuns e outras formas de penitências e práticas de obras espirituais não precisa, pra quê? – Diz o diabo! Deixe de exagero, Jesus já te salvou e já te perdoou, segue sua vida que é curta e aproveite, deixe tudo isso para amanhã.

E assim, como diz Santo Agostinho, “eu tenho medo do Deus que passa”, porque o Deus vivo nos visita no hoje, no agora. O trabalho pela salvação da nossa alma é feito hoje pois amanhã cabe a Deus se nos concederá ou não. Enquanto as pessoas ficam se esforçando, fazendo de tudo para não fazerem nada, seja na vida material e sobretudo, na vida espiritual, vão entristecendo a Deus e alegrando o diabo, que ansiosamente os aguarda no final da rampa dos ímpios. Sempre vale lembrar do ditado popular, leite derramado não adianta ser chorado. Se a morte, acontecimento certo e libertador de nossa condição inicial neste vale de lágrimas, nos pegar de improviso, como acontece a muitos, o que fazer se escolhemos viver no plano do demônio? O plano “B”?


fonte: Jefferson Roger
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segunda-feira, 21 de agosto de 2017

A espiritualidade do "Convém"

Todo mundo percebe que a catequese do mundo prega uma doutrina onde tudo se pode fazer, onde o comum é normal. Pouquíssimas coisas o mundo diz que é proibido e as que ele diz que são, é porque prejudicam os interesses do nosso inimigo cruel. Vamos dar uma passadinha rápida pelas sagradas escrituras para colhermos um pouco do que Deus tem a nos mostrar e ensinar a respeito do que convém ou não convém. Em Atos dos Apóstolos São Paulo diz que para aqueles que trabalham, convém acudir os fracos. Depois na carta a Tito ele diz que muitos ensinam o que não convém, levando famílias inteiras ao erro. Já na carta aos Colossenses, quando fala da relação entre marido e mulher, diz que convém no Senhor que as mulheres sejam submissas aos maridos. Vale lembrar que não se trata aqui da mulher ser escrava ou empregada do homem e sim, sua companheira que o auxilia, assim como vemos no livro do Gênesis.

Quando escreveu sua carta aos Efésios, ele diz que aos discípulos da verdade em Jesus não convém se comportarem como os libertinos, que se entregam a paixões impuras, e um pouco mais adiante diz que “quanto à fornicação, à impureza, sob qualquer forma, ou à avareza, que disto nem se faça menção entre vós, como convém a santos. Na carta aos Gálatas ele escreve para a comunidade dizendo que gostaria de estar presente para poder falar a todos como convém. Para os Romanos, São Paulo fala do papel do Espírito Santo em nossas vidas, nos dizendo que ele intercede por nós com gemidos inefáveis pois nem sabemos como pedir e orar como convém.

Ainda aos Romanos, ele escreve que não devemos fazer uma opinião sobre nós, maior do que convém, e sim uma opinião razoavelmente modesta, conforme nosso grau de fé. Na primeira carta a Timóteo, ele fala sobre a vaidade feminina exortando as mulheres a deixarem a aparência exterior de lado em prol das boas obras, como convém a mulheres que professam a piedade. Ainda a Tito, agora na segunda carta ele fala a respeito do comportamento do cristão dizendo que não convém que deixemos de lado a paciência; diz que é preciso que sejamos capazes de ouvir a todos e ensinar.

Na primeira carta aos Coríntios 6,12, São Paulo acerta em cheio na exortação que vai em oposição direta ao que o mundo quer de cada um de nós. O mundo quer que aceitamos o vale-tudo, o oba oba, o faço o que eu quero, quando quero, como quero e quando me der vontade. Mas, não existe saída alguma se quisermos subir a ladeira. Diz assim São Paulo: “Tudo me é permitido, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas eu não me deixarei dominar por coisa alguma.” E ainda na mesma carta ele nos ensina que é melhor ensinar o que convém, pois isso nos unirá ao Senhor sem partilha. E antes de terminar esta carta, São Paulo dá um golpe certeiro e mortal na soberba das pessoas dizendo em 8,6 que “Se alguém pensa que sabe alguma coisa, ainda não conhece nada como convém conhecer.” E em 15,34 dá outro puxão de orelha dizendo: “despertai, como convém, e não pequeis! Porque alguns vivem na total ignorância de Deus.” Na segunda carta aos Coríntios ele diz que convém lembrar que quem semeia pouco, colhe pouco e quem semeia muito, colhe muito. E termina a carta nos recordando quase em seu final, que não convém que nos gloriemos.

Como vemos caros leitores, foi só uma passadinha pelas escrituras, muito mais há para se aprender nos dois testamentos bíblicos mas, o que vemos aqui essencialmente nos orienta a fazermos boas escolhas. As vezes as pessoas acham que as escolhas propostas por Deus não lhes convém porque exigem uma renúncia do eu lá nas profundezas do querer e isso sempre irá implicar abrir mão de alguma coisa. O desapego é um termômetro porque quanto mais ele é doloroso em se tratando das coisas que passam e daquilo que temos como nossa verdade, mais ele nos mostra quão afastado estamos de Deus.


fonte: Jefferson Roger
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