quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Derrubado antigo erro protestante


AINDA É COMUM nos meios protestantes, infelizmente, ouvir-se a afirmação de que “a Igreja Católica acrescentou sete livros à Bíblia" em algum momento da História. Segundo esta absurda teoria, esses livros (Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc, Carta de Jeremias e os livros dos Macabeus, além de partes de Daniel e Ester) seriam “apócrifos”. Um lamentável equívoco, – entre muitos outros, – difundido às vezes por puro desconhecimento e outras com a nítida intenção de caluniar a Igreja Católica.

Recentemente, a entidade protestante SBB (Sociedade Bíblica do Brasil), que publica as bíblias protestantes em nosso país, acabou com séculos deste grosso engano, quando publicou, para a surpresa de todos, a Septuaginta, – a antiga tradução bíblica que reúne os livros do Velho Testamento usada pelos Apóstolos de Jesus e que contém os mesmos sete livros católicos que eles, protestantes, alegavam ser um acréscimo feito pela Igreja Católica. – A SBB publicou o seguinte (vago e confuso) texto em uma nota de promoção da obra:

“Septuaginta (ou Tradução dos Setenta): esta foi a primeira tradução. Realizada por 70 sábios, ela contém sete livros que não fazem parte da coleção hebraica, pois não estavam incluídos quando o cânon (ou lista oficial) do Antigo Testamento foi estabelecido por exegetas israelitas no final do Século I dC.

A igreja primitiva geralmente incluía tais livros em sua Bíblia. Eles são chamados apócrifos ou deuterocanônicos (sic) e encontram-se presentes nas Bíblias de algumas igrejas. Esta tradução do Antigo Testamento foi utilizada em sinagogas de todas as regiões do Mediterrâneo e representou um instrumento fundamental nos esforços empreendidos pelos primeiros discípulos de Jesus na propagação dos ensinamentos de Deus.”

A nota é digna de citação por reconhecer que a versão dos textos bíblicos adotada pela Igreja primitiva é a mesma usada até hoje por nós, católicos, o que não deixa de ser um grande avanço. Além disso, reconhece categoricamente que os protestantes não seguem o cânon da Igreja de Cristo, e sim o da comunidade hebraica/israelita(!), – a suprema incoerência. – Apesar destes acertos, também há muitos e graves erros na apresentação da SBB, alguns realmente elementares. Dentro de nossas próprias limitações, procuraremos efetuar, abaixo, as devidas correções ao obscuro texto da SBB:

1) SBB: “Esta foi a primeira tradução. Realizada por 70 sábios, ela contém sete livros que não fazem parte da coleção hebraica, pois não estavam incluídos quando o cânon (ou lista oficial) do Antigo Testamento foi estabelecido por exegetas israelitas no final do Século I dC.”

Correção: os sete livros não fazem parte da “coleção hebraica”, porque esta é muito posterior à coleção cristã, datando no mínimo do final do primeiro século, – sendo que fontes respeitadas datam a sua conclusão no segundo século, como é o caso da Enciclopédia Judaica. – Já a Septuaginta é anterior a Cristo (aprox. séc. III aC). Trata-se, portanto, de um erro crasso. O “detalhe” que faz toda a diferença é que essa lista sem os sete livros em questão foi produzida pelos judeus que perseguiram Jesus e os Apóstolos e que queriam extirpar os livros cristãos do meio judaico. Confirmando este fato, diz a SBB em espantosa e claríssima contradição: “A igreja primitiva geralmente incluía tais livros em sua Bíblia”(!).

Outro "detalhe" imprescindível: esta “Igreja primitiva” citada no texto é, evidentemente, a primeira e única Igreja deixada por Jesus e continuada pelos Apóstolos, a única Igreja que possui uma história bimilenar, a mesma Igreja Católica e Apostólica atualmente sediada em Roma.

Mais um "detalhe" que muda tudo: os protestantes aceitam a autoridade da Igreja Católica para definir o cânon do Novo Testamento, – que é o cumprimento e a consumação de toda a mensagem das Sagradas Escrituras para nós, cristãos, – mas a renegam na definição do cânon do Antigo Testamento. Baseados em que autoridade fizeram tal escolha? Esta é uma pergunta sem resposta.

2) SBB: “Eles são chamados apócrifos ou deuterocanônicos e encontram-se presentes nas Bíblias de algumas igrejas.”

Correção: os sete livros são chamados “apócrifos” única e exclusivamente pelos inimigos de Cristo, que os excluíram de seu particular cânon judaico, feito somente no final do primeiro século. Deram-lhes desonestamente o nome de “apócrifos” para desclassificá-los; os protestantes, ávidos por se diferenciarem cada vez mais e em definitivo da Igreja Católica, adotaram o erro e se uniram aos carrascos e escarnecedores de Jesus.

De fato, o termo "apócrifo" sempre significou um "escrito de assunto sagrado não incluído pela Igreja no cânon das Escrituras autênticas e divinamente inspiradas", e "texto religioso cristão que não se inclui na lista canônica de livros da Bíblia". Logo, demonstrado está que “apócrifos”, na realidade, são os livros que ficaram de fora do cânon da Igreja, entre os quais não se incluem os livros excluídos pelos protestantes. Os que constam da Septuaginta evidentemente estão incluídos no cânon da Igreja, e isto a SBB inadvertidamente reconhece, quando afirma: “A igreja primitiva geralmente incluía tais livros em sua Bíblia”.

3) SBB: “Esta tradução do Antigo Testamento foi utilizada em sinagogas de todas as regiões do Mediterrâneo e representou um instrumento fundamental nos esforços empreendidos pelos primeiros discípulos de Jesus na propagação dos ensinamentos de Deus.”

Aqui não há o que corrigir, pois a SBB simplesmente confessa que a Septuaginta, isto é, o Velho Testamento da Bíblia cristã e católica de sempre, foi sempre utilizada pela Igreja, desde o princípio, inclusive nas sinagogas "de todas as regiões do Mediterrâneo" como "instrumento fundamental" para a evangelização. Corretíssimo. Isso explica o porquê de tais livros já se encontrarem, inclusive, na Bíblia de Gutemberg, impressa cerca de um século antes da Reforma Protestante.


Lutero traduziu para o alemão os livros deuterocanônicos. Sua edição de 1534 traz o mesmo catálogo dos católicos. A sociedade Bíblica protestante, até o séc. XIX, incluía os deuterocanônicos em suas edições da Bíblia. Depois disso os excluiu, e para justificar essa grave heresia, elaborou uma coleção de calúnias contra a Igreja Católica. Até hoje certas seitas pentecostais e neo pentecostais costumam levianamente pregar uma justificativa mentirosa para cada livro que renegaram.

Logo, o que o protestantismo usa não é de fato a Bíblia dos cristãos, mas o cânon farisaico do Velho Testamento, junto ao cânon católico do Novo Testamento. Desse modo, o que o protestantismo prega não pode de modo algum ser a verdade, já que defende o princípio da Bíblia como "única regra de fé e prática".

Vejamos agora o resultado do curioso proceder da SBB para com o público protestante: a bíblia protestante "Almeida", que contém o Novo Testamento conforme o cânon da Igreja Católica e o Velho Testamento faltando sete livros, numa encadernação bem cuidada custa aproximadamente R$ 44,00. Pois bem. Os mesmos protestantes que retiraram aqueles sete livros desta bíblia, agora disponibilizam para venda a Septuaginta, que contém os mesmos sete livros que haviam tirado, por valores em torno dos R$ 134,00(!).

Ora informamos a todos os protestantes bem intencionados que em qualquer livraria católica se pode adquirir uma excelente versão da Bíblia completa, como sempre foi usada pela Igreja de Cristo desde o início, conforme a própria SBB admite, por menos de R$20,00.

Caríssimos irmãos separados, o seu Velho Testamento é exatamente a Septuaginta que as lojas protestantes tentam vender-lhes por altos valores, depois de ter-lhes vendido uma bíblia incompleta. Que ninguém vos engane mais uma vez.


fonte: o fiel católico

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