quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Como inimigos de Deus


Lucas 6,27-32

27 Digo-vos a vós que me ouvis: amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam,
28 abençoai os que vos maldizem e orai pelos que vos injuriam.
29 Ao que te ferir numa face, oferece-lhe também a outra. E ao que te tirar a capa, não impeças de levar também a túnica.
30 Dá a todo o que te pedir; e ao que tomar o que é teu, não lho reclames.
31 O que quereis que os homens vos façam, fazei-o também a eles.
32 Se amais os que vos amam, que recompensa mereceis? Também os pecadores amam aqueles que os amam.
Um dos trechos belíssimos do Evangelho de São Lucas é esta pequena passagem onde Jesus parece exigir de nós fiéis algo quase impossível para a compreensão humana. Se pensarmos aos olhos da lei e da moralidade podemos achar que o que nosso Salvador nos pede é algo muito difícil de se praticar.

A cultura e a razão humana tendem a conceber que, o bom merece a recompensa e o mau merece o castigo, afinal, não é assim na essência da batalha entre o bem e o mal? E seguindo essa reflexão não nos parece então uma contradição Jesus nos exortar a tratar os maus como se trata os bons?

Muita calma neste andor, já dizia o ditado popular. Jesus, que é o caminho, a verdade e a vida não pode se contradizer e de fato não se contradiz.

O que ocorre então, é quando ainda éramos inimigos de Deus, fomos reconciliados com Ele pela morte de seu filho na cruz. Inimigos sim, todavia no Jardim do Éden, pela soberba a antiga serpente provoca no primeiro casal essa inimizade entre eles e o Criador.

“Deus não quer que vocês comam do fruto proibido porque senão vocês serão como Ele”.

E pela desobediência que levou à queda na tentação, entra o pecado no mundo, invenção do anjo caído e a concupiscência se instala em nossas almas.

Desse ponto em diante o nosso olhar tornou-se um olhar manchado pelo pecado e isso precisa ser curado diariamente. É preciso ter um olhar santo, que brota do coração, onde brotam todas as coisas como nos ensina Jesus.

Assim sendo, reconhecida nossa natureza outra questão precisa unir-se a esta. Na santa missa rezamos: Por Cristo, com Cristo e em Cristo... ou seja, a razão de todo o nosso ser e fazer (criaturas de Deus) tem que estar direcionadas para Ele, que faz chover sobre bons e maus.

Deus que nos amou primeiro, pela sua misericórdia infinita perdoa nossas ofensas a Ele sempre que recorremos ao seu perdão, então isso, nos leva a praticarmos o amor cristão, o amor que é doação e caridade, e por gratidão a Deus, precisamos agir como Jesus nos pede, porque senão, que recompensa teremos se fizermos o bem a quem nos importar?

É sob esse olhar da eternidade que precisamos então nos comportar. Se não perdoamos alguém devemos lembrar que tantas vezes pedimos o perdão de Deus, e o recebemos? Lembre-se da oração do Pai Nosso. Se nos fazem o mal, não clamemos por justiça a Deus, porque Ele virá fazer a justiça, mas não esqueçamos: seremos os primeiros da fila. Portanto peçamos a misericórdia e não a justiça.

Se não amamos alguém, ou ainda como nos diz São Paulo, não nos suportamos mutuamente devemos lembrar que tudo para o católico tem a razão de ser em Deus. É por amor a Deus e para agradá-Lo e servi-Lo que estamos a viver este tempo breve neste vale de lágrimas.

A dificuldade em fazermos aquilo que Deus nos ensina, pede e mostra como se faz pode estar dentro de nós mesmos, de nossa alma, mente ou coração. Façamos pois cotidianamente na presença do Senhor, nosso exame de consciência, sempre nos colocando sob Seu olhar, contando com a intercessão celeste e da Virgem Maria e do seu ensinamento: “Fazei tudo o que Ele vos disser.”


fonte: Jefferson Roger

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