sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

A alegria de "dar"


Atos 20,35 - Em tudo vos tenho mostrado que assim, trabalhando, convém acudir os fracos e lembrar-se das palavras do Senhor Jesus, porquanto ele mesmo disse: É maior felicidade dar que receber!

Ótimo ensinamento bíblico não é mesmo caros leitores! Quem já passou por esta experiência pode sem dúvida alguma comprovar essa veracidade. E falamos aqui por hora, de um dos lados da moeda. O lado do “dar”. Pois o lado do receber nos apresenta algumas vezes um vínculo perigoso com muitos sentimentos e sensações que podem nos fazer enveredar por caminhos não católicos e que desagradam e ofendem nosso criador.

O “receber” está ligado algumas vezes com o egoísmo pois gostamos de receber atenção, gostamos de receber presentes, gostamos de receber o prazer e quando recebemos estas coisas, com intenção de preencher um vazio em nosso coração e alma que não pode ser preenchido por essas realidades, uma vez que nossa alma só tem sede de Deus, erramos o alvo na busca de nossa felicidade pois procuramos a felicidade numa realidade diferente, a realidade do corpo, onde habitam os prazeres. São, portanto, duas realidades diferentes. A felicidade é uma realidade do espírito e o prazer uma realidade do corpo. Errando o alvo assim nessa busca da felicidade através do prazer somos conduzidos ao pecado.

Por isso é sempre importante combater o bom combate com diz São Paulo e não nos afastarmos de Deus por falta de conhecimento, como nos ensina o profeta Oséias. Desta forma saberemos sempre lidar com as diferenças que circulam dentro de nossos corpos, mentes e corações. E com isso conseguiremos sempre bem receber as coisas que não passam, abraça-las e conseguiremos filtrar o que as coisas do mundo nos oferecem utilizando-as para nos servir e não em prol do nosso detrimento espiritual pois, afinal, no fim das coisas, como diz a Beata Madre Teresa de Calcutá, tudo é entre nós e Deus. Tudo está ligado com a nossa salvação eterna.

Foi pensando assim, podemos afirmar com certeza, que Jesus nos ensinou através de seu exemplo e posterior confirmação de seus apóstolos que sempre irá brotar em nós um sentimento maior ao fazermos o bem do que recebermos o bem. As sagradas escrituras estão repletas desse ensinamento e de exemplos. Porém aqui quero colocar muito brevemente alguns dizeres que contam algumas experiências minhas.

Certa vez, estando eu de carro e ao parar num estacionamento perto de um centro comercial, mas em um lugar não muito movimentado, após sair do carro um pedinte veio me abordar. A pessoa estava mal trajada, um pouco suja e era uma pessoa negra. Ele veio em minha direção rapidamente pois temia que eu me afastasse rapidamente em outra direção, ignorando e evitando ele. Eu esperei ele se aproximar ao passo que o rapaz me disse: “Moço, você me arruma um trocado para eu poder comprar alguma coisa para comer?” Não pensei duas vezes, por providência divina, eu que não ando com dinheiro na carteira pois tenho o hábito de usar o cartão bancário, naquele dia tinha uma quantia em dinheiro. Não lembro os valores mas lembro que não se tratava de trocados, era uma boa quantia. Como disse, não pensei duas vezes, abri a carteira e não escolhi nota nenhuma, peguei tudo que tinha e dei para o rapaz. Surpresa minha o jovem, pegou o dinheiro da minha mão, agradeceu e começou a chorar quase que incontrolavelmente. Eu o cumprimentei, desejei-lhe algumas coisas boas e me despedi. Instantaneamente compreendi o que se passava com ele. Certamente a discriminação era uma de suas realidades e a minha acolhida foi um bálsamo para ele. Então quem começou a chorar fui eu. E esta lembrança enquanto escrevo este artigo mais uma vez, me emociona.

Outra vez, em plena sexta-feira, dia costumeiro para mim para a prática do jejum há muito tempo, estava eu retornando da missa do meio dia, horário muito propício em virtude do intervalo do almoço e da proximidade do meu serviço com algumas igrejas aqui na capital do Paraná. Quando uma senhora segurando pela mão uma criança pequena, me abordou e fez um pedido. Queria algum dinheiro par dar de comer para a filha. Eram de fora da cidade e estavam em tratamento em um hospital. De novo, não pensei duas vezes, não pensei se iria me atrasar para o trabalho. Perguntei se ela aceitaria que eu a levasse num restaurante para ela almoçar com a filha. Ela aceitou. Deixei que se servissem, peguei o ticket, paguei pelas refeições e avisei o dono do restaurante quem eram as pessoas que estavam comendo para que não tivessem problema na hora de irem embora. Mais uma vez, recebi o obrigado que veio do fundo do coração e naquele dia eu comecei a pisar nas nuvens, mais uma vez.

Para concluir conto apenas outro pequeno caso. Outro dia de semana ao me dirigir pelas ruas da cidade indo para o escritório de recursos humanos do meu serviço, que fica perto da rodoferroviária aqui de Curitiba, passei por uma senhora que estava a pedir dinheiro na rua. Ela estava parada e não vendia nada, apenas pedia aos que passavam por perto dela. Era uma senhora simples e não parecia ser mendiga. Eu me deparei com a cena enquanto eu ia ao meu destino. Quando eu estava a retornar a mesma senhora ainda estava lá. Como era um calçadão e havia muito movimento, não houve tempo para ela me abordar, pois o fez com outras pessoas. Só que quando passei por ela e já ia me distanciando, algo em mim me fez parar. Voltei e fui conversar com ela. Ela me contou quem era, que não era da cidade, que tinha vindo do interior fazer um tratamento de saúde que acabou por demorar mais que o previsto esgotando seus recursos financeiros. A mulher começou a querer comprovar toda a sua história para mim, mostrar seus documentos, exames e tudo o mais. Com certeza ela pensou que eu podia achar que era um golpe. Mas dentro de mim a certeza divina, mais uma vez providencial me garantia os fatos. Ela queria dinheiro para comprar uma passagem para voltar a sua terra natal. Fui com ela até a rodoviária, no balcão da empresa que atendia para a sua região, ela comprou a passagem para o próximo horário, eu acertei tudo direitinho e esta senhora me agradeceu, me abraçou e se emocionou tanto pois não acreditava no que tinha acontecido. Eu agradeci a ela também, me despedi, pois, estava quase na hora do embarque e segui minha vida. Muito mais feliz do que ela, muito mais feliz mesmo e quem já passou por isso pode afirmar o que nos ensinam os céus:

Existe mais alegria em dar do que em receber. Os céus se alegram com a caridade pelo irmão na gratuidade. Jesus nos ensinou para fazermos o bem sem esperarmos nada em troca. Como é bom crer nisso, praticar e colher os frutos já aqui na terra de que, como disse nosso salvador:

“Nem um copo de água que for dado ficará sem recompensa”. Façamos tudo ao próximo por amor a Deus.


fonte: Jefferson Roger

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