sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Igrejas Católicas de Rito Oriental


É UM TRISTE FATO que a maioria dos católicos jamais tenha ouvido falar dos católicos de Rito Oriental e, comumente, acabam confundindo a Igreja Latina, com suas tradições e disciplinas próprias, com a própria Igreja Católica.

O cristianismo, no decorrer de sua história, apesar de procurar manter um núcleo de fé essencial, foi vivido e expressado de diferentes maneiras, dando origem assim a tradições variadas dentro da grande Tradição apostólica. Isto nos ajuda a compreender porque desde o início da Igreja foi se estabelecendo uma maneira oriental e outra ocidental de se viver o Evangelho. Chegou um tempo em que infelizmente esta unidade na diversidade foi quebrada, e aí vieram, por vários motivos, os cismas e divisões. No catolicismo há essa confusão de se achar que ser católico é ser latino. Muitos não conseguem entender que é possível ser plenamente católico e não ser latino.

Assim, para muitos católicos de rito latino, cujos números mais recentes indicam corresponderem à esmagadora maioria (em quase 1 bilhão de católicos, apenas pouco mais de 10 milhões pertencem aos ritos orientais), há um verdadeiro desconhecimento da tradição oriental da Igreja.

Contudo, a Igreja Católica vem estimulando o conhecimento e a valorização da tradição oriental, mostrando que o Corpo de Cristo na realidade possui dois pulmões e que deve procurar respirar com os dois, como gostava de afirmar o Papa São João Paulo II.

Um católico de rito oriental, desta maneira, é plenamente católico, assim como o católico de rito latino, sendo o ponto de unidade, além do Cristo e seu Evangelho, a figura do Sumo Pontífice enquanto sucessor de Pedro. A diferença é que as Igrejas Orientais Católicas (que estão em plena comunhão com Roma), têm suas tradições e cânones próprios, os quais foram promulgados pelo Papa João Paulo II em outubro de 1990. Assim, na tradição oriental, por exemplo, o pão usado na divina Liturgia é o pão com fermento, a Comunhão sempre vai ser com as duas espécies; o homem casado pode ser ordenado sacerdote; as crianças ao serem batizadas também são crismadas; a Liturgia e a própria Teologia também têm suas peculiaridades.

No Vaticano existe a Sagrada Congregação para as Igrejas Orientais, cuja finalidade é acompanhar a realidade do cristianismo oriental em comunhão com Roma. Ainda assim, muitos entendem que o pluralismo dentro da Igreja pode gerar confusão e até levar ao relativismo religioso, o que não é verdade. Na realidade, este medo é fruto de uma falsa compreensão do cristianismo e de uma confusão conceitual na qual não se percebe que há uma grande diferença entre unidade e uniformidade.

Os católicos orientais também são chamados pelos irmãos ortodoxos, com sentido pejorativo, de uniatas, pois se uniram a Roma como se tivessem traído suas origens orientais. A situação do católico oriental, como vemos, é difícil, pois nós, católicos latinos, não os vemos como católicos, e seus irmãos orientais acham que eles se latinizaram e deixaram de ser orientais. Esta situação mostra, talvez, o desafio maior do católico oriental: mostrar que ser católico não significa necessariamente ser latino e que ser oriental e ortodoxo na disciplina não significa romper com o Bispo de Roma.

Quais são as igrejas católicas orientais



Igreja Copta Católica; Igreja Etíope Católica; Igreja Maronita; Igreja Síria Católica; Igreja Siro-Malancar Católica; Igreja Greco-Melquita Católica; Igreja Grega Católica; Igreja Ítalo-Albanesa Católica; Igreja Ucrâniana Católica; Igreja Búlgara Católica; Igreja Eslovaca Católica; Igreja Húngara Católica; Igreja Iugoslava Católica; Igreja Romena Católica; Igreja Rutena Católica; Igreja (Comunidade) Bielo-russa Católica; Igreja (Comunidade) Russa Católica; Igreja (Comunidade) Albanesa Católica; Igreja Armênia Católica; Igreja Caldeana Católica; Igreja Siríaca Malabar Católica.


E quanto aos diversos títulos, estes estão relacionados à localização geográfica, mas nesses casos específicos eles são necessários, também e principalmente, devido às diferenças expostas, – algumas relevantes, – entre os ritos e nos usos e costumes latinos e orientais.

Por isso se acresce ao título "católica" o termo que serve para designar não só localização como também todo um conjunto de tradições (com 't' minúsculo) que lhes confere certas particularidades, ainda que permaneçam nossos irmãos católicos, membros do mesmo Corpo de Cristo que é a Igreja.

Esclarecendo um pouco mais: somos católicos de rito latino, e existem católicos de rito oriental. É isto. Assim, não estamos falando de semelhanças e "similaridades", como se diz: não são igrejas distintas que têm pontos em comum, mas sim a mesma Igreja que abriga comunidades, por assim dizer, de ritos diversos.

No rito maronita, por exemplo, na santa Missa as palavras da Consagração são ditas em Siro-aramaico. São diferenças, como explicado, de tradições, isto é, nos usos e costumes litúrgicos, nas fórmulas de oração e em certos detalhes, que a Igreja admite. Podemos dizer que esta é a autêntica inculturação que a Igreja aceita e até estimula para o bem das almas.

Mas isso, no entanto, absolutamente nada tem a ver com "a pluralidade" das igrejas protestantes. Ora, todos os membros da Igreja Católica, sejam aqueles que integram comunidades do rito latino ou oriental, creem exatamente nas mesmas coisas, observam o mesmo Catecismo, obedecem ao mesmo Sumo Pontífice, têm e professam exatamente a mesmíssima Doutrina.

Já entre as comunidades protestantes / "evangélicas" encontramos uma tremenda babel de doutrinas, divergentes entre si até nos seus princípios mais essenciais.

Algumas destas "igrejas" pregam, por exemplo, a dita “teologia” da prosperidade, enquanto outras a consideram uma heresia demoníaca; umas aceitam o divórcio, outras não, em nenhuma hipótese; umas aceitam e praticam o batismo infantil, outras não; algumas guardam o sábado, outras guardam o domingo, e outras não guardam dia nenhum; existem igrejas que praticam a chamada “santa ceia”, e outras que simplesmente não praticam; umas não aceitam mulheres como “pastoras”, enquanto que outras não só as aceitam como as elegem “bispas”; umas pregam que o Batismo é condição necessária para a salvação, outras dizem que não é, etc, etc, etc...

Fica realmente muito claro, então, que no caso das denominações protestantes não são diferenças de costumes secundários, mas questões fundamentais, – que incorrem na própria salvação ou perdição das almas, – que as dividem.

Segundo dados oficiais, existem dezenas de milhares(!) de seitas ditas "igrejas evangélicas” diferentes no mundo, sendo que cada uma delas prega algo diferente, algumas chegando a extremos como aceitar e praticar o "casamento gay" e promover o aborto (caso da seita do empresário Edir Macedo).

Assim, por todo o exposto e muito mais, não existe a menor possibilidade de se comparar essa diversidade na Igreja de Cristo e a confusão protestante. São realidades absolutamente diversas.

E para concluir, vamos jogar um pouco mais de luz sobre o assunto, falando um pouco da questão do celibato dos sacerdotes. O que diz a Santa Tradição da Igreja de Jesus Cristo, através do seu Catecismo (CIC) a este delicado assunto?

Igrejas orientais e celibato:

“Nas Igrejas orientais, está em vigor, há séculos, uma disciplina diferente: enquanto os Bispos só são escolhidos entre os celibatários, homens casados podem ser ordenados diáconos e padres. Esta praxe é considerada legítima há muito tempo; esses padres exercem um ministério muito útil no seio de suas comunidades. O celibato dos presbíteros, por outro lado, é muito honrado nas Igrejas orientais, e são numerosos os que o escolhem livremente, por causa do Reino de Deus. No Oriente como no Ocidente, aquele que recebeu o sacramento da Ordem não pode mais casar-se”. (§1580)

Igreja latina e celibato presbiteral:

“Todos os ministros ordenados da Igreja latina, com exceção dos diáconos permanentes, normalmente são escolhidos entre os homens fiéis que vivem como celibatários e querem guardar o celibato "por causa do Reino dos Céus" (Mt 19,12). Chamados a consagrar-se com indiviso coração ao Senhor e a "cuidar das coisas do Senhor", entregam-se inteiramente a Deus e aos homens. O celibato é um sinal desta nova vida a serviço da qual o ministro da Igreja é consagrado; aceito com coração alegre, ele anuncia de modo radiante o Reino de Deus”. (§1579)

“Na Igreja latina, o sacramento da Ordem para o presbiterado normalmente é conferido apenas a candidatos que estão prontos a abraçar livremente o celibato e manifestam publicamente sua vontade de guardá-lo por amor do Reino de Deus e do serviço aos homens”.( §1599)


fonte: ofielcatolico

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