terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Conviver com o perigo


Livro do Eclesiástico 3,27 – Quem ama o perigo nele perecerá. Leitores do blog, que verdade bem incisiva não é mesmo. Quantos e quantos testemunhos e exemplos de acontecimentos na vida demonstram que manter relações e uma proximidade com o tal do perigo sempre irá nos levar a resultados desastrosos. Não é possível colocar o dedo na chama de uma vela por um minuto e esperar que não aconteça nada. Não é possível andar descalço sobre cacos de vidro e esperar que não aconteça nada. Sabemos que iremos nos ferir, que iremos nos machucar e, portanto, não fazemos, afinal, existe o perigo de nos queimarmos e o perigo de nos cortarmos.

Sendo assim, procuramos não nos colocarmos em situações que possam nos prejudicar de alguma maneira. Mecanismos presentes em nosso intelecto nos ajudam a compreender e discernir o bom e o ruim e desta forma escolhermos nos afastar da possibilidade do perigo pois sabemos que ele pode nos trazer o mal, sob várias formas e aspectos.

Ora, por que então, que relacionado com o campo espiritual de nossa religiosidade e falo aqui para aqueles que tem fé, não importando o tamanho dela, não agimos com a mesma prudência? Por que não passamos longe de tudo aquilo que nos levará ao pecado e a ofender a Deus e até, pelo contrário, buscamos algumas vezes esses erros de comportamento, que são desregrados? Já parou para pensar? Na bíblia o apóstolo São Paulo também reflete sobre a mesma questão. Ele diz que aprova o bem mas pratica o mal que não aprova. Triste realidade que se encontra nossa miséria humana. Quanta fraqueza e escravidão nos envolve e nos mantém afastado das coisas de Deus.

Claro que tem o dedo do demônio aí, mas não vamos deixar a culpa toda sobre ele. Nós pecadores facilitamos e rejeitamos o auxílio divino para muitas coisas. Como na história de Pelágio, achamos que por força própria conseguiremos combater o mal. Como estamos enganados. Jesus afirma isso nos evangelhos. E mesmo assim insistimos nesse romance com o pecado, fazendo de tudo para cultivá-lo em nossa vida.

Vamos recordar, Jesus nos ensinou que as recaídas são piores que a primeira queda. É preciso muito mais força e mais graças para sairmos da escravidão de satanás. Vamos em cada recaída nos acostumando com o pecado, perdendo forças na batalha e através do desânimo vamos admitindo nossa derrota. Ou então fazemos como o viciado no tabagismo que diz: “quando eu quiser eu paro”. E essa tola autoafirmação só serve para colocar uma máscara ridícula que mais ainda escandaliza a dignidade humana. Essa falta de humildade abafada por um orgulho que já não é mais sadio se encarrega de manter unidos pecador e pecado, num romance próspero e frutífero onde nosso inimigo cruel já nem trabalho tem mais.

Nos aproximamos tanto deste cão acorrentado que suas mordidas e investidas nos ferem mortalmente deixando cicatrizes que volta e meia voltam a sangrar. O aviso é dado e é muito claro. E sabemos muito bem disso. Então é preciso agir como Jesus nos ensina em Mateus 11,12. Precisamos fazer violência contra o pecado, contra nossa natureza concupiscente, contra nossa má inclinação e nossas fraquezas. Pois enquanto passa o tempo, nossa fraqueza aumenta e nossa dívida para com Deus vai aumentando ao ponto de, por nossa própria culpa, não sermos mais capazes de quitá-la, caso nosso romance com o perigo se mantenha.

Perecer significa deixar de viver, morrer, ter fim, acabar-se, extinguir-se. Não resta dúvida, quem convive com o perigo vai passar pela segunda morte. É o que aqui está sendo ensinado já que a primeira morte é destinada a todos como nos recorda nas cartas paulinas quando se diz que somos destinados a morrer uma vez. A segunda morte, retratada no livro do Apocalipse, é a morte da alma. Para lá, para a segunda morte, salário do pecado, nos conduz o perigo, tão sutilmente enfeitado pelo diabo. Não nos esqueçamos de que o diabo está a fazer de tudo para que nossa entrada seja proibida nos céus. Ele nos odeia e como não pode fazer mal a igreja triunfante e a igreja padecente, ataca ferozmente os membros da igreja peregrina e militante. E o que dizer daqueles que não acreditam em Deus? O diabo vai nos arrebanhando e mostrando o seu ponto de vista perante Deus e sua lei. Com isso ele quer que façamos uma adesão pela sua causa, nos juntemos ao grupo dos que o seguem e sabemos bem que ele tem ganhado muitos adeptos neste mundo. Muitos voluntariamente e tantos outros enganados pelas suas artimanhas.

Rezemos, pois, por todas essas pessoas. Pelas que se afastaram de Deus, pelas que nem acreditam Nele, pelas pessoas que se decidiram pela catequese do mundo e pelo mal, pelas pessoas que escolheram essa felicidade disfarçada que o mundo prega, tão enraizada nos bens materiais e nos prazeres corporais, enfim; rezemos por todos os pobres pecadores. Essa vontade é de Deus, pois Jesus afirmou que Ele, Deus, não quer que ninguém confiado ao Filho se perca, mas que tenha a vida eterna. Vida eterna que já está conquistada na cruz, basta apenas escolhermos onde queremos passa-la: na glória eterna dos céus ou na escuridão eterna do fogo do inferno.


fonte: Jefferson Roger

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