quarta-feira, 2 de março de 2016

A obrigação do uso da batina

A realidade é esta: muitos sacerdotes usam o colarinho romano (ou o clergyman), enquanto outros se vestem como pessoas comuns. A norma é esta: "o hábito eclesiástico é obrigatório em circunstâncias normais".

Será que esta norma – reafirmada nos últimos anos – está distante da realidade e se tornou, para alguns, uma lei sem sentido? Não há dúvida de que esta é uma questão controversa, mas será que se trata de uma mera formalidade ou é uma questão essencial? Até que ponto isso é importante?

O colarinho facilita que as pessoas identifiquem aquele que o usa como representante de Deus. Seu sentido é mostrar a consagração e a identidade da pessoa que desempenha um ministério público. Um pároco de Barcelona, Pe. Jaume González, explica em entrevista os motivos pelos quais ele usa a batina e o colarinho romano: “Em primeiro lugar, por uma razão disciplinar, porque a disciplina eclesiástica diz que devo usar”, afirma.

“Em segundo lugar – continua – por que é preciso usar o hábito sacerdotal? A Igreja não pede isso por um capricho abusivo, mas porque é um sinal da consagração; quando um padre sai na rua, ele está pregando sem abrir a boca; está dizendo: sou um padre, um discípulo de Jesus Cristo. E também há outro motivo, de cunho pessoal ou psicológico: quando a pessoa se veste de sacerdote, lembra o que ela é; sua vida sempre remete as pessoas a Jesus Cristo”, acrescenta.

“Eu uso o colarinho romano nas celebrações importantes, quando vou a Roma; uso segundo as circunstâncias, mas no dia a dia me sinto "artificial" com ele, especialmente na minha cidade, onde todo mundo me conhece tão bem”, opina outro sacerdote, o Pe. Xavier Parés. “Isso depende de cada "estilo", e também cada padre vai "mudando sua maneira de pensar"; a norma geral existe, mas foi-se aceitando outras maneiras e a prática acabou se impondo”, acrescenta. (triste comentário deste padre que nega a oportunidade de dar testemunho do seu ministério em favor da igreja de Cristo, desobedecendo diretamente a norma por motivos ou convicções pessoais)

Vestido com uma simples camisa e um jeans escuro, outro padre que prefere não se identificar reconhece: “O hábito não faz o monge… mas ajuda; vamos diluindo a presença de Deus na sociedade, e talvez eu me inclua nisso – confessa. Será que não deveríamos mostrar esses sinais que ajudam a pensar em Deus?”. Após o Concílio Vaticano II, muitos sacerdotes optaram por afastar distintivos que consideraram antiquados, e começaram a se vestir como qualquer outra pessoa, às vezes por comodidade, outras por ideologia. (mais um padre que se acovarda e nem quer se identificar; não precisa pois Jesus sabe quem ele é)

Segundo o Pe. Xavier, “os padres têm liberdade e os bispos os respeitam, porque não é algo substancial; por outro lado, certamente alguns não cumpririam a norma”. (e vemos aqui mais uma atitude de tampar o sol com a peneira e todo mundo vai caminhando de mãozinhas dadas com suas desobediências estampadas na testa)

Ainda que os concílios sempre tenham falado de vestir-se com simplicidade e decência, mais que usar um tipo de vestimenta particular, o Magistério da Igreja oferece razões profundas sobre o significado teológico do especialmente sagrado, e o direito canônico estabelece a obrigação de usar o traje eclesiástico.

“Os clérigos "devem" vestir um traje eclesiástico digno, segundo as normas dadas pela conferência episcopal e os costumes legítimos do lugar”, indica o artigo 284 do Código de Direito Canônico. E o Catecismo da Igreja Católica comenta (n. 1563 e 1582) que a roupa específica do sacerdote é o sinal exterior de uma realidade interior: o padre já não pertence a si mesmo, mas é “propriedade” de Deus.

A normativa mais recente a respeito disso, de 2013, é a nova edição do Diretório para o ministério e a vida dos presbíteros, da Congregação para o Clero, que destaca a importância e obrigatoriedade do traje eclesiástico. Em seu ponto 61, prescreve que “o presbítero deve ser reconhecível sobretudo pelo seu comportamento, mas também pela forma de se vestir”, e explica que o hábito clerical lhe recorda que “é sacerdote sempre e em todo momento”, servindo-lhe como “proteção da pobreza e da castidade”. Este diretório prevê que os sacerdotes usem batina ou colarinho romano (um traje diferente do dos leigos e conforme a dignidade e sacralidade do seu ministério) e também que cada conferência episcopal estabeleça sua forma e cor. E adverte que “as práticas contrárias não podem ser consideradas costumes legítimos e devem ser removidas pela autoridade competente”. Neste sentido, em 1995, quando um bispo brasileiro perguntou ao Vaticano se esta norma era de cumprimento obrigatório ou meramente exortativa, o Conselho Pontifício para os Textos Legislativos respondeu que sim, porque é um decreto geral executório.

Ao mesmo tempo, o diretório indica que, para esta norma, é preciso excetuar as situações totalmente excepcionais, entre as quais alguns canonistas enumeram o risco de morte, a perseguição religiosa e a Igreja no exílio ou perseguida.

Para o Pe. Jaume González, a importância de usar o colarinho romano foi uma descoberta: ele foi ordenado de terno e gravata e no início se vestia à paisana. “No seminário, não me mostraram a bondade disciplinar e pastoral do uso do colarinho romano, e eu não tinha consciência de que era uma obrigação. (percebam aqui o erro sendo implantado já nos seminários pelo seguidores de satanás) É preciso formar as pessoas e motivá-las para que o usem”, opina. O sacerdote considera muito positiva a experiência de vestir-se com o traje eclesiástico. “Com ele, você encontra pessoas que pedem para ser ouvidas, para confessar-se em um canto da cidade, e até outras que perguntam coisas práticas ou agradecem pelo sacerdócio”, explica. Assim, ele recorda uma história de São Francisco de Assis e seu companheiro Frei Leão, ocorrida em um dia em que saíram para pregar nos povoados: passaram de cidade em cidade sem abrir a boca e, ao anoitecer, Frei Leão perguntou a Francisco: “Como é que pregamos hoje?”. E São Francisco respondeu: “Parece-lhe pouco o que pregamos? As pessoas viram nossos hábitos da santa pobreza!”.

E encerro este artigo com uma pequena questão caro leitor. Você, que é católico, temente a Deus, muito provavelmente, quer testemunhar no mundo sua experiência de Deus de forma fiel e esclarecedora. Então, se assim for, você se veste de forma decente, se comporta de forma decente, usa objetos de devoção e religiosos para mostrar ao mundo, que você, cidadão do céu, membro da igreja de Cristo, foi ungido na fronte e é propriedade de Deus, selado pelo Espírito Santo. Quem te vê caminhando na rua, reconhece de imediato que você é uma pessoa católica. Eu faço assim, ando por toda a parte com minha medalha de Nossa Senhora das Lágrimas a mostra no pescoço ou então com um crucifixo fixado na roupa na altura do coração; com meu rosário na mão, ou então com um livro católico, ou o catecismo, enfim, quem me vê na rua, vai me identificar pela minha forma de andar, agir, falar e pelo que uso. E um padre? Como é que você irá reconhecer um padre fora da celebração da santa missa?


fonte: aleteia.org e Jefferson Roger

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