segunda-feira, 21 de março de 2016

Domingo de Ramos

1ª Cor 15,14 - Se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé. Eis aí caros leitores, resumido em um único versículo o centro de nosso Cristianismo. Jesus passou pela sua paixão pré-anunciada pelos profetas e confirmada por ele para nos resgatar da dívida impagável. Não perdendo sua natureza divina, assumiu nossa condição humana porém, isento de pecado. Em toda a história da humanidade, o acontecimento de sua ressureição é um marco histórico, sem precedentes como nunca houve e nunca haverá.

E desde ontem, neste ano no dia 20 de março, os católicos “entram” na comemoração da semana santa, revivendo os últimos momentos daquele que aceitou sofrer por nós para nos salvar. Pensemos bem, muitos de nós nem sequer cogitamos algum sofrimento voluntário em nossas vidas ou quando recebemos de Deus alguma provação corremos logo pedir libertação. Quantos de nós pedem a graça de suportar por amor a Deus tudo pelo que passamos? Pouquíssimos. Fogem das dores e dos sofrimentos enquanto condição espiritual.

Esquecem que a subida para o paraíso precisa ser trilhada com a cruz nas costas. Além de ser uma condição desejada e criada pelo Pai e assumida por Jesus, é um verdadeiro privilégio poder no mínimo passar pelas adversidades desta pequena vida, glorificando a Deus com ela. Muitos, porém, se debatem frente esta realidade e seu esforço em seguir Jesus só vai até o domingo de ramos, quando Jesus adentra montado no jumentinho para viver os últimos acontecimentos de sua passagem pela terra.

Dali em diante, seguir Jesus não é tarefa fácil. Façamos as contas. Eram 12 apóstolos, os mais próximos de Jesus e sua Mãe, a Virgem Santíssima. No entanto por causa de sua natureza maculada e concupiscente sabemos muito bem que somente o apóstolo João, as mulheres piedosas e Maria Santíssima permaneceram aos pés da cruz. Enquanto a morte era vencida e brotava na cruz de Cristo o primeiro e o maior dos sacramentos, a aparente derrota cobria de medo os discípulos de Jesus, que foram ter com ele apenas mais tarde, antes de sua ascensão.

Que nos sirvam de exemplo as escolhas que Jesus fez de seus discípulos para nos mostrar que ele conhece os corações e está sempre perto de nós. Se gritarmos Hosana a ele nas horas boas de nossas vidas e depois gritarmos crucifica-o nos momentos difíceis, estaremos sempre numa atitude de ingratidão, egoísmo e covardia. Estaremos seguindo Jesus só até o domingo de ramos, dali para frente, quando o amor exigente de Jesus nos propõe um passo a mais, iremos esbarrar em nossa falta de fé, nos encolhermos na miséria de nossos corações e fugirmos do martírio diário que todo o cristão é convidado a seguir. Todos os dias somos chamados pelo batismo e nossa confirmação, como católicos, membros do corpo de Cristo, unidos pelo Espírito Santo para sermos um com o Filho e o Pai, a sermos sal da terra e luz do mundo. Indo e pregando o evangelho, por palavras e atitudes.

Agitar os ramos dentro da celebração da missa é muito fácil. Receber a aspersão da água benta e leva-los para casa não requer esforço, pensam tantos. Para estes disse Jesus nos evangelhos: “Não vos enganeis”.

Não é possível seguir Jesus pela metade, ou parar pelo caminho. Ou fazemos o caminho todo, seguindo o seu exemplo ou nos revoltamos, nos rebelamos e nos tornamos desobedientes a vontade do Pai, como fazem os que seguem nosso inimigo cruel.


fonte: Jefferson Roger

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