segunda-feira, 2 de maio de 2016

Pode ou não pode?

Lucas 14,26-27,33: 26 Se alguém vem a mim e não odeia seu pai, sua mãe, sua mulher, seus filhos, seus irmãos, suas irmãs e até a sua própria vida, NÃO PODE ser meu discípulo. 27 E quem não carrega a sua cruz e me segue, NÃO PODE ser meu discípulo. 33 Assim, pois, qualquer um de vós que não renuncia a tudo o que possui NÃO PODE ser meu discípulo.

De tempos em tempos esbarramos no debate a respeito de se pregar normas, leis e regulamentos tendo em vista, entre os reunidos, de que Jesus, que é amor e misericórdia está acima dos nossos pecados. Deus, não está obcecado anotando nossas falhas para depois nos cobrar pois ele está interessado naquilo que fazemos de bom muito mais do que fazemos de ruim. E os defensores deste ponto de vista afirmam que nossa religião católica não deve ser uma religião do “pode” e “não pode”.

Mas isso não alinha com os evangelhos e com os ensinamentos do mestre. No pequeno trecho acima que separei podemos ver uma “pitada” da consideração que Jesus tem sobre aquilo que ele ensina. Nos três versículos deste evangelho vemos Jesus dizendo que NÃO PODE isso ou aquilo. E suas afirmações são bem claras. Vamos relembrar alguns significados para a expressão odiar encontrada nestas passagens. Odiar - sentir aversão por (algo, alguém, a si próprio ou um ao outro); detestar(-se), abominar(-se). Percebam que é muito esclarecedora a explicação porque podemos assim compreender que Jesus, no versículo 26, nos ensina que se o procurarmos sem que para nós ele esteja em primeiro lugar em nossas vidas não podemos ser seus discípulos. E ele enfatiza usando a expressão odiar para que fique bem destacado a diferença que deve existir entre os sentimentos que temos em relação as pessoas e coisas e Jesus.

No versículo seguinte ele reitera afirmando que não podemos ser seus discípulos se não o seguir com nossa cruz. E ele conclui seu discurso deste trecho mais uma vez dizendo que se não renunciarmos a tudo não podemos ser seus discípulos. Pois bem, Jesus ensina muito bem e abertamente o que pode e o que não pode para que sejamos dignos de ser seus discípulos.

E isso é tão verdade na realidade histórica de nossa religião católica e na história da humanidade, que a natureza humana imita a natureza divina. Vejamos um exemplo. Os pais no processo de educação dos filhos além de ensinar os valores familiares, éticos e morais, o respeito e a boa educação pautada em valores que não denigrem a natureza do homem, também transmitem aos seus filhos, dentro do contexto disciplinar desta educação, normas, regras e regulamentos que regem todo o proceder da pessoa enquanto pela sua passagem nesta sociedade, como cidadão e filho de Deus. E aprendemos com quem a agir assim? Com Deus!

Jesus nos ensina nos evangelhos a não agirmos pela metade. “É preciso fazer estas coisas sem deixar aquelas de lado”. “O morno eu vomito”, diz Jesus no Apocalipse. Morno é nem quente e nem frio. É meio a meio. E ele nos ensinou que isso ele abomina. Católico quer dizer universal, como um todo. Não vamos cair na tentação de ficarmos escolhendo só a melhor parte, como fazem outras denominações religiosas. O católico autêntico precisa acreditar no todo, viver o todo. Seguir o exemplo e imitar Jesus. E o seu seguir e imitar exige de nós, através do seu amor na cruz, aquilo que o apóstolo Paulo nos recorda em suas cartas: Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém. O cristão precisa usar o livre arbítrio que recebeu para compreender, enxergar e decidir que: existe o que pode, mas também existe o que não pode.


fonte: Jefferson Roger

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