quarta-feira, 29 de junho de 2016

Santo de casa não faz milagre

Marcos 6,1-6 - Depois, ele partiu dali e foi para a sua pátria, seguido de seus discípulos. Quando chegou o dia de sábado, começou a ensinar na sinagoga. Muitos o ouviam e, tomados de admiração, diziam: Donde lhe vem isso? Que sabedoria é essa que lhe foi dada, e como se operam por suas mãos tão grandes milagres? Não é ele o carpinteiro, o filho de Maria, o irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? Não vivem aqui entre nós também suas irmãs? E ficaram perplexos a seu respeito. Mas Jesus disse-lhes: Um profeta só é desprezado na sua pátria, entre os seus parentes e na sua própria casa. Não pôde fazer ali milagre algum. Curou apenas alguns poucos enfermos, impondo-lhes as mãos. Admirava-se ele da desconfiança deles. E ensinando, percorria as aldeias circunvizinhas.

João 1,43-46 - No dia seguinte, tinha Jesus a intenção de dirigir-se à Galiléia. Encontra Filipe e diz-lhe: Segue-me. (Filipe era natural de Betsaida, cidade de André e Pedro.) Filipe encontra Natanael e diz-lhe: Achamos aquele de quem Moisés escreveu na lei e que os profetas anunciaram: é Jesus de Nazaré, filho de José. Respondeu-lhe Natanael: Pode, porventura, vir coisa boa de Nazaré? Filipe retrucou: Vem e vê.

Pois bem caros leitores, como vemos nestes pequenos trechos bíblicos o dito popular, que é de origem portuguesa reflete uma realidade explicada com pesar por Jesus. As explicações formais dizem que, as vezes o que se faz fora de casa é mais eficiente do que quando se tenta fazer no próprio ambiente familiar. Vejamos um exemplo: "Ele é excelente professor, mas não consegue ensinar ao filho, santo de casa não faz milagre."

No entanto é bastante salutar sempre tomarmos cuidado e não cairmos na tentação de “alargarmos o conceito das coisas para forçar uma situação pois, saibamos todos, sempre é possível faze-lo. Sempre é possível justificar atitudes, falas, comportamentos ou o que quer que seja alterando contextos ou colocando sobre o pedestal aquilo que defendemos a todo custo: a nossa verdade ou seriam as nossas desculpas? Depende do olhar que lançamos à questão.

Em tantas atividades da vida muitos dizem que ele ou ela não me dá ouvidos, mas escuta e atende prontamente alguém de menor convívio. Ahh, se vier alguém de fora, eles irão ouvir. É melhor contratar alguém de fora porque se um parente fizer isso depois fica complicado se der algo errado, de cobrar uma solução. Enfim, podemos ficar por horas elencando exemplos que bem exemplificam o uso da expressão. O que ocorre, no entanto, é que o ensinamento bíblico que Jesus nos apresenta passa por cima dessa pouca credulidade pelo que é próprio, pelo que é de casa, pelo que não é de fora. E não poderia ser diferente, do contrário, filhos não dariam ouvidos aos pais, amigos não ouviriam seus amigos, esposas não ouviriam seus maridos e vice-versa e tantos outros exemplos, que também ilustram que o dito tem refutação.

Como ficam as coisas? Sigamos o exemplo de Jesus. Ele, apesar da descrença do povo fez o que? Ficou triste, colocou o rabinho entre as pernas e saiu cabisbaixo? Coisíssima nenhuma! Vemos no relato que, embora não fez milagres aos “descrentes”, embora o texto conte no início que fez milagres no local, o que confirma o dito, curou algumas pessoas e continuou sua missão de pregar o evangelho nas redondezas. E notem, no início da passagem lemos que Jesus ensinava em sua pátria e não se diz que Ele deixou de ensinar por causa da desconfiança do povo, muito pelo contrário. O trecho bíblico quer nos mostrar que as pessoas olham e não veem, escutam e não ouvem, outra passagem bíblica que o próprio Jesus nos ensina. E com isso, aprendemos que nossa parte devemos fazer, pois como diz Madre Teresa de Calcutá, no final das contas tudo é entre nós e Deus e nunca entre nós e o outro. Lembram? “Foi a mim que o fizestes”. Aos outros, aos que fazemos, ou enxergam a mão de Deus nos fazendo por instrumentos ou mais tarde, irão lamentar por estarem comendo comida de porcos enquanto os empregados do pai estão em melhor situação.


fonte: Jefferson Roger

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