terça-feira, 5 de julho de 2016

Não há nada de estranho nas provações que sofremos


A conhecida poesia de Santa Teresa d'Ávila encerra um ensinamento importantíssimo sobre Deus e nossos sofrimentos. Exorta a estrofe: " Nada te turbe / nada te espante; / tudo passa. Deus não muda; / a paciência obtém tudo; / quem possui Deus / nada lhe falta / só Deus basta".

Teresa d'Ávila sintetizou nesse pequeno trecho todo o segredo do agir cristão diante das contrariedades. Quem se reconhece amado por Deus, sabe também lidar pacientemente com as provações. E a fonte dessa paciência é nada mais que a virtude da esperança. A figura deste mundo passa, mas a promessa de Deus é uma rocha inabalável. Não há nada de estranho no "fogo da provação" que se alastra entre nós, diz São Pedro; trata-se, antes, de motivo de júbilo: "Alegrai-vos por participar dos sofrimentos de Cristo, para que possais também exultar de alegria na revelação da sua glória" (1 Pd 4, 12-13).

Essa certeza da salvação, assegurada pela esperança na providência divina, ajuda-nos a compreender outro ponto precioso do Cristianismo: os sofrimentos da Igreja. Como já se disse anteriormente, a Igreja também é chamada a viver a Paixão de Cristo. Não existe Cristianismo sem Cruz. Uma comunidade cristã sem Cruz é uma comunidade muito distante das páginas do Evangelho. É uma aberração!

O verdadeiro cristão é aquele que segue o caminho do Calvário, que se põe aos pés de Deus não mais para falar "sempre de si" ou "de suas mesquinhas preocupações", mas para "interessar-se pelas preocupações do Salvador". De fato, não sabemos a razão da existência do mal. Por que Deus, Todo-Poderoso, permite que seus filhos sofram? Por que não abrevia, com Sua misericórdia, as fadigas desta vida, levando-nos logo para a morada eterna? Isso sempre será um mistério. O que podemos dizer, acompanhados pelo Catecismo da Igreja, é que Deus, "em sua providência toda-poderosa, pode extrair um bem de um mal, mesmo moral, causado por suas criaturas". E a Cruz é a maior prova disso. Deus manifesta sua grandeza na Redenção.


fonte: padrepauloricardo.org/blog

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