sexta-feira, 1 de julho de 2016

O silêncio interior, atitude de escuta

Todas as nossas atividades como cristãos consistem em concordar e cooperar com Cristo, a fim de que possamos ser conformados com Ele, a fim de que os nossos pensamentos, sentimentos, disposições, aspirações, sejam os mesmos que os de Jesus (cf. Fl 2, 5; Rm 8, 29). De maneira especial, isso se aplica também à Sua reverência filial para com a Sua Mãe Maria, que para Ele é o que há de mais caro em toda a criação. Podemos adentrar com a imaginação na inefável intimidade do Menino Jesus com Maria, quando ela o carregava em seu ventre. É um grande mistério essa primeira intimidade de Jesus e Maria durante esses nove meses de gestação: união sem palavras, em grande silêncio. O silêncio implica, sobretudo, a concentrar-se na escuta.

Cada santo, descobrindo a presença de Deus no interior da própria alma, apreciava cada vez mais o valor do silêncio. Irmã Faustina escreveu em seu Diário: “O silêncio é como a espada na luta espiritual; a alma tagarela nunca atingirá a santidade. (...) A alma silenciosa é forte; nenhuma adversidade a prejudicará, se perseverar no silêncio. A alma recolhida é capaz da mais profunda união com Deus, ela vive quase sempre sob a inspiração do Espírito Santo. Deus opera sem obstáculo na alma silenciosa” (Diário, 477). Aqui não se trata apenas do silêncio exterior, mas do silêncio do coração.

Após o nascimento de Jesus, o silêncio de Maria não foi interrompido. Houve novas oportunidades para se comunicar, olhar, tocar, sorrir... Mas tudo era envolvido no silêncio e na escuta contínua. Necessitamos novamente aprender a estar em comunhão com Jesus no silêncio! Por isso, em determinados momentos nos quais estamos em casa, precisamos aprender a desligar o rádio, a televisão e tudo o que perturba o silêncio. Então, nossa casa, com a atmosfera da casa da Sagrada Família de Nazaré, pode ser uma escola na qual aprendemos a silenciosa relação com Jesus por meio de Maria, “que se dedicou com grande assiduidade à contemplação do rosto de Cristo, seu Filho. O olhar de Maria é penetrante, capaz de ler no íntimo de Jesus, a ponto de perceber os seus sentimentos escondidos e adivinhar suas decisões” (João Paulo II, discurso, 1 de março de 2003)

Nessa escola também nos ensina São José. O silêncio de São José foi por São João Paulo II enfatizado com eloquência especial na exortação apostólica Redemptoris Custos que a Ele dedicou. Lemos no número 17 dessa exortação: “Esse silêncio de José tem uma especial eloquência: graças a tal atitude, pode captar-se perfeitamente a verdade contida no juízo que dele nos dá o Evangelho: o ‘justo’ (Mt 1, 19)”.


fonte: Santuário da Divina Misericórdia

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