terça-feira, 5 de julho de 2016

Tempo x Vício

Livro dos Provérbios 4,12 - a fascinação do vício atira um véu sobre a beleza moral, e o movimento das paixões mina uma alma ingênua.

Com este versículo das sagradas escrituras iremos refletir um pouco sobre a questão dos vícios com uma abordagem prioritariamente católico religiosa, com algumas pitadas de outras frentes comportamentais. Vamos lá, de cara podemos perceber que o vício apresenta em sua tentação, segundo o provérbio acima, algum ingrediente que fascina a pessoa. Afinal sempre é preciso que o inimigo, para vender o seu peixe, apresente em pratos saborosos e muito coloridos, todo o seu veneno. E não é só isso. O diabo insiste em suas mentiras afirmando que veneno não mata mais, isso é coisa que Jesus inventou para te tirar a liberdade de fazer tudo aquilo que te dá vontade. Pena que tem dado certo e muitos tem acreditado nisso.

Quimicamente falando, já é sabido através de estudos científicos a respeito do comportamento humano e sua natureza estrutural psíquica, que o chamado “sistema de recompensa”, circuito cerebral fechado que formam os neurônios, liberam, sempre que ativados, uma substância chamada dopamina.

É nesta substância que age o estímulo do vício. Quando o comportamento humano está em níveis normais, todo o processo químico de nosso corpo trabalha em equilíbrio. Porém, quando algo não vai bem, o organismo mesmo nos alerta e emite o seu aviso. O problema é que este aviso trabalha em duas frentes e aqueles, propensos ao vício por causa de algum fator externo ou interno, não fazem a correta leitura do alerta e caem por terra, engolindo em generosas garfadas, aquele prato saboroso lembra? O prato pecaminoso do pecado que satanás te apresentou lá atrás. Você primeiro se familiarizou com ele, fez um aperitivo e por fim, tomado por uma vontade que você deixou crescer dentro de você, termina por comer tudinho, raspar e lamber o prato e ainda quer repetir. Pobre dos viciados pois já não possuem a liberdade de viver segundo a vontade de Deus. Rezemos por todos eles.

Assim sendo, a correta leitura que eu falava a pouco, é o fato do corpo cortar, bloquear a emissão da dopamina porque ele, nosso corpo sabiamente projetado por Deus, percebeu o desequilíbrio e sabe que isso irá prejudicar toda a natureza do ser. Então ele bloqueia a emissão da substância e manda o aviso para a central: nosso cérebro.

Começa então a batalha. O viciado é um pequeno Davi, indefeso com suas boleadeiras a ter que enfrentar um gigante que, rapidamente ultrapassou muitos metros de altura. E como todo vício, ao causar desequilíbrio intoxica corpo, mente, alma e coração, o caminho inverso precisa passar por uma desintoxicação. E esta desintoxicação passa, primeiramente e prioritariamente por uma conversão a Deus. Afinal, neste ponto já se percebe também que o vício, seja pelo sexo, drogas, jogos, está a fazer aquilo que mais sabe; roubar nosso tempo e tempo é algo que não se recupera mais.

Há quem insista que são realidades diferentes e separadas que precisam ser tratadas de modo específico. Mas eu discordo plenamente e acho que todo católico apostólico romano que se preza e honra sua condição de filho de Deus deveria discordar também. Haja vista na oração do sacramento da unção dos enfermos o sacerdote pronunciar a frase: “Jesus Cristo, médico do corpo e da alma”, e no livro Confissões de Santo Agostinho se diz: “Tu és o médico, eu sou o enfermo; tu és a misericórdia, eu sou a miséria”.

Fica então o recado dado pelo próprio Jesus como vemos na cura da filha da Cananeia onde ele nos mostra que, de fato, é o médico do corpo e da alma. Ele, que curava todas as enfermidades físicas, como nos mostram os evangelhos, também vinha de encontro às doenças espirituais. Ele escutou a súplica da mãe: “Minha filha está cruelmente atormentada por um demônio” (Mt 15,22). E após dialogar com aquela suplicante vemos Jesus então responder: “Seja como tu queres”! E desde esse momento sua filha ficou curada“. E nem poderia ser diferente pois o Cristo, o Verbo feito carne, é o grande Salvador vindo do céu, poderoso para medicar todos os males humanos. Assim nos ensinam os evangelhos, assim confirma toda a igreja por intermédio de seus santos e santas. Fiquemos então cientes de que nossa “dependência” precisa ser uma só: a de Jesus Cristo em nossas vidas, pois assim, tudo mais voz será acrescentado (Mateus 6,33).


fonte: Jefferson Roger

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