sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Deus e o suicídio

Queridos leitores, se porventura alguma vez procurastes na bíblia sagrada alguma coisa sobre suicídio e explicitamente não encontrastes nada, posso te dizer que isto é apenas aparência porque existe sim, um ensinamento que é inclusive direto sobre o suicídio. Antes, porém, vamos dar uma olhada na origem da palavra. Ela tem origem do latim “suicidium”, formada por “sui” que quer dizer “de si mesmo” e derivada de “caedere” que quer dizer “bater, golpear, matar”. Pois bem, logo no início da bíblia, no livro do Êxodo, quando Deus nos dá os dez mandamentos, vemos que inserido neles estão o mandamento de “não matarás”, confirmado na nova aliança por Jesus (Mateus 19,18). Portanto a lei de Deus, que continua valendo, pois foi confirmada por Jesus, nos ensina que tirar a vida é ofensa grave contra Deus e por isso pecado mortal, não importando qual vida é, se a de alguém ou a própria.

Também nas sagradas escrituras encontramos alguns relatos sobre o suicídio, tanto no antigo testamento, como por exemplo, Juízes 9 e 1ª Samuel 31; com no novo testamento em Mateus 27,5: “Ele jogou então no templo as moedas de prata, saiu e foi enforcar-se”. Aqui o versículo se refere ao apóstolo traidor Judas. Ele, segundo as escrituras, cometeu uma das seis formas de pecado contra o Espírito Santo, que é o pecado do desespero. Através do endurecimento do coração e com isso a incapacidade de achar que o pecado, qualquer pecado pode ser perdoado, porque a misericórdia de Deus é infindável, a pessoa não procura mais as soluções divinas e sim busca suas próprias soluções porque não acredita mais que Deus é maior que qualquer pecado. Eis o pecado do desespero. Isto foi o que aconteceu com Judas e esta é a mensagem contida no evangelho.

No entanto, não nos é possível enxergar o coração de cada um, isso cabe a Deus. Tanto é que não nos foi ensinado por Jesus que devemos julgar o interior das pessoas, pois isso não nos cabe. O que devemos ter ciência é, mais uma vez que, nosso afastamento de Deus abre as portas do coração e mente para a investida do inimigo e, a partir disso, passamos a ser um alvo fácil porque deixamos de contar com o auxílio divino. Sobre vem então os maus pensamentos.

O livro do Eclesiástico 22,23 vai nos dizer que “O coração medroso do insensato jamais tem temor em seus pensamentos; assim também o que não se apoia nos preceitos divinos”. E também em Eclesiástico 30,22-25 que “Não entregues tua alma à tristeza, não atormentes a ti mesmo em teus pensamentos. A alegria do coração é a vida do homem, e um inesgotável tesouro de santidade. A alegria do homem torna mais longa a sua vida. Tem compaixão de tua alma, torna-te agradável a Deus, e sê firme; concentra teu coração na santidade, e afasta a tristeza para longe de ti, pois a tristeza matou a muitos, e não há nela utilidade alguma".

Sendo assim, apoiados na palavra de Deus, que nos impulsiona em meio as turbulências, se nutrirmos diariamente nossa fé, somos motivados como vemos no livro do Eclesiástico a nos mantermos longe do mundo e próximos de Deus, até em pensamentos.
Deus, que nos quer todos no céu, se entristece muito quando alguém rejeita tudo que vem dele e se precipita a tirar sua vida, por não compreender tudo que o seu amor, sempre exigente nos concede. De qualquer forma, nada nos separará do seu amor (Romanos 8,31-39), e como ensina São João Maria Vianney, sempre existe tempo entre a ponte e o rio para aquele que, com uma pedra amarrada ao pescoço está a se suicidar. Isto ele disse a uma viúva que aos prantos contava ao bom santo que o marido tinha se atirado da ponte.

Com certeza, primeiramente Deus vê o suicida com grande tristeza. Afinal é seu filho e escolheu livremente abrir mão desse dom de Deus chamado vida. Sua morte voluntária trouxe também muita tristeza aos que o conheciam. Mas, pior que isso. Graças ao seu livre arbítrio concedido a todos por Deus, e sua prematura partida para o outro lado da vida, lhe resta sobretudo, arcar com seus atos e consequências pois do juízo particular ninguém está dispensado. Jesus que é misericórdia, mas é justo juiz é que irá nos julgar, e se até ele formos apressadamente e de forma irresponsável e inconsequente, sem dúvida teremos menos obras e coisas boas para apresentar. Pode ser que o suicida, por estar em alto grau de depressão, já tenha se tornado escravo do pecado e sem liberdade alguma tira a sua vida. O que pensar?

Simples, mais uma vez. Não nos cabe filosofar sobre aquilo que não sabemos e nem supor que Deus agiria desse ou daquele modo. O que nos cabe é vivermos segundo o que ele nos ensinou e também com a lembrança do que o apóstolo São Paulo nos recorda em Romanos 12,12 – “Sede alegres na esperança, pacientes na tribulação e perseverantes na oração”.


fonte: Jefferson Roger

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