quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Deus me livre

Esta é uma expressão que inevitavelmente já se ouviu alguém falar ou já se falou alguma vez, ou algumas vezes na vida, ou ainda de forma costumeira, o que neste caso, desagrada a Deus. Vamos refletir um pouco sobre a questão. “Nem pense uma coisa dessas, Deus me livre”. Seja como for, vários são os contextos em que as pessoas “pedem” sem se dar conta do que pedem (Romanos 8,26), para que Deus afaste delas alguma coisa ou situação pela qual não querem passar. Normalmente este pedido vem associado ao desejo de se evitar algo que é ruim.

Até aqui não nos parece nada de mais pedir a Deus que nos livre do mal, associando a ideia de sofrimento a algum acontecimento ruim. Pois o próprio Cristo nos ensinou a rezar assim ao Pai Eterno (Mateus 6,9-13). O problema está nos detalhes. Certa vez, para ilustrar o que irei dizer, um sacerdote que já é santo, chamado São Pedro Julião Eimard, revelou ao mundo que, durante um exorcismo, o padre perguntou ao espírito que possuía a pessoa, o seguinte:

“O que mais você odeia no mundo?” – e o maléfico respondeu: “Eu odeio o sofrimento das pessoas por Jesus e pelos outros, principalmente o sofrimento dos jovens. É por isso que eu quero estabelecer o ódio ao sofrimento para que todos busquem apenas o prazer e assim ninguém mais irá querer sofrer e eu levarei mais almas para o inferno.”

E não é assim que as coisas são no mundo? Basta cada um olhar e analisar tudo a sua volta. O empenho do inimigo é tão eficiente que muitas pessoas ficam confusas e acabam associando o sofrimento ao mal. Mas não é sempre assim. Nem todo sofrimento é ruim. Certos sofrimentos são benvindos pois servem para nosso crescimento no amor de Deus para podermos alcançar a estatura de Cristo e com isso, conseguirmos colocar nossa cruz do lado da cruz de Jesus no alto do Calvário, ao final de nossa peregrinação por este vale de lágrimas. O sofrimento que vem do céu nos mantém obedientes a vontade do Pai (Hebreus 5,8).

Na primeira carta de São Pedro 4,12-13 encontramos: “Caríssimos, não vos perturbeis no fogo da provação, como se vos acontecesse alguma coisa extraordinária. Pelo contrário, alegrai-vos em ser participantes dos sofrimentos de Cristo, para que vos possais alegrar e exultar no dia em que for manifestada sua glória.” O destaque aqui fica para a palavra extraordinária. São Pedro nos recorda que o sofrimento é algo comum para o cristão. E na carta de São Paulo ao Romanos 8,18 encontramos: “Tenho para mim que os sofrimentos da presente vida não têm proporção alguma com a glória futura que nos deve ser manifestada.” O destaque aqui fica para a desproporção que existe entre os sofrimentos da terra, que irão acabar e são um penhor para nos levar a felicidade eterna. Não há comparação sofrer aqui na terra por um período determinado e viver a felicidade eternamente no céu.

Sendo assim, é preciso um olhar atento para não cairmos no erro de pedirmos a Deus que ele nos livre daquilo que por amor a nós, sua vontade ou sua permissão, nos é enviado. Nada de pedir “Deus me livre” para acontecimentos que vem do céu. Isso desagrada a Deus e é uma desobediência ao segundo mandamento da sua lei. E encerro caros leitores com as belíssimas palavras proferidas por Jesus para um de seus santos, quando estava a ensinar a oração da via sacra pelas almas do purgatório:

“A caminho do Calvário levo a Minha Cruz e espero que Me sigas, levando a tua, pois, na vossa vida, terás diariamente que seguir para um calvário, cuja subida se tornará, em certos dias, muito difícil. Aconteça o que acontecer no vosso caminho, não tires o olhos de Mim, que Eu te ensinarei a forma mais fácil de caminhar. Tem esperança que Eu, quando quiser, modificarei tudo o que te faz sofrer. Tem esperança, porque a tua caminhada é uma caminhada para o Céu. Tem esperança, porque, a troco das pequenas coisas que sofres, terás o prêmio do Eterno Amor. A esperança é doçura que misturo nas tuas horas, é força para te ajudar a erguer a Cruz, é luz para te orientar até à meta. Segue comigo e chegarás ao fim vitorioso.”


fonte: Jefferson Roger

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