quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Meu casamento vai mal! - Será?

Para muitas pessoas, quando Deus disse que não era bom que o homem vivesse só e, portanto, iria criar uma companheira para ele (Gênesis 2,18), esta questão soa um tanto desagradável. Parece que Deus esqueceu de avisar para a companheira do homem, que o homem é um ser danado de complicado e esqueceu de avisar a mulher que ela tinha que ser uma “companheira agradável” e não uma “sarna” que não para de tumultuar a vida do homem.

Porém, muito na contramão do que as coisas parecem, disse Jesus, “no princípio não era assim” (Mateus 19,8). Antes do pecado original o ser humano vivia em completa harmonia com seu criador, que descia todas as tardes para passear no jardim com suas criaturas (Gênesis 3,8). Mas, os anjos de Deus, cuja tradição da igreja nos ensina que foram criados para servir ao homem entraram nesta equação divina a contragosto motivados pelo anjo caído Lúcifer. Ele, que se opôs a este desígnio divino, pois como criaturas superiores ao homem, não queria aceitar a vontade de Deus, rebelou-se, revoltou-se e desobedeceu diretamente ao Altíssimo. Então criou sua invenção angélica chamada pecado e conseguiu infundir na criação, que já possuía o livre arbítrio, o pecado e a concupiscência. Pronto, feita a burrada, o pecado entrou no mundo e toda a criação foi manchada em sua substância (Romanos 5,11-15). É por isso que todos nascemos com o pecado original, isso herdamos pela substância.

E assim a humanidade embarcou em sua caminhada de volta para a sua origem. A gravidade do pecado e de todo o mal é de dimensão tão grande que muitas pessoas não se dão conta do terrível veneno que isso promove em suas vidas. Já na vida a dois, que como vimos desde a criação foi desejada, pensada e criada por Deus, o convívio passou a acontecer a duras penas. Agora com o conhecimento do bem e do mal, através do fruto proibido que foi a moeda de troca que se aceitou pela desobediência direta ao criador, homem e mulher que são vocacionados ao matrimônio, destinados desde sempre a se unirem numa só carne, enfrentam um percurso que exige esforço contínuo de ambas as partes. E muito esforço!

No entanto é preciso dizer que Deus jamais inventaria algo que nos prejudicasse. Isso não é de sua natureza. Deus que é amor (1ª João 4,8) não iria se contradizer quando disse que a sua criação, o homem, é algo de “muito bom” (Gênesis 1,31) e mais adiante, iria criar o mal para deixar o homem em maus lençóis, para que ou ficássemos na frigideira ou caíssemos na fogueira. Longe disso, o mal que existe no mundo acontece por permissão divina e não por sua criação, isso precisa ficar bem claro a todo cristão.

E por que Deus permite o mal? Porque de um mal sempre Deus pode tirar algo de bom. O mal é permitido para nos fazer crescer no amor. Portanto, se sofremos no casamento, se passamos dificuldades físicas, dificuldades financeiras, problemas de ordem social originados pela humanidade e problemas de tantas outras naturezas, saibamos nós que todas essas coisas não são frutos do mal. As pessoas confundem as coisas e acham que todo o sofrimento é um mal, toda a dificuldade é um mal, todos as discussões que as vezes são muito acaloradas dentro de casa são um mal. Mas nem sempre o são. Tudo depende da finalidade e aqui é preciso sermos sóbrios e vigilantes (1ª Pedro 5,6-11) porque se estamos submissos e humilhados sob a mão de Deus dizer que o casamento vai mal o entristece, porque falando assim estamos agindo como fariseus.

“Quem não vive aquilo que crê, termina crendo naquilo que vive” nos recorda São Tomás de Aquino. Sob o olhar sobrenatural que somos convidados por Cristo a lançar em nossas vidas, iremos compreender que não é possível um casamento ir mal. O casamento pode não ir bem, porque está se passando por dificuldades de algum tipo, já falamos sobre isso. Mas, também já vimos que tudo isso são provações e tentações. Se não fosse assim, o casamento teria sido criado por Deus e ele nos obrigado a casarmos apenas para sermos, castigados, sofrermos e sermos punidos, mas não é nada disso.

Tanto é verdade que fazer do casamento um produto para poder trocar de casamento descartando pessoas e deixando restos familiares para trás isso sim é um mal, isso sim é o resultado tão esperado pelo demônio, porque neste resultado vemos a finalidade do diabo. Fiquemos firmes com o ensino de São Tomás e acreditemos primeiro, para depois colocar em prática. Isso é a fé, uma certeza a respeito do que não se vê. Deus nos garantiu através de seu filho, o Verbo Encarnado, uma felicidade eterna, mas o céu é arrebatado a força e são os violentos que o conquistam (Mateus 11,12). Por que dar ouvidos ao diabo? Um lobo em pele de cordeiro?


fonte: Jefferson Roger

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