quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Pais que enterram os filhos

Em linhas gerais é de comum acordo de que o curso da vida promova primeiro a morte das pessoas com idade mais avançada. E este pensamento se deve ao fato de que, aparentemente aos olhos da humanidade, morrem mais anciãos do que prematuros na vida. No entanto, contrária a lógica da idade, o fato reside na condição de não se saber a hora da morte e, por conseguinte, não existe uma ordem convencional para que as coisas aconteçam.

Filhos costumam enterrar seus pais, é verdade. Mas o oposto também ocorre e quando acontece restam aos que ficam a dor e o sofrimento daqueles que viram nascer neste mundo seus entes queridos. Caro leitor, vós que estais a ler este artigo talvez já tenha de algum modo passado pela experiência ou tomado ciência desta situação que aconteceu bem próximo de ti.

Se não, talvez seja um medo presente que vos acompanha por toda a vida. Seja como for, temos na história da humanidade alguns exemplos de santos e santas que passaram por esta experiência e com ela nos ensinam. Dentre eles podemos olhar para a vida da família Martin, de numerosos filhos, que vieram a perder quatro de suas crianças. Luiz Martin e Zélia Martin são ninguém menos do que os pais de Santa Terezinha do Menino Jesus e da Santa Face.

Quando o casal já tinha quatro filhas, nasceu o primeiro menino. Muito pedido a Deus em orações, os pais queriam um filho para entrega-lo a Deus como um sacerdote e colocar-lhe o nome de José. Foram atendidos, mas com poucos menos de seis meses de vida veio a falecer. Nove meses depois, após fazerem uma novena a São José nasce o segundo menino, que também se chamou José. Este veio de um parto dolorosíssimo e dificílimo a ponto da criança ser batizada ainda na sala de parto por conta do risco de morte que corria.

Este também subiu aos céus em pouco mais de três meses de vida, após sofrer por todo esse tempo de bronquite agravada e uma forte crise intestinal. O calvário do menino era tão grande a ponto da mãe suplicar a Deus que levasse o garoto. E assim foi feito. A criança morreu nos braços da mãe.

Cerca de dois anos após o falecimento do segundo José, mais um de seus filhos Deus chamaria à sua presença. Desta vez era a Heleninha, que contava apenas com cinco anos de vida e numa crise que durou apenas um dia, deixou sua família sem que o médico conseguisse descobrir a enfermidade.

Neste mesmo ano da morte de Heleninha, com dois meses de vida, veio a falecimento Maria Melânia. Então, após três anos, nasce dentro da família Martin, Teresa, a filha que iria trazer a maior glória para a família. Porém, o que consolava o coração e sua pesada e dolorosa cruz de perder os filhos tão jovens era a “esperança do céu”. E é isto que deve nos servir de exemplo, a todos que passam por situação como esta. Dizia a mãe: “Ele no-lo deu. Ele no-lo tirou; bendito seja o Seu santo nome!”

Depois de Teresa, uma a uma das filhas que restaram, foram entrando no convento. Da mais velha para a mais nova. Sua mãe foi a próxima a falecer e o viúvo foi entregando filha após filha para o serviço de Deus. Por fim, quando já acometido de doença, estando aos cuidados da filha mais nova, foi aos céus pouco tempo depois de visitar as filhas na clausura do convento onde realizou sua despedida. A mais nova também se uniu às irmãs na clausura e puderam acompanhar Teresa tornar-se para a glória de todos os familiares e de nós católicos, Santa Terezinha do Menino Jesus e da Santa Face, a santa da pequena via.


fonte: Jefferson Roger

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