segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Pokémon GO, pode ou não pode?

Após a nova febre de entretenimento invadir o tão disputado tempo das pessoas, segue-se a pergunta de muitos pais e responsáveis pela sadia educação de seus filhos, num esforço para colocar em primeiro lugar os princípios cristãos. Pois muito bem, vamos aproveitar o momento desta mais recente febre das redes sociais para refletirmos um pouco a respeito do uso que se faz da diversão e dos passatempos.

Digo febre do momento porque a expressão “casa” muito bem com os acontecimentos que periodicamente aparecem para aprimora a “robotização” do comportamento humano. A sociedade que revestida de soberba bate no peito para anunciar a sua constante evolução, colocando no pedestal sua inteligência e habilidades em fazer desta terra um paraíso sem Deus, não enxerga que ao se tornar cada vez mais amiga do mundo, se torna inimiga de Deus (Tiago 4,4).

Mas afinal, deve-se proibir ou não que nossos filhos passem seu tempo neste aplicativo? Não se trata de um problema isolado, no entanto, porque a pergunta pode se estender para outros lados. E o smartphone? E o facebook? O whatsapp? O canal youtube? Os videogames e tantas outras formas de atividades que disputam e roubam de tantas pessoas muitas horas de um tempo diário que não nos oferece mais do que 24 horas?

Vamos fazer algumas contas. Biologicamente se sabe que a cada duas horas de atividade nosso corpo precisa de uma hora de descanso. Então por aí tem-se como ideal que se durma oito horas. Caros leitores, deitar e acordar com as galinhas, como antigamente se fazia é privilégio de pouquíssimas pessoas no mundo. Temos que ganhar o sustento do dia com nosso suor (Gênesis 3,17). Desta forma, ficamos com dezesseis horas para fazermos tudo que precisamos. E aí começam os problemas. Cada vez mais queremos fazer mais coisas dentro destas dezesseis horas e como não conseguimos invadimos as sagradas horas de sono, as oito horas. Um sono que serve para recompor as energias do corpo e da mente é prejudicado e o acúmulo de cansaço físico e mental não restaurado modifica em detalhes nossa saúde.

A pessoa passa a dormir sete horas, vê que ainda consegue passar bem o dia. Passa então a dormir seis horas e vê, que com algum esforço ainda dá para levar adiante seus projetos. Abaixo de seis horas percebe que alguma coisa lhe rouba durante o dia o bem-estar, mas pelo bem maior, pensa ela, resolve de vez em quando “forçar” a barra e dorme entre quatro a seis horas. Qual o resultado disso? Uma fatura que vai ser apresentada lá na frente. A vida útil de seu corpo, que se reflete em sua saúde vai sendo prejudicada. Isso não é novidade nenhuma, todos conhecem pela expressão “qualidade de vida”. Ferir a natureza física e psíquica de nosso corpo tem um preço, todos sabem disso, mas muitos fingem não ser algo importante.

Ora, mas o mundo e a concorrência desenfreada que ele prega, além de todas as coisas que esse mesmo mundo me “ensina” que preciso ter e ser para ser feliz, me convencem de que esse preço vale a pena. Então, sendo assim, gasto muitas horas de minha vida, sejam elas diuturnas ou noturnas me dedicando a coisas que não me remetem as necessidades básicas. Pode ainda alguém espernear e dizer: “mas o lazer não tem nada de mau”. E não tem mesmo! O problema existe na falta de equilíbrio na importância que se dá a cada segmento da vida.

A notícia, portanto, que é preciso dar aos jogadores sem freios é esta: fomos feitos para uma busca muito mais digna que a caça de "pokémons" — a busca de Deus. Fomos criados para uma glória muito superior que a de ser um "mestre Pokémon" — a glória do Céu. É evidente que não há pecado algum nos jogos lúdicos, a gravidade reside em fato mais grave. O fato das pessoas, devido à sua falta de moderação, começarem a transformar toda a sua vida em lazer. São Francisco de Sales dizia: " Se dás muito tempo ao jogo", ele já não é um divertimento, mas fica sendo uma ocupação".

Quando passamos a vida diante de uma tela seja de televisor, computador ou do celular, à procura de ínfimas glórias virtuais ou felicidades e satisfação vazias que preenchem a alma e o coração, o tempo escorre por nossas mãos, esvai-se, e acabamos desperdiçando o dom preciosíssimo da vida que nos foi confiada por Deus. Assim retratam todas as pessoas que conseguiram se libertar dos vícios de quaisquer espécies, inclusive os vícios tecnológicos.

Como diz Santo Agostinho: “eu tenho medo do Deus que passa”. E se Ele me visitar no hoje, que é o tempo que me concedeu e eu estiver ocupado e for imprudente como as virgens do evangelho? (Mateus 25)


fonte: Jefferson Roger

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