quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Cobrar os outros e não fazer?

Jesus em Mateus 23 nos ensina que não devemos ser como os fariseus, que não agem conforme aquilo que professam. Em outras passagens como no sermão da montanha em Mateus 5 a 7 mais uma vez nos mostra que não devemos cobrar um comportamento do irmão e não agirmos conforme aquilo que cobramos do outro.

São Tomás de Aquino nos recorda que “quem não vive o que crê, termina crendo o que vive”. E é a mais pura verdade. Aos poucos a pessoa vai cedendo espaço para a catequese do mundo e deixando de lado a dura e exigente prescrição que o amor de Deus nos apresenta. Desta forma, o desânimo vai se tornando um fardo cada vez mais pesado ao lado da cruz. Em um ombro, o fardo, no outro a cruz. E a medida que a caminhada prossegue a cruz vai perdendo o seu valor e seu propósito e vai se tornando uma cruz de aparência, carregada tão poucas vezes e tantas vezes deixada de lado. Afinal, o fardo do desânimo oferece as delicias dos prazeres. Posso apontar o cisco no olho do irmão sem precisar tirar a trave que está no meu olho (Mateus 7). Errado, é bem o oposto disso.

Se nosso comportamento é diferente daquilo que professamos como irão nos levar a sério? Como iremos conquistar respeito e autoridade? Como iremos evangelizar como os apóstolos? Se aceitamos o pecado e o erro em nossas vidas, convivendo com isso ao ponto de nos acostumarmos e parecer natural, como querer que outras pessoas façam o que é certo se nós não nos comportamos conforme nos ensina Jesus?

Católicos assim vivem na superficialidade religiosa. Evitam a verdade pura e simples de Jesus a todo o custo, porque a dureza do evangelho cobra de cada um uma postura de humildade, reconhecimento de miséria, incapacidade de seguir sem Jesus e uma constante dependência do Pai Eterno. Muitos ao conviverem com pessoas assim, que pregam uma verdade um tanto distorcida e se comportam de maneira mais distorcida ainda, precisam oferecer a Deus esse infortúnio e não sair agindo como justo juiz que não o somos. Por outro lado, deixado o preconceito de lado e cultivando o respeito, é preciso sempre, como nos recorda o catecismo da igreja católica, apresentar sempre a verdade do Cristo. Ser para o outro uma oportunidade de mudança e conversão. É como está escrito em Provérbios 28,23 – “Quem corrige alguém, encontra no fim mais gratidão do que lisonjas.” Encontra uma gratidão que vem do céu, pois o irmão que insiste no erro pode enxergar em cada um de nós um outro Cristo, abrir seu coração e procurar a conversão que o leva para junto do Cordeiro de Deus.

Cada um de nós precisa saber conviver, mas não se acomodar com o que não está certo, muito menos aceitar o errado como se fosse uma imposição. O católico precisa ficar do lado da verdade, do lado de Jesus e de forma total. Ele mesmo disse em Mateus 12,30 – “Quem não está comigo está contra mim; e quem não ajunta comigo, espalha.”


fonte: Jefferson Roger

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