terça-feira, 11 de outubro de 2016

Só quando me der vontade

Relacionado com a vontade existem duas vertentes que as vezes são confundidas quanto a sua origem e natureza. São elas o anseio e o desejo. A vontade que o ser humano sente, conforme o seu grau de consciência, propósito, determinação e percepção irá apontar para qual direção estamos nos inclinando. Para aumentar ainda mais a carga na situação, também todos os fatores envolvidos acabam por afetar o plano espiritual das pessoas. Vamos ver como são as coisas.

Desejo é aquilo que sentimos fisiologicamente. Anseio é aquilo que sentimos espiritualmente. O que provoca confusão nas pessoas é que anseio pode ser definido por aquilo que desejamos espiritualmente. Este desejo que brota do fundo da alma e, portanto, tem raízes de natureza divina, vai além dos simples prazeres do corpo. Jesus já dizia que do coração brotam coisas que revelam onde colocamos o nosso tesouro. A natureza de nossas atitudes vem de lá. Por isso é tão importante não cedermos aos apetites do corpo para que ele não instale em nosso coração, mente e alma, desejos no lugar dos anseios. Se assim acontecer, a concupiscência irá se apoderar de nosso ser e já não seremos mais livres. Seremos escravos do pecado.

Infelizmente para o ser humano, nós, que somos um composto de corpo e alma, somos também um constante campo de batalha. Sim, qualquer um pode, numa simples auto avaliação, comprovar que existem continentes inteiros dentro de cada um que ainda não estão configurados ao Cristo desfigurado da cruz. E o fruto dessas diferenças dentro de cada um bate de frente com a nossa vontade.

Como sempre é de costume, nosso cruel inimigo, sempre atento a tudo, aproveita mais essa brecha para povoar o nosso viver com suas investidas. Sua intenção é mexer na balança que controla a vontade fazendo pender mais para o que é do mundo e menos para o que é de Deus. Quanto mais êxito satanás tem nesse intuito mais a pessoa vai se tornando escrava de suas vontades. Perde sua liberdade e não consegue mais colocar um olhar sobrenatural sobre as coisas.

Ah hoje eu não vou na missa, não estou com vontade, estou com preguiça, ou não estou me sentindo bem, é o que tantos dizem, entre tantos exemplos que bem conhecemos. Fácil também é, de se perceber que a preguiça pode ser aliada da falta de vontade. Nem sempre é, mas pode acontecer de ser. E quando acontece essa preguiça chama-se preguiça vocacional. Trata-se de uma forma de preguiça grave, que leva a pecados não veniais que colocam em risco nossa salvação. É preciso um olhar atento sobre o que estamos fazendo.

É preciso brotar o que é certo no coração para embotar a mente e em consequência o corpo corresponder a esta condição. Santo Antonio Maria Claret dizia que quem quer se salvar precisa ter Deus no coração, o paraíso na mente e o mundo debaixo dos seus pés. Assim como a descendência da mulher do gênesis pisoteia a cabeça da descendência da serpente, assim devemos nós nos comportarmos com relação as ofertas do mundo. Elas devem estar sob controle, debaixo dos nossos pés. Do contrário se agirmos com relação as coisas de Deus, só quando nos der vontade, no dia do nosso juízo iremos olhar para trás e nos depararmos com a estupidez que fizemos em não levar a sério aquilo que é sério.

Quando for tarde demais o que nos restará fazer? Restará diante do cordeiro o arrependimento tardio e a vontade de corrigir o que se fez de errado. Só que quando era o tempo não fazíamos e quando não houver mais tempo, só restará a vontade do Pai.


fonte: Jefferson Roger

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