sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Entender Deus

A teologia busca, através do esforço humano, compreender os ensinamentos de Deus, contidos nas sagradas escrituras e na santa tradição, fazendo uso de análises e conjecturas sobre toda a revelação bíblica. Porém, facilmente pode-se notar que, com poucos metros de caminhada, a profundidade do bondoso Deus do novo testamento (Mateus 19,17), que é o mesmo Deus da guerra do antigo testamento, o mesmo Deus que se arrependeu da criação humana (Gênesis 6,7) e o mesmo Deus que parece ter testado a fidelidade de Adão e Eva no Jardim do Éden (Gênesis 2,16-17) e ainda o mesmo Deus que manifesta sua ira contra sua criação (Isaías 13,13), pode-se notar que, parece existir um Deus que muda de temperamento ou de opinião.

E o que dizer desse Deus, pregado como onipotente, onisciente e onipresente, que parece deixar de lado seu poder total para promover o bem da humanidade, parece não saber de tudo pois perguntou onde estava Adão (Gênesis 3,9) e onde estava Abel (Gênesis 4,9)? O que dizer de um Deus que cobra que nos humilhemos como servos inúteis se quisermos suas graças? Também se pode cogitar porque o pecado, invenção angélica, surgiu num ser criado perfeito por Deus (Ezequiel 28) mas que as escrituras afirmam que desde o princípio foi mentiroso (João 8,44)?

Pois bem, a realidade de tudo isso não está revelada. Nossa Senhora já nos alertou em suas aparições que “tudo nos será revelado nos céus”. Eis aí uma bela oportunidade para exercermos nossa fé. Sem a luz da fé, dom de Deus, uma certeza a respeito daquilo que não se vê (Carta aos Hebreus), o ser humano não consegue olhar para as escrituras com uma visão sobrenatural. Não consegue separar sua análise crítica e literária sobre os textos, seus contextos e suas épocas, da intenção pela qual eles nos foram entregues.

Muitos estudiosos bíblicos apontam para o fato de que Deus se utilizou dos seres humanos, criaturas perfectíveis, porém com suas limitações, para, inspiradas pelo Espírito Santo, colocar por escrito os ensinos divinos (2ª Pedro 1,20-21). Desta forma, sob sua assistência e com a luz da fé, todas as aparentes contradições são digeridas e se percebe que os “vários” deuses ou o “deus” imperfeito com um comportamento de “lua” e “bipolar”, nada mais é do que uma tentativa humana errônea de rotular o que é incompreensível em nosso criador. Sendo assim, também esse é um dos motivos de tantas denominações religiosas existirem.

Praticamente todas argumentam que Deus é um só e por isso tanto faz a qual religião as pessoas pertencem. Mas isso não é verdade porque na prática tantas dizem que receberam a revelação do espírito e que “eles” pregam a verdade. Tão errado é que, quando se desentendem, saem dessas denominações religiosas e fundam outras dizendo que agora pregam a verdade, inspirados pelo espírito santo. Quanta “jacuzisse” para não falar palavrão maior e quanto pecado contra a terceira pessoa da Santíssima Trindade.

São João Maria Vianney, já esclarecia em seus ensinamentos que não devemos nos preocupar em saber aquilo que, caso não saibamos, não será motivo para nossa condenação. Deus nos disse em Malaquias 3,6 – “Eu sou o Senhor seu Deus e não mudo. E disse ainda em Isaías 45,23 – “Minhas palavras não serão revogadas.” O próprio Deus é bastante claro ao nos afirmar isso em Deuteronômio 29,29 – “O que está oculto pertence ao Senhor, nosso Deus; o que foi revelado é para nós e para nossos filhos, para sempre, a fim de que ponhamos em prática todas as palavras desta lei.”

Deus não precisa nos provar nada, ele é Deus e sem nós continua sendo Deus. Nós, criaturas suas, que por Jesus recebemos a salvação e a vida eterna é que precisamos aderir ao seu projeto.


fonte: Jefferson Roger

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