terça-feira, 29 de novembro de 2016

Porque todos não recorrem aos sacramentos?

Não sei vocês caros leitores, mas penso que uma pergunta pode pairar em nossas reflexões. Nós católicos, que procuramos a tutela da igreja una e santa para recorrermos aos sacramentos, cuja economia foi deixada por Nosso Senhor, como meio eficaz de salvação e santificação, podemos nos perguntar: por que as pessoas não recorrem aos sacramentos?

Talvez algumas pessoas não saibam que os sacramentos são sinais visíveis de uma graça invisível. Não depende de quem administra para acontecer, sua eficácia é garantida pelo Cristo Ressuscitado. Por isso não é preciso alegar que não se confessa com o padre porque ele também é pecador, confessa-se direto com Deus, como apenas um exemplo entre tantos motivos que fazem as pessoas deixarem de lado os sacramentos. Ou então não comungam na santa missa porque dizem que estão em pecado. Ora, simples, muito simples, se arrepende, se confessa e se converte! Por que não fazem assim? Abandonam as graças provindas do sacramento da reconciliação e se contentam em viver apenas sob os cuidados genéricos que o afastamento da amizade, do amor e da união com Deus promove através deste sacramento tão maravilhoso. Ficam satisfeitas apenas com o ato penitencial, que não se equipara ao poder sacramental da confissão pessoal dos pecados para Jesus. Sim, porque o sacerdote é um instrumento atuando na pessoa de Cristo, mas é um instrumento. Deus perdoa a cada um que o procura com uma contrição perfeita, mas onde está a garantia sacramental, no caso do perdão, absolvição e imputação da penitência? Jesus prevendo essa questão nos deixou os sacramentos.

E quanto ao sacramento do matrimônio? Quantos apenas casam no cartório? Quantos não batizam os filhos na igreja? Não conduzem os filhos ao sacramento da crisma? E pior, quando o fazem o fazem pelos motivos errados? Casam na igreja porque a mulher engravidou e o pai dela obriga. Batizam a criança porque ouviram dizer que faz bem. Conduzem os filhos para receber a crisma para que encerrem a praxe documental da igreja para posterior casório. E por aí vai a infame lista de motivos. Mas pode ainda ser pior, sempre pode. Infelizmente.

Existem os sacrílegos que são aquelas pessoas que recorrem aos sacramentos de maneira leviana e sem o devido respeito pelo que é sagrado. Cometem um pecado muito mais grave e maior, o pecado do sacrilégio. Continuemos. Na santa missa, excluindo-se as crianças que ainda não concluíram o período da catequese, seria normal de se esperar que toda a comunidade celebrante entrasse na fila da comunhão para receber Jesus Eucarístico! O rei dos reis, salvador da humanidade que é o pão da vida, a porta do céu. Alimentam-se apenas da mesa da palavra e se contentam com isso. Parecem ir apenas de corpo presente na santa missa e de coração fechado porque, após tantos anos não mudam de atitude e continuam com o mesmo comportamento, nutrindo-se com o mínimo de esforço e comprometimento.

Jesus nos diz que o céu é arrebatado a força e são os violentos que o conquistam (Mateus 11,12). E diz que muitos tentarão e poucos conseguirão. Por que então fazer um esforço mínimo, no estilo política de salário mínimo, se Jesus já esclareceu que se precisa de um esforço muito maior (um esforço violento)? E ele nos atesta uma triste realidade, é preciso muito esforço porque há quem apenas se esforce e não consiga (Lucas 13,24).

O importante é trilharmos um caminho deixado por Jesus e não tentarmos seguir por um caminho feito por nós. Não há caminhos para o céu. Ele mesmo disse que é o caminho (João 14,6) e assim encerra a conversa. Todos bem sabemos o quão difícil é nossa caminhada rumo aos céus. Porque abrirmos mão de todo o auxílio celeste e tentar percorrer por forças próprias? Isso se chama “pelagianismo”, que significa achar que não é preciso graça alguma vinda de Deus para nos santificarmos e nos salvarmos, basta nosso esforço humano para conquistarmos isso. Assim pensava um monge chamado Pelágio, que caiu na tentação de deixar a humildade de lado em reconhecer sua dependência de Deus para tudo e assim pregando e agindo, perdeu-se do caminho que conduz ao paraíso.


fonte: Jefferson Roger

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