quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Deus, uma atividade extraclasse

A modernidade que para muitos traz muitas coisas boas, para outros, serve como pano de fundo para justificar a necessidade de inovações em áreas que não necessitam nem um pouco de mudanças. Para estes, talvez nem percebam, mas a modernidade que cultivam caminha numa direção oposta a de Deus. Deus simplesmente fica reduzido a uma expressão, a uma palavra qualquer, não passa mais nenhum sentimento em relação ao que representa. Até se admite no inconsciente a sua existência e tudo o mais, mas o esforço não vai além disso. Ou vai, como já disse, na direção oposta.

Facilmente ele nem é lembrado no cotidiano das tão ocupadas vidas modernas. Existe a internet, amiga inseparável de tantos. Existem os smartphones, que parecem estar “colados” nas mãos das pessoas. Existem os jogos eletrônicos e seus videogames, responsáveis por controlar boa parte do tempo de muita gente. Existem é claro, precisamos mencionar, toda a atividade destruidora dos tóxicos, legais e não legais. E a lista como bem sabemos, é imensa. Se um ranking existisse facilmente a posição que Deus ocuparia na vida de uma pessoa, que se abraça aos prazeres do mundo, sua tecnologia, as pessoas e toda a parafernália que nos cerca, seria uma posição que contrasta e muito com o seu lugar tão merecido por natureza e direito. Afinal, quer queiram as pessoas, quer não, deixou-nos esse Deus o mandamento de amá-lo sobre todas as coisas, com todo o nosso coração, alma e entendimento e de amar ao próximo como a nós mesmos. E ainda vai além, disse que tudo se resume a estes dois mandamentos.

No entanto, não vamos nos enganar, nem enganar a ninguém. Com poucos minutos de meditação e reflexão, se formos sinceros, iremos perceber que Deus não ocupa o primeiro lugar em nossas vidas. Para os mais adiantados na caminhada da fé rumo a porta estreita Deus, sim, já faz parte de suas prioridades quase 100% do tempo. Mas não é assim com uma fatia grande da humanidade. Existem horas que Deus rege nossas vidas, existem horas que Deus é deixado de lado. Ô fraqueza humana que cede tão facilmente aos pedidos do corpo. Que campo de batalha complicado somos nós, que ainda possuímos continentes inteiros que não se configuraram, nem apontam para o Cristo. Vamos reconhecer, é preciso muito esforço (Mateus 11,12), não desanimemos.

Porém, como já estamos a refletir, muitos de nós, colocam Deus como uma opção lá no final da lista. Afinal ele exige tanto da gente e nos concede tão pouco do que pedimos não é mesmo! Assim pensam tantos, que mimadamente, querem seus caprichos atendidos para ontem, do contrário não o seguiremos. Dizem tantos, como se fosse para estes concedido o direito de exigir de Deus alguma coisa que fosse. As pessoas não entendem o “esquema” e por isso pensem poderem adaptar o criador as necessidades da criatura. Como pode? Não pode é claro.

E assim, o Deus do amor, que nem precisaria nos ter criado, para com ele vivermos a felicidade eterna no paraíso assim o fez. Do nada, agora seremos eternos e tem gente que reclama por conta das exigências que a palavra de Deus através do verbo encarnado nos apresenta. O preço é baixíssimo, basta refletir, do nada para a eternidade. Mas também basta escolher. A eternidade com Deus ou com o diabo. O estudante aplicado além do conteúdo obrigatório quer ir além e procura estudar matérias além da grade curricular normal, matérias extras. O estudante que só estuda o mínimo para passar de ano, procura ocupar seu tempo livre com alguma atividade fora dos estudos, um verdadeiro lazer, que não exige compromisso nenhum.

Devemos ser como o estudante aplicado e buscar a Deus indo sempre além e não como o estudante mesquinho que arruma tempo para o lazer e para aquilo que lhe agrada, longe dos compromissos. Uma vez, um entrevistador perguntou em seu programa ao pai de uma artista famosa, aqui no Brasil, como faziam para conciliar o sucesso na tv com as atividades escolares. E para uma triste contestação, o pai não pensou duas vezes e disse: “Nós tiramos ela das atividades extraclasse”. Então o apresentador perguntou: “Que atividades?” E mais rápido ainda o pai disse: “da catequese”. Nem preciso ir além, aí tem o dedo da modernidade comandada pelo príncipe deste mundo (João 12,31 e 14,30) que procura alastrar a “sua catequese” na vida das pessoas. Acordemos, Deus não quer pessoas modernas, quer pessoas santas. Que o mundo nos sirva e que nós não sejamos escravizados por ele, porque o amigo do mundo se faz inimigo de Deus (Tiago 4,4).


fonte: Jefferson Roger

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