terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Não deixe a vaca ir para o brejo

Nesta expressão popular encontramos seu real significado e origem nas regiões rurais, quando em tempo de grandes secas, o gado em busca de sua sobrevivência era conduzido ou se conduzia para locais mais úmidos e pantanosos, como, por exemplo, os tais “brejos”. No entanto, a situação que já era difícil, pois era uma grande estiagem climática, poderia ainda se agravar, porque o gado corria grande risco de se atolar neste brejo e não conseguir voltar ao seu abrigo de origem, dando muito trabalho. Outra gíria semelhante é “a casa caiu”.

Pois muito bem caros leitores, com certeza podemos fazer uma analogia em nossas vidas a partir deste dito que já é popular e se tornou gíria, que é a questão desta vaca que vai ou não para o brejo. Nossa vida é nosso campo fértil, terreno que precisa ser sempre cuidado. Em volta de todo este campo, existem os pântanos, os chamados aqui brejos, que são as investidas do mundo, de satanás e dos desejos carnais, os apetites do nosso corpo. Desta forma, por esta analogia estamos ilhados e sob constante vigilância, assim como nos recomenda Jesus.

Cada área de nossa vida é uma vaquinha feliz e contente que, saltitando pelas planícies desta caminhada, segue alegremente rumo ao seu tão desejado cercadinho junto ao celeiro. Nós, os donos deste verdejante pasto, precisamos dar conta de todas as belas e desejadas vaquinhas. Cada uma é constantemente vigiada pelos predadores sedentos por abate-las e tirar de cada uma a possibilidade de se aconchegarem sob o conforto do abrigo para elas tão carinhosamente e cautelosamente preparado.

E vamos concordar, que como são muitas para cuidarmos, não conseguimos sozinhos, já sabemos disso. E assim, podemos enxergar facilmente nesta pequena analogia, como se configura nossa caminhada e o cuidado que devemos ter em todas as áreas de nossa vida. Nós, que somos um composto de corpo e alma, um verdadeiro campo de batalha, precisamos não deixar nada para trás. Já nos ensina sobre isso Jesus na parábola da ovelha perdida. Então, mesmo que sobre o peso de muitas quedas, nosso esforço deve, no mínimo, ser o máximo.

Transportando a analogia para nossa realidade de católicos, sob um olhar espiritual, deixar a vaca ir para o brejo significa desanimar, não perseverar, desistir, sucumbir perante as tribulações, se rebelar contra Deus, perder a fé. Que horror todas as verdades são. Que horror! Perder a fé, perder a razão de viver. Deixar de lado os porquês que nos motivam a suportarmos qualquer como! Que horror... E é de se chorar profundamente quando esta ferida atinge um coração, pois aqui neste momento, outro coração muito maior e capaz de amar do que o nosso já foi ferido. O coração de Deus. Quanta tristeza e quanto desgosto damos aos céus quando não suportamos o peso da cruz e não acreditamos no evangelho, na vida dos santos e santas de Deus, em Maria Santíssima e todo o coro dos anjos. Olhamos para nosso umbigo, não nos satisfazemos pela maneira que Deus quer que nossas vidas aconteçam e revoltados contra ele, meio como seus inimigos, vamos ficando sozinhos neste verde campo, já sem vida, assistindo inertes nossas vaquinhas indo para o brejo.

Não deve ser assim: Romanos 12,12 – “Sede alegres na esperança, pacientes na tribulação e perseverantes na oração.”

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fonte: Jefferson Roger

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