quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

O Exame de Consciência

Se ao dicionário recorrermos iremos encontrar algumas explicações para a expressão consciência. Todas, de uma forma geral, relacionam a palavra com algum aspecto voltado para o conhecimento. Ter consciência é estar ciente a respeito de algo ou alguma coisa. Vejamos que interessante a questão. Se digo que eu estou “ciente” a respeito de algo é o mesmo que dizer que eu tenho consciência disso. Podemos compreender que estar consciente a respeito de algo implica em se saber, em ter o conhecimento a respeito daquilo. A respeito daquilo que é uma informação para nós, guardada num lugar chamado cérebro. Por sua vez, aprendeu-se no meio estudantil que, em linhas bastante resumidas e gerais, nosso cérebro pode considerar duas divisões para estas informações: a divisão do consciente e a divisão do subconsciente, deixando a questão do inconsciente de lado, conceitos estes muito utilizados em psicologia. Lá, no subconsciente ficam as memórias não acessadas cotidianamente, não presentes em nossa atualidade. Funciona como uma espécie de baú.

Pois bem, feito esta pequenina explanação sobre essa belíssima área de nosso corpo humano, vamos partir para o finalmente. Vamos colocar a questão sobre um olhar sobrenatural. Tratemos aqui do exame de consciência que todo cristão deve fazer em sua jornada rumo a porta estreita. Já nos ensina a antiga tradição católica que boa prática é o exercício do exame de consciência feito em três momentos do dia. Pela manhã, logo ao acordar, fazemos nossa avaliação do dia que ficou para trás e nos propomos perante Deus para o dia que se inicia. Afinal não sabemos quanto tempo temos de vida. No meio do dia, mais uma parada para o segundo exame de consciência, para avaliarmos como está nosso propósito de vida, feito no início deste dia. Se necessário aqui podemos recolocar nos trilhos o que não estiver a contento. Ao fim do dia, quando estamos indo deitar e entregamos a Deus o fruto do nosso dia, cabe o último exame de consciência. Onde perante o altíssimo agradecemos por tudo que fizemos, pedimos perdão pelas omissões e faltas e colocamos nossa vida a disposição de Deus.

Prática esta muito salutar uma vez que nos mantém conectados e conscientes a respeito da nossa realidade do hoje. Examinar a consciência é algo que precisamos sempre fazer. Devemos, como diz o ditado popular, “nos policiar”, vigiarmos nossa conduta em todas as áreas. No que falamos, no que fazemos, no que não falamos e no que não fazemos. E isso não deve soar esquisito porque Jesus já nos avisou que seremos cobrados por nossas omissões.

Por isso, não devemos baixar a guarda e nos julgarmos já merecedores do céu. De forma alguma. Nossa exigência diária deve cada vez mais aumentar pois do contrário iremos parar de crescer e a estatura de Cristo não iremos alcançar. Nesta exigência, os termos de comparação que devemos ter não devem ser os que melhor se identificam conosco. Se me comparo a um bandido, assassino e malfeitor, facilmente posso me julgar “um santinho”. Mas se me comparo a Jesus, a Virgem Santíssima, aos anjos e santos de Deus, aí a coisa muda de figura e facilmente percebo o quanto estou longe da santidade. Assim deve ser. Nosso exame de consciência deve ser honesto para conosco porque Deus conhece os corações e nada perante ele ficará oculto. As aparências não passam disso, de aparências. Deus que vê no oculto abomina a hipocrisia, haja vista o próprio Jesus tanto criticar os fariseus hipócritas nos mostrando que devemos ser humildes e sinceros e reconhecer nossa fragilidade e dependência dele para tudo. É preciso agradar a Deus e não aos homens (Gálatas 1,10) e é preciso antes obedecer a Deus (Atos 5,29) do que aos homens pois quem se faz amigo do mundo se constitui inimigo de Deus (Tiago 4,4) e o que aos olhos dos homens é elevado aos olhos de Deus é abominável (Lucas 16,15).


fonte: Jefferson Roger

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