segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

A graça frente ao pecado

Uma das seis formas de pecado contra o Espírito Santo, segundo os ensinamentos de São Tomás de Aquino é o pecado do desespero. No que consiste este pecado; o sujeito acredita que seu pecado é tão grande, que nem Deus é capaz de perdoa-lo. Parece até um absurdo aos olhos do bom cristão mas realmente é isso que as pessoas pensam, quando chegando ao ponto do desespero, concluem que seu pecado é maior que a misericórdia divina. Agindo assim, tomadas pelo desânimo e falta de coragem para levantar de sua queda promovida pelo pecado, rotulam a santíssima trindade de mentirosa e desistem da difícil caminhada que nos leva para a porta estreita.

Neste pecado de desespero, que podemos comprovar um exemplo dele na bíblia, quando o discípulo traidor Judas Escariotes, arrepende-se de entregar Jesus e tenta devolver as trinta moedas, embora o mal não pudesse ser desfeito, vendo seu intento ir por água abaixo entra em desespero e se mata; então tomado por este sentimento de derrota por antecipação, a pessoa não recorre mais a Deus. Por medo, por vergonha, por falta de coragem, por não conseguir sentir dentro de si o verdadeiro arrependimento, por achar que vai cair de novo no erro, por achar que Deus é infinita misericórdia e que vai lhe perdoar mesmo que eu não peça perdão, por achar que Deus quer todos no céu e, portanto vai me santificar e me colocar lá e assim, tantas outras formas de pensar.

Muitas pessoas agem, no entanto com uma atitude um pouco mais perigosa. Ficam a duvidar da graça, pois percebem que sempre estão a pecar. Grande erro porque o problema não está na graça, o problema está naquele que não abre seu coração para recebe-la. A bíblia nos ensina em sua santa palavra que sempre haverá graça frente ao pecado. Não é possível aos olhos de Deus, olhar para o filho arrependido, atenção, é preciso frisar bem, arrependido, que está a estender a mão num pedido de ajuda e não lhe conceder o necessário para se erguer da queda.

Romanos 5,20 – “Onde abundou o pecado, superabundou a graça.” Como vemos caros leitores chegarmos ao céu, embora consiste numa dura caminhada (Mateus 11,12) onde é preciso fazermos violência constante contra nossa natureza corrompivel, não está colocado numa estatura inalcançável. Está colocado onde não podemos chegar sozinhos (João 15,5) e não podemos chegar apegados ao mundo (Mateus 5,3) tão pouco fazendo uma caminhada que nos convenha (Lucas 9,23).

Se as coisas andam difíceis é preciso “Sermos alegres na esperança, pacientes na tribulação e perseverantes na oração”, já nos recorda o apóstolo dos gentios em sua carta aos Romanos 12,12. O pecado está aí com suas tentações, é uma realidade que cerca a todos. Uma realidade que existe para ser vencida e que, como resultado, irá nos presentear com a glória celeste. Se caímos na tentação e pecamos, que levantemos o quanto antes para que não aconteça que nossa hora de se apresentar diante do altíssimo nos surpreenda e que nos acometa com pecados graves em nossas obras. Se estamos a recair nos mesmos pecados pode ser que estamos tentando evita-los sem ajuda celeste, não estamos contando com a graça, nem estamos querendo “querer” esta graça e inclusive a graça do arrependimento, que precisa brotar do fundo do coração, de um coração que ao pecar ofende aquele que nos amou primeiro, nos criou por seu amor e se entristece se deixamos o seu auxílio de lado.


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fonte: Jefferson Roger

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