terça-feira, 7 de março de 2017

Preparação para Comunhão

No evangelho de São João, no capítulo 06, vemos Jesus dando um “puxão de orelha” na multidão que o seguia. O motivo era que ao procurarem não estavam atrás dele, mas do alimento que ele concedeu num encontro passado. E o próprio Cristo os desmascarou: João 6,26 – “Em verdade, em verdade, eu vos digo: estais me procurando não porque vistes sinais, mas porque comestes pão e ficastes satisfeitos". E dessa forma aprendemos que as pessoas em seu egoísmo podem procurar Jesus pelos motivos errados, não para servi-lo mas para ser servido por ele, não procurando o reino de Deus e a sua justiça e sim, fazendo da religião um meio para cuidar de si e de seus negócios. E é por isso que é fato, que muitas pessoas vão a igreja, rezam e comungam, mas fazem todas essas coisas pelos motivos errados, não procurando Jesus par servi-lo, volto a dizer, mas para ser servido por ele.

Então fica a pergunta, como mudar essa condição interior e bem nos prepararmos para irmos ao encontro do Jesus Eucarístico nesse belíssimo sacramento? Vamos entender, porém uma coisa. Na mesa eucarística é o mesmo Jesus que se oferece por igual para todos os fiéis. Ele se derrama com suas graças por inteiro para todos. Mas vejamos. Se colocarmos numa cachoeira uma piscina redonda de plástico, daquelas de cor azul, colocarmos uma bacia, colocarmos um balde, colocarmos uma jarra, colocarmos um copo e colocarmos uma tampinha de um frasco, todos irão ser cheios numa medida transbordante de água por estarem debaixo da cachoeira. Ora, é a mesma água que preenche cada recipiente, mas o estado de cada um limita a quantidade de água que ele pode receber. Assim é em nossa situação espiritual quando frente a santa comunhão. Se algumas pessoas aproveitam mais a comunhão que outras, a razão disso não deve ser procurada em Deus, é uma questão pessoal de disposição interior.

Nossa alma precisa de uma grande transparência se quer colher os frutos divinos. Assim como uma janela que não está bem limpa, bloqueia a claridade para dentro de uma casa, também nós, se estamos com o coração e alma soterrados pelas coisas do mundo, pecados e outras mazelas que nos afastam de Deus, não iremos receber a plenitude das graças. É como Nossa Senhora disse em suas aparições em Paris à Santa Catarina Labouré, que existem graças que os homens não recebem porque estão impedidos de recebe-las e por não as pedir.

Dessa forma, ao limparmos os vidros de nossas almas, a primeira coisa a ser feita é livrar-se das faltas mortais, as quais impedem a própria comunhão sacramental (1ª Coríntios 11, 27-29). No entanto, se buscamos a perfeição, sabemos que isso não é o suficiente. Compreendemos bem que uma pessoa no início de sua caminhada rumo a pátria celeste se preocupe em combater os grandes males, não dando tanta atenção para os menores. Mas, de quem já está há mais tempo perto do Senhor é esperado e necessário um cuidado muito maior, como por exemplo, evitar e desapegar-se dos pecados veniais. Quem não tiver esse cuidado, diz São João da Cruz, inutilmente irá pretender chegar num estado de perfeita união com Deus. E Padre Pio nos alerta que quanto maior a tentação, mais perto a alma está de Deus.

Nessa caminhada rumo aos céus, igualmente importante é combatermos nossas próprias imperfeições. Se queremos ser santos, e precisamos ser se queremos passar pela porta estreita, não devemos combater fazendo apenas o obrigatório, atuando para com Deus numa política de "salário mínimo". Progredir na caridade, significa ir além, é preciso esmero e perfeição. Uma pessoa que assiste à missa dominical inteira, por exemplo, está "em dia" com os mandamentos de Deus e da Igreja; se, além disso, ela participa não apenas de corpo presente, mas mergulhada de corpo, alma e coração, deixando durante aquela hora todas as coisas do mundo do seu lado de fora, a sua comunhão certamente será diferente e produzirá mais frutos. Em suma, para comungarmos bem, é preciso termos fome e sede do Santíssimo Sacramento, pois, como nos ensina Jesus, "quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede". O jejum eucarístico, que nos tempos de São Tomás de Aquino se iniciava a meia noite do dia anterior, depois foi modificado por Pio XII por três horas antes e finalmente Paulo VI alterou para uma hora antes, excetuando-se água e remédios, assim mantido até os dias atuais, é pedido pela Igreja para antes de se comungar, para justamente procurar despertar nas pessoas essa fome física, a qual, por sua vez, aponta para a sede espiritual que todos devem ter para receber com ardor a Santa Comunhão.


fonte: Jefferson Roger

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