segunda-feira, 24 de abril de 2017

A Reta Final

Esta expressão é de grande familiaridade no meio das pessoas. Numa corrida de automóveis ouvimos o narrador dizer que, por exemplo, o campeão da corrida apontou na reta final e cruzou a linha de chegada recebendo a bandeirada. Também ouvimos em outro evento esportivo a mesma expressão quando quem narra comenta que o atleta entra pela reta final para terminar a maratona olímpica em primeiro lugar. E assim caro leitor vamos, acostumados com esse significado, transferindo essa expressão para outras atividades da vida, fazendo uma acertada analogia com a origem da fala “reta final”. No entanto, se olharmos com um pouco mais de cuidado veremos que qualquer reta final acaba por se tornar o início de uma coisa nova, de uma nova etapa. No mesmo exemplo da corrida de automóveis que demos, a cada corrida vencida, os competidores aguardam pela próxima etapa do campeonato. Quando o campeonato termina, os corredores aguardam pelo próximo ano, para a disputa do próximo campeonato. Os maratonistas olímpicos, da mesma forma, a cada competição, continuam suas preparações para a próxima prova do calendário anual sendo assim, ano após ano.

Como podemos perceber, a natureza humana, que tem em seu cerne imitar a natureza divina, possui dentro de si um sentimento que lhe impulsiona sempre a se movimentar, sempre a seguir um rumo, sempre a seguir uma direção, sempre a progredir e melhorar. É próprio do ser humano não estacionar em sua evolução pois se algo assim vem a acontecer, esta inércia na vida da pessoa, traz com ela consequências não muito sadias. Desta forma, já que somos a única forma de vida do planeta composta por corpo e alma, podemos transportar esta condição de inquietude e busca incessante do homem por algo mais, para a esfera espiritual. E aqui especificamente falaremos da catequese católica. Período em que, por cerca de cinco anos, um pouco menos ou um pouco mais, nossas crianças, jovens, adolescentes e também os adultos convertidos e regressos para o caminho de Jesus, passam por um convívio mais intenso na Igreja de Cristo (Mateus 16,18) onde se busca nessa caminhada ouvir o eco da palavra de Deus em suas vidas, aprender com ela, crescer com ela e receber os frutos da experiência pessoal que se espera e procura fazer com Deus.

O que ocorre algumas vezes, é que aquele que está vivendo a experiência de ser catequisando, seja em que fase de sua vida for, passa por uma tendência de tratar as etapas da catequese como períodos concluídos, períodos de encerramento e até mesmo de formatura, como se fossem etapas de ensinos e cursos acadêmicos, cujos propósitos são bem diferentes. O ensino acadêmico visa o progresso pessoal na vida profana, nas coisas do mundo. O ensino catequético visa o progresso espiritual com fins para a vida eterna. No entanto é preciso ressaltar que eles acabam por influenciarem-se entre si. Isso é fácil de se ver pois uma boa formação catequética termina por formar uma pessoa também para ser um outro Cristo no mundo. Da mesma forma o ensino acadêmico contribui para a compreensão de toda a criação divina e sua interação com as interferências do homem.

Com isso percebemos que não podemos ficar estanques em nossa caminhada, seja material ou espiritual. Uma pessoa que se forma em medicina, nunca para de estudar, pois é preciso sempre acompanhar a evolução dos problemas que afetam a saúde da humanidade. Uma pessoa que trabalha em informática precisa sempre estar estudando os avanços tecnológicos. Da mesma forma o cristão católico não pode deixar que sua catequese seja apenas um acontecimento que tenha um início e fim, falando-se no aspecto temporal. Jesus deu-nos a dica, ele disse “sem cessar”. E por quê? Simples de se ver. Não se tem notícia neste mundo de que o diabo “pendurou a chuteira, se aposentou” e resolveu deixar as pessoas em paz para que possam trabalhar pela sua salvação pessoal e a salvação dos irmãos. Muito pelo contrário, o diabo não se distrai e não mede esforços para convencer quantos puder a aderirem a sua rebeldia contra Deus. “Rogai por nós, agora e na hora de nossa morte” é o que rezamos na oração da Ave-Maria e também rezamos pedido a Deus no terço de São Miguel que “dignai-vos, nós vo-lo pedimos, de sermos preservados por ele de todos os nossos inimigos, a fim de que na hora de nossa morte nenhum deles nos possa inquietar”. Como podemos ver, o combate segue até a hora de nossa morte e, portanto, é preciso a cada “reta final” de nossas vidas, de nossa caminhada, seguirmos para a próxima etapa, na busca de um crescimento como pessoas mais humanas e mais cristãs, imitando (1ªCorintios 11,1) as duas naturezas de Jesus. Do contrário, se não crescermos e não nos esforçarmos, corremos o risco de ouvir de Jesus aquelas palavras do sermão da montanha “que recompensa tereis?” (Mateus 5,46).


fonte: Jefferson Roger

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