quinta-feira, 27 de abril de 2017

A vigilância do casal

Quando se passa muito tempo de uma vida em convivência com uma pessoa, torna-se fato de que essa pessoa se tornará quem mais nos conhece. Mesmo que ela diga que passou tanto tempo conosco e não nos conhece não pode ser verdade. Alguém que divide sob o mesmo teto tudo que a vida nos impõe, se assume para si o compromisso confirmado na presença de Deus, no ato do sacramento do matrimônio, essa pessoa, que agora é o cônjuge, irá passar pela purificação que faz parte dessa condição criada no princípio (Gênesis 2,24). O que Deus uniu, não separe o homem, confirmou mais tarde Jesus. Sendo assim, essa realidade pensada e criada por Deus, é muito conhecida por nosso cruel inimigo número um, que quer arrastar quantos puder para seu lado. Ele não mede esforços para ceifar a salvação eterna da vida das pessoas. Nós sim, agimos de forma bem diferente e quantas vezes nosso esforço nem chega ao patamar mínimo. Com uma alma para salvar e uma única vida para fazer isso, sem sabermos o quanto ela dura, ficamos a brincar com fogo e correndo o risco de nos queimarmos. Existe sempre a história do leite derramado. Depois, não adianta chorar.

Pois bem, dizia eu que o danado do diabo se mete em toda parte. Ele como lemos na carta de São Pedro nos espreita como um leão procurando a quem dar o bote. E por que espreita? Porque ele sempre anda atrás de uma brecha para se enfiar. O diabo não precisa que abramos toda a porta do nosso coração e permitamos que ele entre com suas oferendas. Basta uma fresta consentida para ele conquistar o resto. Se dermos espaço e dialogarmos, as ocasiões de pecado podem se tornar pecados capitais e deste ponto em diante os pecados graves começam a despontar no fim do túnel, aguardando a derrocada do cristão.

Se sozinho precisamos ser vigilantes, quanto mais se vivemos uma vida a dois ou ainda uma vida em família. Na carta de São Tiago 3,16 lemos que “onde houver ciúme e contenda, ali há também perturbação e toda espécie de vícios." E vejamos, caro leitor, a beleza das sagradas escrituras. Não se trata de um ciúme que inevitavelmente brota de um coração que muito ama alguém e quase não se controla mas sim de um ciúme que é conhecido como doentio, porque ele invade os limites que lhe cabe. Um ciúme assim é gerador de brigas (contendas) e de forma capital todos sabemos que as brigas deixam feridas, que mesmo que cicatrizem deixam marcas que podem virar “armamento” em futuras discussões, caso os entreveros não tenham sido resolvidos. E assim, nesse ambiente vai se instalando satanás. Ele vai fomentando mais e mais discussões, causando constante perturbação que vai se alastrando para todas as áreas da vida e vai paralelamente implantando as tentações que, na fragilidade da batalha, levam as pessoas aos vícios, que são muitas vezes os pecados. Efésios 4,26-27 vai nos dizer que “mesmo em cólera, não pequeis. Não se ponha o sol sobre o vosso ressentimento. Não deis lugar ao demônio.” Porque como bem sabemos, se cedermos, cairemos. A vigilância se não for constante assim como a doação, renúncia e perdão mútuo, fatalmente um casal vai sofrer duramente as investidas do mal. E o maligno sabe muito bem qual membro de uma família deve tentar para derrubar a família inteira.

Já sabemos pela boca do próprio Jesus que sem ele não podemos fazer nada (João 15,5). Sozinhos dificilmente conseguimos resolver os problemas. Sozinhos, já dizia Santa Catarina de Sena, “só conseguimos nos condenar e sem a ajuda dos demônios”. Somos muito bons em promover nossa própria miséria mas muito débeis em reconhece-la e nos humilharmos perante Deus para que ele estenda sua mão. O orgulho trabalha contra nossa humildade. Não deve ser assim e nem precisamos temer isso porque Jesus disse que “quem se humilhar será exaltado”.

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fonte: Jefferson Roger

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