quarta-feira, 17 de maio de 2017

A Virtude da Temperança

Temperança é moderar e equilibrar os prazeres sensíveis. Essa virtude nos é muito importante porque através dela não iremos cometer pecados de ira. Lembrando que a ira é um dos pecados capitais e, portanto, perigosíssimo para a condição da alma. Muitas pessoas já passaram ou já testemunharam a situação onde, num momento apenas, ao invés de ficarem calados, falaram o que não deviam, na hora errada e para a pessoa errada. Em minutos de descontrole podemos arremessar uma saraivada de flechas (palavras) em direção certeira, capazes de perfurar e penetrar tão profundamente o alvo (as pessoas), que mesmo que se retire a flecha e se faça um curativo no local do machucado já será tarde, irá ficar a cicatriz e sabemos muito bem que, velhas feridas se não forem bem tratadas, podem se abrir.

A falta desta virtude em nossas vidas faz com que nossos comportamentos fiquem no campo do “demais”. Comemos demais, falamos demais, trabalhamos demais, brigamos demais, quando podemos dormimos demais, tudo no ser humano que não possui a temperança é demais. E notemos que o demais vale também para as coisas boas, senão não existiria a virtude da temperança. Vemos alguns exemplos assim na bíblia e posso aqui destacar um. Trata-se da questão de vigiar e orar sem cessar e da relação marido e mulher. Nas cartas apostólicas e nos evangelhos vemos que é preciso oração e vigilância constante, mas a beleza da virtude da temperança, que não vem para estragar relação interpessoal de nenhuma natureza, se apresenta para contribuir com a questão quando vemos em outra parte das sagradas escrituras que o casal não deve deixar de se relacionar concedendo, de comum acordo, um intervalo para que se dediquem as práticas religiosas da oração.

Como vemos, a temperança nos traz o equilíbrio, a ponderação, a calma e a paciência. Quem tem a virtude da temperança consegue contar até dez e não faz burrada. Procura organizar seus pensamentos e dar atenção a tudo que importa e que frutifica em sua vida, descartando os pensamentos que nos conduzem até a ruína da alma. Se dermos asas aos nossos pensamentos e atendermos os apetites de nossos corpos, de dentro de cada um de nós irá brotar um tarado insaciável, ou um assassino, ou um psicopata, ou um ladrão ou.... Os pecados da carne são os que mais condenam as pessoas ao fogo do inferno, porque são pecados cuja participação do corpo acontecem em alto grau.

Nosso corpo se comporta como uma criança birrenta que esperneia e faz aquele dramalhão em alto e bom som até que seja finalmente atendido. E nosso corpo é incansável no combate contra as virtudes. Por isso é preciso violência contra ele (Mateus 11,12). Se ele não for domesticado iremos ser seus escravos e nossas vidas não serão mais guiadas pelo coração e sim pelo corpo. Como Jesus nos ensinou que tudo brota do coração, assim que brotado está, as coisas se instalam na mente, para em seguida o corpo ser submetido.

No entanto essa ordem se altera se um dos nossos inimigos da alma, que são três, conseguirem êxito contra nossa santidade. O mundo, o corpo e o diabo tentam invadir nosso centro de comando, o coração, para então embotar nossa mente e tomar as rédeas de nossas atitudes. Pecado gera pecado e seu sabor é muito gostoso na boca (se fazer), mas quando chega no estômago (depois que se fez), sua essência aparece e todo um mal-estar acontece (no coração e consciência). Se não dobrarmos nossas vontades e não utilizarmos constantemente a virtude da temperança, facilmente, mas muito facilmente nossa balança irá pender para o lado das facilidades, prazeres e falta de compromissos com tudo que é sério e realmente importa e contribui para nossa salvação. Quando se modera os prazeres sensíveis através da virtude da temperança, o que se faz é corrigir o uso que fazemos dos sentidos e da mente. Por isso se chamam prazeres sensíveis, pois é tudo aquilo que pode ser sentido e experimentado. Corrigindo o uso dos sentidos mantendo cada um dentro da sua finalidade, a tentação da curiosidade se manterá afastada e não haverá vontade de “se ver como é” isso ou aquilo. Quando cedemos um pouco isso não importa porque de fato cedemos por inteiro abrindo toda a nossa guarda. Ou alguém já ouviu dizer que fulano teve um meio tombo? Levou um tombo pela metade? Quando se cai, realmente se cai, não se cai um pouco. Então, sigamos em frente colocando todos os dons recebidos de Deus ao seu serviço, primeiramente, depois ao serviço do próximo e posteriormente ao nosso serviço pois do contrário, sem a temperança, nossa vida será temperada com o veneno do inimigo.

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fonte: Jefferson Roger

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