quarta-feira, 10 de maio de 2017

As farpas da discussão

Se estamos em concórdia, estamos com o coração no mesmo lugar, estamos em sintonia e de pleno acordo colocando de lado nossa verdade em prol de uma verdade superior. Jesus, que é o caminho, a verdade e a vida. No entanto, aquilo que entendemos por nossa verdade, todavia não é algo que deva ser completamente descartado. Pois nossa verdade deve ser configurada aos moldes do Cristo. Cada pessoa, por ser única, detém em si, uma realidade global e universal que a cerca, mas também detém a exclusividade de coisas que particularmente lhe competem naquilo que é seu estado de vida.

Houve-se por aí o ditado popular que diz que religião, política e futebol não se discutem. É preciso entender a origem do dito para compreender do que se trata essa fala. Popularmente falando esses três assuntos são conhecidos por serem polêmicos. Polêmicos porque suas naturezas competem para oferecer mais de um ponto de vista pessoal a respeito do todo. Como diferentes pontos de vista, geram diferentes opiniões e diferentes opiniões podem gerar discussões, ao ponto que se elas se tornarem encaloradas, as trocas de ofensas começam e as discussões terminam sempre sem nenhum vencedor. Como pode haver vencedor se o debate girava em torno de duas verdades opostas? É como sempre se diz do matrimônio, se não houver doação e não ceder as intrigas, conflitos e discussões transformam o dia a dia e a rotina num verdadeiro cenário de batalha. E mais cedo ou mais tarde, começam a aparecerem os feridos.

Discutir é algo inevitável e não é sempre algo ruim. Numa empresa acontece uma reunião para se discutir metas e diretrizes. Uma equipe de festa se reúne para discutirem e planejarem os passos para que se realize um bom e bem planejado evento. Quando se discute, se deve ouvir e falar, cada coisa a seu tempo, respeitar e se dar ao respeito. Compreender que cada pessoa é única e tem o seu valor, suas ideias e seu modo de pensar. No entanto, nosso modo de se comportar, espiritualmente falando, precisa seguir o modelo de Jesus (1ª Coríntios 11,1). Precisa se configurar ao modo de agir e pensar de Jesus e assim nosso coração começará a se assemelhar ao dele, manso e humilde.

No entanto, vez por outra, esses embates caminham por limites perigosos, como bem sabemos, e as farpas penetram nos dois lados. Na tentativa de se vencer o combate, promovendo argumentos que validem a nossa verdade, quando essa está separada da verdade de Jesus, esses argumentos correm o risco de se tornarem flechas ofensivas que ferem, magoam e ofendem a outra parte, como se ela estivesse amarrada na linha de fuzilamento. Ou você aceita ou morre. Depois, a poeira abaixa e quando uma discussão termina, já que não existe um vencedor, se a discussão segue esses moldes, então os dois lados precisam redigir seus pedidos de desculpas. Porque não agiram conforme está escrito em Efésio 4,26 – “Mesmo em cólera, não pequeis. Não se ponha o sol sobre o vosso ressentimento.” Se achamos que não devemos pedido nenhum de desculpa e perdão, continuamos a agir segundo nossa verdade, endurecemos nosso coração e mentirosamente pedimos na oração do Pai Nosso que Ele perdoe as nossas ofensas. De outro modo, também, se procuramos agir como o Cristo, temos que agir gratuitamente e não esperando que já que pedimos desculpas temos o direito de exigir que nos peçam. Se nos pedem, graças a Deus, mas se não nos pedem é sinal de que precisamos rezar mais.

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fonte: Jefferson Roger

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