quarta-feira, 24 de maio de 2017

Deixe o pecado no passado

Quando lemos no evangelho que Jesus diz “vá e não peques mais” está muito claro que ele, que no mínimo espera o máximo de esforço de nossa parte, quer uma vida de conversão. O vá e não peques mais quer dizer que devemos abandonar os velhos hábitos que procuram alimentar pecados de estimação. Como diz São Tomás de Aquino é preciso um verdadeiro arrependimento para que saiamos do estado de pecado para o estado de graça num grau de santidade maior. Se depois do pecado confessado, nosso estado permaneceu o mesmo ou até diminuiu, corremos o risco de estarmos confessando os pecados na atrição imperfeita e quase nula. Cuidado, pode até ser, por nossa culpa, uma confissão com absolvição inválida.

O pecado não deve ser tratado como a limpeza de uma casa. Muitas famílias por levarem uma vida muito agitada acabam por se unirem nos finais de semana para fazer aquela faxina na casa. É pó para tirar, aspirador para passar, afastar mesas e sofás para limpar embaixo, passar pano no piso, colocar roupa na máquina para lavar, limpar o banheiro e assim por diante. Sempre existe o que se fazer dentro de uma casa. Como dizem as mulheres, se quiserem nunca ficarão sem fazer alguma coisa dentro de casa pois sempre há o que limpar, ajeitar, arrumar e por aí vai. Há os que se deixam abater e não se dedicam ao esmero no assunto da limpeza, afinal, dizem eles, vai ficar sujo tudo de novo! E por que vai? Tirando os fatores externos existe o zelo pessoal de cada um. É cuidar quando faz as refeições para não ficar derrubando migalhas pela casa, cuidado ao limpar os pés para entrar na casa. Não limpar saco de aspirador de pó sem o devido cuidado e assim por diante.

Com o pecado não deve ser assim porque se mantivermos os mesmos hábitos que nos levaram a pecar iremos experimentar a tristeza da recaída. E Jesus alertou sobre essa gravidade nos ensinando que na recaída o esforço precisa ser sete vezes maior para escaparmos do vício e voltarmos para o estado de graça. Deixar o pecado no passado significa abandonar as ocasiões de pecado. Quando cometemos nossos pecados sabemos muito bem qual foi nossa conduta para que isso acontecesse. Um motorista que meio desatento entra numa rua sem saída e não percebe a sinalização de advertência que informa essa condição, termina por ter que ao final da rua fazer uma manobra de retorno para prosseguir pelo caminho correto. Certamente agora esse motorista não irá mais cometer o engano de entrar na mesma rua outra vez. Nós devemos agir assim, com consciência e aprendizado de cada atitude que vivemos e vemos os outros viverem para não repetirmos as ações que sabemos conduzir-nos rumo a ladeira dos ímpios para a condenação eterna.

Por isso se peca gravemente, a pessoa sabe que aquilo é errado e quer fazer, afinal pensam que de que adianta se arrepender e confessar o pecado se lá adiante estarei pecando novamente? Exatamente como a psicologia por trás da limpeza semanal de uma casa. Pensando assim aos poucos a pessoa vai sentindo os duros golpes da tentação que vai deixando trincas no pensamento e no coração. Por estas brechas o diabo consegue convencer os desatentos e distraídos de que Deus é misericórdia e que podemos fazer o que quisermos nessa vida pois ele irá nos conduzir ao céu até mesmo contra nossa vontade, basta que não pequemos contra o Espírito Santo.

São flertes nas redes sociais e trabalhos, pais e mães que mantém um relacionamento paralelo em suas vidas matrimoniais, filhos que fora de casa agem escondido pecando em grupo por conta das más companhias e todas as muitas formas de pecados que nada mais são do que um gordo salário a ser recebido ao final de nossa jornada (Romanos 6,23).

Romanos 6,17-23 – “Graças a Deus, porém, que, depois de terdes sido escravos do pecado, obedecestes de coração à regra da doutrina na qual tendes sido instruídos. E, libertados do pecado, vos tornastes servos da justiça. Vou-me servir de linguagem corrente entre os homens, por causa da fraqueza da vossa carne. Pois, como pusestes os vossos membros a serviço da impureza e do mal para cometer a iniquidade, assim ponde agora os vossos membros a serviço da justiça para chegar à santidade. Quando éreis escravos do pecado, éreis livres a respeito da justiça. Que frutos produzíeis então? Frutos dos quais agora vos envergonhais. O fim deles é a morte. Mas agora, libertados do pecado e feitos servos de Deus, tendes por fruto a santidade; e o termo é a vida eterna. Porque o salário do pecado é a morte, enquanto o dom de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.”


fonte: Jefferson Roger

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