sexta-feira, 12 de maio de 2017

Desculpinha ou Desculpona

João 19,10-11 – “Pilatos então lhe disse: Tu não me respondes? Não sabes que tenho poder para te soltar e para te crucificar? Respondeu Jesus: Não terias poder algum sobre mim, se de cima não te fora dado. Por isso, quem me entregou a ti tem pecado maior.” Dessa forma, caros leitores, fica muito claro a todos nós, que existem diferentes níveis de pecados e ninguém mais que nosso salvador nos ensina sobre isso. Outras passagens bíblicas também seguem na mesma linha de explicação sobre a questão da gravidade das faltas, mas com esse trecho do evangelho de João fica muito claro que existem pecados menores e pecados maiores. E isso está diretamente relacionado com o grau de glória que cada um receberá no céu. Uma pessoa que passa a vida inteira de costas virada para Deus e no instante da morte recebe a graça da contrição perfeita, absolvição final e com isso é admitido ao purgatório para satisfação de suas penas, então perdoadas, sem dúvida não colocará Deus, que é infinita justiça e sabedoria, um pecador assim convertido, num mesmo grau de glória do Padre Pio ou de Santa Catarina de Sena. Se isso acontecesse, Deus seria um mentiroso e estaria se comportando como se, aos rogos de Maria Santíssima, desse um jeitinho em burlar sua própria lei e abrir uma exceção aqui, outra ali só para agradar a Virgem.

Não é assim, isto é humanamente fácil de entender. Com pouco esforço ao se estudar as escrituras e a tradição da igreja aprende-se que o comportamento do altíssimo não é parcial. A própria Santa Tereza de Ávila, numa graça concedida por Deus, lhe foi permitido fazer uma aparição as noviças do convento onde ela era abadessa enquanto em vida para transmitir o seguinte: dizer para as suas dirigidas para se esforçarem mais no caminho de Jesus. E ela conclui sua exortação dizendo: “Se pudesse voltar a terra, eu desejaria passar por todos os sofrimentos possíveis para receber no céu um grau de glória maior”.

Como vemos e até já sabemos que o Cristo espera de cada um de nós, no mínimo, o máximo de esforço, precisamos ser vigilantes para que possamos evitar toda a natureza de pecados. Jesus nos disse que nossas faltas serão perdoadas a exceção do pecado contra o Espírito Santo, mas convenhamos, temos que nos esforçar pois diariamente se não levarmos nossa vida a sério, ficamos tendo que implorar as desculpinhas e desculponas de Jesus, através de nossas penitências e confissões. Se assim temos consciência de que precisamos agir em relação aos cuidados de nossa alma, quanto mais em relação as pessoas.

Da parte de Deus nós esperamos sempre um pronto atendimento, queremos que ele sempre esteja online quando nos conectamos com os céus através de nossas orações, mas de nossa parte o que fazemos? Muitos se comportam como os leprosos da parábola, dez foram curados por Jesus mas somente um voltou para agradecer. Por que será que os outros não voltaram? Talvez porque achassem que Jesus não fez mais que sua obrigação e assim, imersos em suas verdades, achavam que não precisavam agradecer. O mesmo comportamento vale para a atitude de pedir desculpas. Quanto mais grave o erro, mais vergonhoso é pedir desculpas porque o arrependimento exige que se assumam todas as atitudes que no fundo não estavam em conformidade com a vontade de Deus. Sempre é assim porque só erramos quando tentamos caminhar sozinhos pelo vale de lágrimas. Se no vale caminhamos seguindo a Jesus e deixando que ele nos conduza, nosso esforço e provações se tornam mais amenizados pois, como diz Santa Catarina de Sena, quando o cristão abraça a cruz, ele para de padecer.

E assim devemos nos retratar por todo o erro cometido. Na doutrina dos santos patriarcas é bem dito que se não tememos os pecados veniais ao comete-los, devemos temer ao conta-los, porque não é do dia para a noite que se cai no abismo, vários passos são dados em sua direção para que se cometa em mim o passo final e se cometa o pecado grave. Cuidado! Pecado gera pecado. Se aprendermos a pedir perdão por pequenas falhas, conseguiremos com está prática pedirmos perdão pelas faltas mais graves. Entre nós e Deus e entre nós e o próximo. Basta vivermos pautados na Verdade, no Verbo Encarnado e não pautados sobre nossa verdade, que facilmente se corrompe. É preciso como diz a música vivermos “banhados em Cristo para sermos uma nova criatura e as coisas antigas se passarem.


fonte: Jefferson Roger

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