segunda-feira, 12 de junho de 2017

Em pé perante a cruz

Se existe uma coisa que nos é muito difícil é permanecermos em pé perante nossa cruz. Ela que nos foi dada por Cristo para alcançarmos nossa salvação, hora pesa menos, hora pesa mais. Assim pensam as pessoas porque a sensação de pesar menos acontece nos períodos de consolação enquanto que a sensação de que ela pesa mais acontece nos períodos de sofrimentos. No entanto o motivo sempre é de grande alegria e é preciso sempre recordarmos a seguinte questão. Assim como o ouro tem seu valor quanto maior o seu peso, maior o seu quilate, da mesma forma a cruz de cada dia. É fácil para cada um levar a cruz quando nossa amizade e comunhão com Deus não está passando por nenhum crescimento que exige de nós alguma provação. Felizmente para todo mundo, Deus alterna a estiagem da alma para que não caiamos na soberba e não afrouxemos nas práticas espirituais. Como somos falhos e não podemos por força própria crescermos até a estatura de Jesus, almejada por aqueles que querem a glória eterna (1ª Coríntios 11,1), Deus entra com suas provações para nos ajudar a crescer no amor e na santidade.

Nessas horas muitos de nós tomam ciência de quão fraca era a sua fé. Por causa dos períodos de consolação a pessoa vai arrefecendo na fé e se acomodando por achar que a luta, que termina na hora da morte, já terminou e que já venceu perante o inimigo. É um verdadeiro chacoalhão no sujeito que pensava ser um bom cristão e enraizado no evangelho de Cristo. Basta uma sucessão de tribulações, sofrimentos, provações, dificuldades e todo tipo de intervenção que modifique nosso marasmo e comodismo para reclamarmos em bom e alto tom a Deus: o que fiz para merecer tudo isso? Que Deus injusto!

Se achamos isso não entendemos das coisas. Será que Jesus achou injusto passar pelo que passou por todos nós e ainda ter que terminar na cruz? Será que Maria Santíssima achou injusto passar por tudo que passou e ainda ter que ficar em pé perante a crucificação de seu filho, sofrendo com ele toda a paixão? Se tivessem achado isso e se retirado de seus desígnios o que teria sido de nós.

Nem cogitamos e se cogitamos achamos que Deus teria arrumado outra maneira. Porém não nos cabe filosofar sobre esse patamar já que o que se reflete aqui é quanto estamos dispostos a seguir os planos de Deus, cientes de tudo que ele nos oferece com seu amor exigente. Nunca se ouviu dizer na história da humanidade que tenha sido fácil para alguém chegar na glória celeste. Não é assim, não há como trilhar um caminho, que é único para a porta estreita sem ser afetado por tudo que nele existe. É como o sujeito que não quer seguir os carreiros que existem dentro de uma grande plantação, quer andar por meio dela onde não lhe é capaz enxergar a sua frente. Caminha às cegas! Na carta aos Coríntios São Paulo nos recorda: “quem está de pé, veja que não caia”. E não poderia ser mais acertado esse apontamento porque o ficar em pé aqui trata-se da questão espiritual. Os pesos das dificuldades caem sobre nós como a força da gravidade, como se uma rocha cada vez maior estivesse sobre nós fazendo pressão para nos esmagar. Se tentarmos nos mantermos sozinhos não conseguiremos (João 15,5), nossa força vai até certo limite. Precisamos nos agarrar a Jesus, pedir o auxílio de Maria Santíssima e de toda a milícia celeste pois nosso inimigo que nos ronda como um leão buscando a quem devorar, faz o máximo esforço possível para nos derrubar. Ele nos quer caídos, chafurdando na lama do pecado, quer nossa desgraça e muito se alegra se compramos suas ofertas mentirosas de felicidade deste mundo. A vida em abundância prometida por Jesus é uma vida feliz e completa e isso inclui, as provações tão necessárias para nosso crescimento espiritual. Não desanimemos, peçamos sempre a Deus que nossa fé seja aumentada para que dentro de nós cresçam os verdadeiros motivos pelos quais nos manteremos firmes na caminhada rumo a pátria celeste.


fonte: Jefferson Roger

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