terça-feira, 11 de julho de 2017

A Lista Negra

Ainda me lembro quando criança de que na escola, os alunos que aprontavam alguma coisa que fugia das regras disciplinares, eram levados pela professora ou pelas cuidadoras de pátio até a diretora. Ela tinha uma conversa com o rebelde ou a rebelde e então seu nome era inscrito num livro que tinha uma capa dura na cor preta. Era um controle da escola para acompanhar incidências e reincidências comportamentais das crianças que não caminhavam segundo as normas da instituição e das boas maneiras. Penso que o livro “pegou” esse apelido por ser de capa na cor negra. Quem tinha seu nome nessa lista passava automaticamente a ter sua reputação manchada no ambiente escolar. O boca a boca tratava de divulgar o acontecido e essa marca acompanharia o infrator por toda sua vida estudantil pelo menos naquela instituição. “Fulano foi para a lista negra da diretora”.

Feito esse pequeno apanhado histórico fato é, de que o conceito é muito bem aceito em nossa sociedade, muito bem utilizado e se aplica com facilidade em várias áreas de nossa vida, material e inclusive espiritual. Entendemos por lista negra uma lista onde encontramos itens que são, de alguma forma, contrários a tudo que é bom ou apresentam características que não condizem com o que é certo. Podem ser de diversos tipos. Listas de coisas que não devemos comer ou beber porque nos fazem mal; listas de afazeres que não devemos fazer porque são prejudiciais ao nosso bem-estar social e por aí segue adiante. Claro que o conceito também aplicamos de forma mais amena. Criamos uma lista das coisas que não gostamos de fazer; criamos uma lista dos tipos de músicas que não gostamos de ouvir ou uma lista do tipo de programas televisivos que não gostamos.

Porém, podemos criar listas mais prejudiciais a nós mesmos. Podemos priorizar erroneamente nossas atividades diárias deixando em segundo plano as práticas religiosas e aí residem os perigos. Corremos o risco de criarmos uma lista daquilo que não gostamos de fazer e, embora precisemos, pois se trata da salvação de nossa alma, colocamos em nossa vida em grau de menor importância, no segundo plano ou nem isso. “Eu não gosto de ir na missa, não gosto de ler a bíblia, não gosto de me confessar, não gosto de padres e bispos, não gosto de comungar (nem acho que é preciso), não gosto disso, não gosto daquilo e assim quando nos dermos conta, uma bela lista negra, muito bem aplaudida e endossada pelo diabo, passa a fazer parte de nosso cotidiano. Que perigo! E maior ainda é o perigo quando, acatando o convite dos inimigos de nossa alma, passamos a trocar a lista dos mandamentos, preceitos e bem-aventuranças pela lista dos prazeres. Convencidos de que Deus sempre nos apresenta suas listas de proibições e de pode e não pode, tratamos de viver sob a falsa felicidade de seguirmos listas próprias ou pacotes e combos de listas com muito mais atrativos terrestres. Que lástima e que pesar. Triste fim dos que, na encruzilhada de suas vidas, escolhem descer a ladeira ao invés de subir o caminho pedregoso.

Certo é, no entanto, que Deus odeia muitas coisas e atitudes do pecador, mas não o próprio pecador, do contrário seria um Deus mentiroso. Por toda a sagrada escritura encontramos princípios, leis, normas e regras, mas também encontramos tudo que possa vir de bom do Deus misericordioso. Encontramos lista de pecadores e abominações mas encontramos listas de boas práticas. Nos cabe sempre uma escolha. As vezes caímos na tentação de fazermos uma lista negra de pessoas que não são do nosso maior afeto. Não combinam com o nosso pensar, com o nosso agir ou com a forma como vivemos. Normalmente quem vai parar nesta lista negra acaba por nós sendo colocado muito distante de nosso convívio, evitado, ignorado e literalmente deixado de lado. Em algum momento de nossas vidas, algum tipo de provação soltou fagulhas que “feriram de morte” nossos sentimentos ou algum princípio ou ainda alguma forma de vermos as coisas da vida. São diferenças que não conseguem ser resolvidas e os integrantes dessa lista acabam no limbo. A lista até pode existir, não existe proibição divina quanto a cria-la. O que existe sim, nas sagradas escrituras, é o ensinamento de como devemos nos comportar com o próximo, independente de listas. São Paulo diz que devemos nos suportar uns aos outros por amor a Deus. Jesus diz que se fizermos as coisas só por quem gostamos que recompensa teremos? Muitos param automaticamente de rezar por alguém que lhes ofendeu ou então nunca rezam pelos inimigos, como ordena Jesus. Devemos, nos ensina Jesus, bem proceder para com o inimigo, ou seja, para aqueles que se colocaram em nossa lista negra ou para aqueles que colocamos lá. Ainda nos diz Jesus que devemos ser santos como o pai do céu é santo, que faz chover e nascer o sol sob justos e injustos. A tarefa é sempre mais difícil quanto mais nos apegarmos ao orgulho ao invés da humildade. Jesus nos diz que não devemos agir para com o próximo da maneira que não gostaríamos que agissem conosco. Paremos para pensar que também nós podemos estar na lista negra de alguém.

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fonte: Jefferson Roger

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