sexta-feira, 21 de julho de 2017

Agarradinho

Todo casal que se preze já passou pela experiência de dormirem juntos nas mais variadas posições. Antes do início da sua vida matrimonial, seus hábitos de solteiros incluíam dormir nesta, naquela ou nestas posições e sempre se ouviu dizer que eu durmo melhor assim ou melhor assado, não consigo dormir desse jeito ou daquele jeito. E por aí vai. Também é possível se observar que ao longo da vida as pessoas vão mudando seus hábitos noturnos e isso inclui também as posições para dormir. Vai se descobrindo uma melhor forma de aconchego, melhor combinação de roupas para dormir, melhor combinação de cobertores, melhores horários e até uma melhor posição da cama dentro do ambiente.

Porém, se ao longo da vida vamos descobrindo pela vivência todas essas coisas, uma grande guinada nisso tudo acontece quando passamos a viver a dois. Dormir, atividade que tem por objetivo principal colocar o corpo em repouso para a restauração das suas energias físicas e químicas, passa então a ser exercida num ambiente diferente, numa cama diferente, compartilhando o acontecimento com a pessoa amada. Agora, como acontece em todas as áreas da vida a dois do momento a partir da transição em diante, dormir será uma coisa a se fazer de forma compartilhada, cedendo um pouco aqui e ali. Cada membro do casal sente frio ou calor de modo diferente, precisa de horas diferentes de sono para restaurar as forças, dorme em posições diferentes, tem rituais diferentes antes de deitar para dormir, enfim, agora com as trouxinhas de roupa juntadas é hora de partir em viagem a dois.

Uns se batem mais, outros se batem menos, outros roncam, outros falam dormindo, outros puxam cobertores e tantas outras coisas acontecem na cama. Se um sente mais calor que o outro dorme com menos cobertores ou por cima deles. Se sente mais frio é aquela montanha de cobertas ou muitas roupas por debaixo delas para resolver a situação. Seja como for as coisas são assim mesmo e, vale sempre lembrar, fazem parte de um mandato bíblico (Gênesis 2,24). Os dois se tornarão uma só carne. Pois bem, todo o dia é assim, marido e mulher dormem juntos. As vezes um dos dois dorme na sala. As vezes dormem na mesma cama mas um quase caindo de um lado da cama e outro quase caindo do outro lado. Quando possuem filhos pequenos, não é raro algumas noites serem dormidas a três. Filho junto com o casal.
No entanto de todos os momentos da vida a dois passados nas horas de sono, um deles é muito agradável de ser vivido. Dormir agarradinho, seja de lado ou não. O casal que deita e se aconchega para dormirem juntos dão prova em comum de que muito se amam, se querem e se respeitam. Aproveitam o momento necessário do descanso para descansarem juntos e abraçados. As vezes o cansaço do dia a dia não permite muitas delongas antes do sono bater a porta, é deitar, se aconchegar no calor do outro, se ajeitar para não ficar numa posição desconfortável para ambos, agradecer a Deus pelo dia que passou e por mais uma oportunidade de ter onde morar, onde deitar, tomado banho e alimentado e com a pessoa que Deus nos deu para vivermos até o fim de nossos dias. Dormir agarradinho não é só um ato físico e sentimental, é também uma expressão de carinho e amor que demonstra a preocupação em querer fazer o bem a pessoa amada, aconchegando-a em nossos braços para que ela, segura e feliz, possa descansar tranquila na certeza de que seu marido ou sua esposa aceitou o compromisso da aliança de sangue que é viver em família, enfrentando todas as tribulações da vida. É na alegria e na tristeza. Se o casal está de bem se despedem para irem ao trabalho e dormem abraçados. Se estão com alguma desavença saem de casa sem se falarem e no meio da cama surge uma muralha de ressentimentos e mágoas que separam os dois cada vez mais. Que nunca seja assim. Que cada vez que marido e esposa estiverem deitados e abraçados para dormir pensem que este lugar que Deus lhes deu, lhes deu para ser levado a sério. Mais do que o gostoso prazer de deitar para dormir aconchegado com quem se ama é ter consciência de que essa atitude, que é santa pois é querida e aprovada por Deus, existe e deve ser conversada para o bem do casal, dos filhos e para cumprir o mandato do Pai (Gênesis 2,24)


fonte: Jefferson Roger

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