quarta-feira, 5 de julho de 2017

O peso da vida

Não é de hoje que sobre nossas cabeças recaem o peso de muitas responsabilidades, pressões, compromissos e todo o tipo de intervenção seja ela psíquica ou física. Muitas coisas nos são necessárias, outras nos são dispensáveis, mas muitas acolhemos por opções erradas que fazemos quando tentamos decidir sozinhos (João 15,5) baseados numa concepção própria e que tem uma tendência a ser facilitadora da nossa vontade. Isso é fácil de se comprovar até nos mais simples exemplos. Quando vamos a uma loja para comprar uma roupa temos a tendência de comprar em primeiro lugar aquela que gostarmos mais; em segundo lugar aquela que ficar mais confortável, que cair melhor em nosso corpo; em terceiro lugar aquela que tenha o preço mais adequado; em quarto lugar aquela que vai atender as necessidades da moda e em quinto lugar, aquela que vai atender nossas necessidades. Fácil de se ver num simples exemplo que o ser humano tem uma tendência a priorizar as coisas de forma desregrada e que, segundo o ensinamento dos santos e sacerdotes e entre eles cito o Padre Tomás de Khempis, autor do livro A Imitação de Cristo, acaba não raramente desagradando a Deus.

Segundo a Santa Tradição e toda a doutrina da igreja e as sagradas escrituras, depois de nossa morte iremos conhecer o modo como Deus nos vê e vê os pecados e nossa relação com eles. Enquanto aos olhos do mundo buscamos a aparência formosa e bela a todo o custo aos olhos mundanos e profanos, aos olhos de Deus, que vê o oculto e os corações, nossa aparência com certeza não é das melhores, sobretudo se não nos esforçarmos para vivermos segundo a sua vontade. Nossa alma detentora de inteligência, vontade e afetividade luta uma constante batalha contra o corpo para manter em pé a salvação de ambos. O corpo é como uma criança mimada que quer sentir constantemente os rápidos e passageiros prazeres da vida, que cada vez dão menos prazer e exigem uma maior dose das promiscuidades do mundo para saciar e embotar corpo e mente num estado ilusório de felicidade sem Deus.

Não é assim, como diz São Paulo, de nada adianta se não existir a caridade que consiste no amor a Deus, sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Outra forma não há de sermos belos aos olhos de Deus pois belos aos olhos do mundo, seja em seu pensar ou julgar nossas condutas termina por nos afastar do criador (Tiago 4,4). Fala-se desse modo porque ficar em evidência ou andar na moda segundo os costumes do momento fere diretamente o comportamento que convém a santos filhos de Deus.

Algo semelhante podemos observar também nas pessoas que muito se afastam de Deus em prol de se dedicarem prioritariamente ao seu invólucro provisório chamado corpo. Tratam o seu corpo, que é santo, em desacordo com a finalidade para o qual foi criado. Nosso corpo não é um adorno, um cabide, uma vitrine, um brinquedo sexual ou um porta penduricalhos. Muito pelo contrário, o corpo nos ajuda a interagirmos entre as pessoas buscando o bem comum no aqui e a eternidade no acolá. Nos ajuda garimparmos nossa salvação eterna exatamente como nos ensina Jesus na parábola dos talentos. Quem é fiel no pouco será fiel no muito. Como alcançar o céu negligenciando até nosso próprio corpo, dom de Deus? Se somos um composto de corpo (pouco) e alma (muito) e não somos fiéis a Deus no pouco (1ª Coríntios 6,20), o que esperar do destino de nossa alma? O corpo que é santo precisa ser cuidado, é dom de Deus, que um dia será ressuscitado (João 6,40 e 54) e por conta de nossas obras (Apocalipse 22,12) se tornará um corpo glorioso e eterno junto a nossa alma para gozarmos aquilo que escolhemos receber (Eclesiástico 15,18). Vemos que o corpo daquele que se relaciona com a santidade é sempre preservado pelo pudor porque não somos capazes de olhar para um corpo e enxergar o dedo de Deus, por conta do fruto do conhecimento e do bem e do mal, nossos olhos se abriram e nossa liberdade foi contaminada. Por isso precisa o corpo ser preservado aos olhares para que não pequemos, não induzamos o próximo a pecar e para que seja visto em nós, tanto pelas pessoas como por Deus a beleza de nossa alma que precisa sempre ser purificada pela santa eucaristia.


fonte: Jefferson Roger

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