quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Acontece com todos

Na vida o corre corre ao qual nos submetemos acaba por delinear certos aspectos da vida que acabam, por não acontecerem com frequência, sendo deixados de lado. As pessoas dentro de suas casas muitas vezes transformam a convivência em família num verdadeiro cenário de guerra. Vivem em constante ritmo frenético e as grandes provações, tribulações e dificuldades da vida vão sendo deixadas ao acaso. As pessoas acabam por não colocarem a devida atenção e um olhar espiritual sobre tudo e vão deixando o relapso participar de suas vidas. Depois vão entender lá na frente que, como diz o ditado, não adianta chorar sobre o leite derramado.

Essa noite, que foi uma bela noite de sono, muito bem dormida, tive ao acordar para ir ao trabalho a lembrança de um sonho. Neste sonho minha esposa estava hospitalizada e eu estava com ela. Corria de um lado para o outro, preocupada com as filhas pois sabia que pouco tempo lhe restava e a morte se aproximava rapidamente, tratou de me passar “todas as diretrizes” a respeito delas. Depois de ter me falado tudo, no sonho eu sentia que sabia quando ela iria morrer e sabia que era em menos de uma hora. Como sempre acontece com a maioria de nós, sempre lembramos do final dos sonhos e acabamos por acordar. Acordei e ainda faltavam poucos minutos para levantar e se arrumar para ir ao trabalho.

No caminho de casa até o terminal de ônibus, existe, na paróquia em que moro, uma capela mortuária. Hoje ela estava aberta e alguém estava sendo velado. Bem propício, não acham caros leitores, para combinar com o sonho que tive. E detalhe, esta semana é o segundo velório que aconteceu nesta capela. Pois bem, já dentro do ônibus, no meio do trajeto eis que o trânsito ficou congestionado. Já se imaginava algum acidente e foi exatamente isso que aconteceu. Eu estava sentado atrás do motorista e de repente ele disse: o rapaz foi atropelado e estão tentando tirar ele debaixo do carro. Aqueles que puderam olhar, viram a cena do corpo caído no chão. A motorista que havia batido na vítima, chorava inconsolavelmente. O ônibus que eu estava passou devagar bem ao lado do acidente e foi possível ver tudo em detalhes. O que ficou para mim daquela cena foi o choro de quem atropelou; era um choro de muita dor, misturado com pesar, lamento e arrependimento, mas, já não se podia fazer muita coisa. Fiz minha oração pelos dois e seguimos em frente.

Chegando ao trabalho, soubemos que um funcionário da empresa havia morrido e alguns do setor que trabalho foram em seu velório. E a vida é assim, Deus cuidadosamente procura nos mostrar e nos recordar da nossa atual realidade. Hoje estamos aqui, hoje estão aqui quem gostamos. Não somos donos nem do próximo minuto de nossas vidas. Se cada um compreendesse a profundidade disso, iria viver uma vida mais plena vivendo cada momento como se fosse o último. É preciso sempre refletir isso. Se soubéssemos que uma pessoa que gostamos vai nos visitar em casa, irá morrer no dia seguinte, como iríamos trata-la? Se soubéssemos que a confissão que estamos fazendo será a última, como nos confessaríamos. Se soubéssemos que ao nos despedirmos de um ente familiar para irmos ao trabalho, essa despedida seria a última, como faríamos? Quantas pessoas relatam que depois de uma briga ou desentendimento com alguém, a pessoa acaba por morrer e quem está vivo ficou com negócios inacabados e isso lhe causa sentimentos difíceis de administrar?

Pois é, muitos acham que tem fé até Deus enviar e permitir nossos sofrimentos e sofrimentos das pessoas que vivem conosco. Quando alguém da família que não é o mais velho morre, como fica a fé em Jesus Cristo? Se um pai de família fica viúvo e a esposa deixou filhos, como fica a fé do pai em Jesus Cristo? É fácil falarmos que acreditamos em Deus e que temos fé nele nos momentos de consolação. Nos momentos contrários, quando a fina peneira das provações, tribulações e dificuldades passa pelo meio de nós, senão estivermos agarrados em Cristo, não ficaremos de pé, nossa casa desabará por ter sido feita sobre a areia. Peçamos a Deus as graças necessárias para podermos suportar nossa realidade uma vez que nossa condição humana é muito frágil e sozinhos não damos conta de tudo e como disse Jesus, não damos conta de nada (João 15,5).


fonte: Jefferson Roger

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