sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Diferença entre Religião e Seita

A palavra seita vem do latim secta e significa cortada, separada. Trata-se de um grupo religioso com uma concepção derivada dos ensinamentos de uma das principais religiões do mundo. Ou seja, uma seita é uma subdivisão de uma religião. Apesar deste sentido ser claro, trata-se de uma difícil tarefa identificarmos uma seita, visto que jamais os membros de um grupo religioso admitem ser considerados sectários (separatistas). Comumente eles se julgam os verdadeiros e únicos fiéis e continuadores de uma religião que propõem ser verdadeira. Podemos claramente observar que há seitas de todas as religiões. Mas não há seitas católicas. Quando surge uma seita entre os católicos, ela é logo expelida pela excomunhão. A unidade santa da Igreja Católica é incompatível com a existência de seitas em seu seio. A tendência para a formação de seitas é uma consequência da falta de coesão doutrinária e falta de unidade.

O protestantismo, por exemplo, é essencialmente sectarizante, pois o livre exame da Bíblia gera continuamente novas divisões (no Brasil vemos muito disso), impedindo a unidade, e muito mais a coesão doutrinária. Do contrário, a unidade da verdade católica obriga os grupos sectários a saírem e a constituírem religiões autônomas (a Igreja Ortodoxa é um exemplo disso). As seitas se multiplicam nas épocas de crise na Igreja e, principalmente, quando a força do papado diminui. Por fraqueza, por covardia ou por omissão, um papa pode contribuir para o crescimento dos erros e difusão das heresias, e logo, surgimento de seitas. Desta forma, no final da Idade Média, multiplicaram-se os grupos sectários. Isso ocorre porque a falta de orientação de alguns católicos repercute na insatisfação de suas necessidades e aspirações dentro da Igreja, gerando uma fé subjetiva.

É a este povo desorientado que a seita oferece respostas simplificadoras e fáceis. A convicção com que a seita impõe suas ideias (mesmo as mais absurdas), parece, aos olhos do inseguro na fé, um fator de defesa e de segurança doutrinária. Em terra de subjetivistas na fé, quem aparenta ter uma certeza objetiva aparece como dono da verdade. Assim, o aliciamento sectário ocorre mais por entusiasmo do que por razão. Consequentemente, levando ao fanatismo e não ao convencimento. Assim, podemos ver claramente a diferença entre seita e religião. Na religião, o entusiasmo, quando existe, é fruto da pregação doutrinária. A adesão à fé é um ato fundamentalmente racional. A propaganda sectária, do contrário, explora as paixões (o entusiasmo, o ressentimento, o ódio), para obter uma adesão de vontade. Sendo, então, utilizados processos que chamamos de “lavagem cerebral”. Podemos entender claramente que a adesão do sectário ao seu grupo religioso tem sempre caráter passional e não racional. A defesa que faz de sua crença é sempre apaixonada. Ele procura justificá-la com base no que a seita combate, e não no que ela ensina. Para clarear um pouco mais esta questão, vamos fazer uma análise concreta das religiões:
A Igreja Católica detém a intregalidade e a totalidade da revelação de Deus para o homem. A verdade, objetivamente falando, está conosco. Todas as demais religiões representam, em maior ou menor medida, um afastamento desta verdade objetiva. Podemos chegar a esse conhecimento apenas estudando a história da humanidade. Os ortodoxos estão muito próximo de nós. As igrejas ortodoxas são, verdadeiramente, Igrejas, seguindo a sucessão apostólica, válida em seus sacramentos (inclusive o da Eucaristia). Têm Missas, veneram Maria e os santos, adoram a um só Deus e suas Bíblias incluem os livros deuterocanônicos. Porém, o fato de negar a jurisdição universal do Bispo de Roma torna a fé ortodoxa defectiva. Os protestantes representam um afastamento um pouco maior do que os ortodoxos. Suas comunidades não guardam a sucessão apostólica e não contam com os sacramentos válidos, não sendo Igrejas verdadeiras. A Bíblia por eles usada, ou por eles criada, é privada de livros divinamente inspirados. Não celebram a Missa e não veneram aos santos. Preservaram pouquíssimos costumes dos primeiros cristãos. Prosseguindo ao afastamento da verdade, após os protestantes, temos os judeus, que crêem em um deus único e guardam parte dos livros sagrados, mas negam o Messias e rejeitam todo Novo Testamento. Depois do judaísmo, mais afastado ainda é o islamismo, que tem apenas de semelhante, ser monoteísta, acreditar nos anjos, demônios e salvação eterna. A seguir, o hinduísmo, que apenas é teísta, embora acredite em vários deuses. A seguir, o budismo, que não acredita em Deus e guarda a necessidade de uma vida regrada para a obtenção de um prêmio eterno (o fim do ciclo de renascimento). Depois, existem os animistas, que, pelo menos acreditam em alguma coisa (espíritos, magias…), estando menos afastados que o ateu. Enfim, podemos imaginar ao redor do catolicismo uma série de círculos cada vez mais afastados da verdade objetiva.

2ª Pedro 2,1-2 - “Assim como entre o povo (de Israel) houve falsos profetas, do mesmo modo haverá também entre vós doutores, que introduzirão disfarçadamente seitas perniciosas. Eles, renegando assim o Senhor que os resgatou, atrairão sobre si uma ruína repentina. Muitos os seguirão nas suas desordens e serão deste modo a causa de o caminho da verdade ser caluniado.“


fonte: adaptado do blog catecumenato

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