segunda-feira, 23 de outubro de 2017

O prazer da afronta

Quando uma pessoa tem um vazio em seu coração e não compreende ou não conhece que este vazio só pode ser preenchido pelo amor de Deus e tudo que dele vem, começa a soterra-lo com um monte de quinquilharias e todo tipo de parafernália que nada mais fazem que viciar a pessoa na sensação do prazer e desprazer. Todo mundo conhece, conheceu ou já ouviu de alguém sobre pessoas assim. Não há como não esbarrar com elas por esse mundão afora, estão praticamente por toda a parte e em todos os lugares. Nos trabalhos, espaços públicos, comércios, amizades (que nem são tão amizades assim não é mesmo), parentescos e onde quer que imaginemos.

Ora, na internet, a ostentação das riquezas está escancarada, é um verdadeiro desfile, disputa e demonstração de poder. Infelizmente pessoas que estão por essas veredas caminham nas três formas de situações que enraízam os pecados: o ter, o ser e o querer. Alguns ainda acrescentam uma quarta forma: o poder. No entanto a coisa não é errada em seu princípio, o que a torna errada, ou melhor dizendo, corrompida, é a transformação que permitimos que aconteça com o que é saudável. Ter vontade de seguir Jesus e ser um bom católico pois queremos um dia poder pela sua misericórdia entrarmos no céu é algo excelente para se praticar. Perceberam, o “ter”, o “ser”, o “querer” e o “poder”? Agora ter impulso para ser abastado de bens materiais, querer sempre mais destes bens e para se satisfazer e ainda poder dar amostras externas dessa vaidade destruidora é algo muito diferente e que caminha numa contramão terrível da vontade de Deus. Vamos lá, perceberam o “ter”, o “ser”, o “querer” e o “poder”? Que diferença não é mesmo! Um é saudável, o outro corrompido e desordenado.

O dinheiro, a riqueza, a possibilidade de adquirir bens não é intrinsicamente má ou errada. Como vemos é o uso das essências ou o que fazemos delas que transferem para a natureza imaculada todo o mau. O ser humano não é uma criatura doente, afinal é criado por Deus, porém, ele está doente porque se envolveu com seus três inimigos da alma: o corpo, o mundo e o diabo. E os três inimigos da alma podem facilmente serem financiados pelo dinheiro. Sabemos que muitos pecados não precisam serem pagos, não precisam ter o dinheiro envolvido numa situação para que ela se torne pecado, no entanto, ele não fica de fora de muita situação pecaminosa.

A pessoa está em seu ambiente de trabalho, de repente solta um comentário dizendo que está juntando um dinheiro para comprar para si um novo aparelho eletrônico, um notebook. O comentário é salutar, demonstra que a pessoa não vê aquilo como prioridade, sabe que existem coisas mais importantes e que, por isso, segue sua vida, fazendo seus projetos, guardando seu dinheirinho sem comprometer seu orçamento mensal pois, volto a dizer, sabe das suas prioridades e necessidades, não está com o coração vazio, Deus mora dentro dele. Agora, quem escuta o comentário, conforme seu estado de espírito, irá receber a notícia com bom ou mau grado. Alguém pode dizer: “puxa que bom, é isso aí, junte mesmo e quando você ver já vai ter o montante, que legal”. Porém, alguém pode dizer: “que juntar dinheiro nada, compra parcelado, pra quê esperar?” Mas, uma terceira pessoa pode não dizer nada, pode ficar quieta e aparecer dias depois exibindo seu novo aparelho comprado, justamente o aparelho que aquela pessoa está planejando adquirir, exatamente aquele notebook. E por quê? Por que afrontar dessa forma alguém que vive uma vida sem fazer mal a ninguém? Ora, porque quem vive uma vida sem fazer mal a ninguém termina fazendo mal para quem não vive como ela.

As vezes as pessoas queriam ser uma coisa que sabem que devem ser e não estão conseguindo ser. Ao verem outros a sua volta vivendo felizes com muito menos pois aprenderam que podem ser felizes com o que tem, não se comovem, não tomam como bom exemplo e não se esforçam para mudar, resolvem sustentar sua posição, uma posição que não agrada a Deus (Tiago 4,4).


fonte: Jefferson Roger

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