segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Os caminhos do abismo eterno

Todos os pecados mortais são caminhos que vão dar no abismo eterno. Há, porém, alguns que fazem mais estragos e causam a morte a um número maior de almas. O pecado de impureza é, talvez, o que mais povoa o inferno, porque é um pecado muito grave, fácil de cometer, por causa da corrupção da nossa natureza, e depois, difícil de abandonar. Santo Agostinho diz que a soberba povoou o inferno de anjos e a impureza o enche de homens. E Santo Afonso não receia em afirmar que todos os cristãos que se condenam, se condenam pela impureza, ou, pelo menos, não sem ela.

Ai do jovem que chega os seus lábios a esse cálice. Conta que ele mesmo pedira a Deus para cumprir, com merecimento, o purgatório nesta vida. E, atingido por uma penosa doença, todo encolhido pela contração dos nervos que o fazia sofrer barbaramente, dizia: Dói muito, mas não é fogo, não é fogo. Crescia a tortura e aumentava a dor, “mas não era fogo”. A contração dos nervos juntava-se a doença da gota, “mas ainda não era fogo”. Por estar de cama dez anos seguidos, dolorosas chagas cobriam-lhe o corpo aumentando o seu sofrimento, contudo ele repetia sempre: não é fogo, não é fogo, e acabará. E assim se animava a suportar tudo com paciência por amor a Deus.

Um santo solitário, assaltado por violenta tentação, temendo ser vencido, acendeu uma vela e para se compenetrar vivamente no pensamento do inferno, pôs os dedos na chama e os deixou queimar, dizendo de si para consigo: Uma vez que tu queres pecar e merecer o inferno que será o castigo de teu pecado, experimenta antes se és capaz de suportar o tormento de um fogo eterno.

Um rico mergulhado no vício da impureza, embora sentisse contínuo temor do inferno por isso, entretanto não tinha coragem de romper com os maus hábitos e de penitenciar-se. Recorreu, pois, a Santa Ludovina, que então edificava o mundo com a sua paciência, e lhe pediu que lhe fizesse penitência por ele. De boa vontade, respondeu a santa, oferecerei por vós os meus sofrimentos, com a condição, porém, que uma noite inteira vós conservei na cama a mesma posição, sem vos moverdes de nenhum modo. Aceitou facilmente a condição, mas passada apenas meia hora, sentiu o incômodo e já queria mover-se. Todavia, não o fez. Aumentando, porém, o mal estar daquela posição que lhe ia parecendo insuportável, cedeu e começou a mover-se.

Então, uma impressão salutar se despertou no seu coração: se é tão incômodo ficar imóvel num leito macio por toda a noite, oh quão insuportável não será ficar deitado num leito de fogo por toda a eternidade? E terei ainda dúvida de me livrar desse suplício com um pouco de penitência? Como vemos, caros leitores, neste trecho retirado do livro “O inferno existe”, do Padre André Beltrami, uma mensagem nos fica muito clara: devemos levar a sério porque depois... já era.


fonte: Jefferson Roger

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