quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Eu não consigo ou não quero conseguir

É preciso parar de resmungar e é preciso de fato, de uma vez por todas, querer “querer”! Não se pode simplesmente fazer um movimento de querer enquanto os ventos estão a favor. Os ventos, muitas vezes são impetuosos e sopram em nossas vidas com a força de um tornado classe cinco. Pior é, que, para muitos, nem precisa um contratempo dessa magnitude, basta ventos que soprem na classe um para que o fiel vista a carapuça do derrotado. Como é fácil na vida dizer que não se consegue. O difícil é admitir sinceramente porque não se está conseguindo. Falo que é difícil porque admitir os porquês nos colocam numa atitude de humildade e reconhecimento do nada e da necessidade do auxílio divino para tudo (João 15,5). Como a soberba caminha na contramão da humildade, o medo por reconhecer a dependência de Deus ou a fraqueza humana em sua natureza faz com que a pessoa no fundo “não queira conseguir”.

Sim, porque querer verdadeiramente significa abrir mão do eu, do ego em prol de uma verdade maior, que nos supera e dita os caminhos. Nós, sabemos muito bem, não somos marionetes de Deus. Infelizmente alguns se permitem ser marionetes do diabo. Na criação nosso criador nos dotou de livre decisão sobre nosso fim depois desta etapa de nossas vidas. É como se diz nas escrituras sagradas pelo Cristo: escolhemos receber nossa recompensa aqui ou acolá. Se o católico quer chegar ao céu ele deve ter em mente uma preocupação principal: agradar a Deus. Isso inclui muitas coisas. Se ele realmente quer isso então ele aceita a cruz que Jesus nos concede para nos salvar (Lucas 9,23). Se não aceita em sua totalidade é porque não quer verdadeiramente e quando diz não conseguir, em sua ínfima tentativa e esforço, está no fundo dizendo que não quer conseguir.

Não quer pagar o preço de uma vida aqui nesta terra, seja de quanto tempo for, em meio aos desígnios divinos para se galgar ao final da jornada, a coroa da glória eterna. Para quem não quer realmente se salvar, tudo vira empecilho, desculpa ou dificuldade e, facilmente, é substituído por soluções ou formas alternativas e enganosas para se chegar ao paraíso. É uma deslealdade consigo mesmo e um abraçar, sem escrúpulos, uma verdadeira pirataria religiosa. Deus é visto como um produto, assim como um carro. Podem pasmar os autênticos cristãos porque é assim que as coisas são. Para comprar um carro a pessoa analisa prós e contras. Tamanho, cor, consumo, preço, conforto, manutenção e outras questões acabando por escolher aquele veículo que melhor lhe atende o interesse e gosto pessoal. Deus é tratado da mesma forma. A pessoa olha para o mundo e procura na oferta das várias denominações religiosas existentes, e olha que são muitas, uma que melhor lhe atenda aos interesses. E assim como num automóvel, se essa escolha religiosa não lhe satisfizer depois de um test-drive, ela simplesmente muda de denominação religiosa. Fácil assim, queiram ou não, é assim que as pessoas se relacionam com Deus. Que pesar e que lástima, isso não vai ficar de graça.

Tudo vira descartável e substituível. Valores que deveriam ser imutáveis, como a bíblia, família, dignidade humana, pudor e modéstia, natureza humana criada e o evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo são simplesmente adaptados ao mundo moderno e as necessidades que a correria da vida exigem das fragmentadas pessoas. Jesus disse que fundou a sua Igreja (Mateus 16,18a), que as portas do inferno não prevaleceriam contra ela (Mateus 16,18b) e que estaria conosco até o fim dos tempos (Mateus 28,20). Quem abandonou a sua igreja é porque não acreditou na sua palavra e o rotulou de mentiroso, preferindo mascarar a atitude de “não conseguir” com uma atitude de ‘não querer conseguir”.


fonte: Jefferson Roger

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