terça-feira, 20 de março de 2018

Não arredeis o pé

Pois, se o fizer e não cuidar estando de pé, podes cair com um simples esbarrão. Uma vez ao chão, ferido, sem orgulho e queixo erguido, pressionado a ficar ali, prostrado, na posição dos derrotados que não conseguem olhar para cima para poder enxergar que alguém lhe estende a mão, torna-se incapaz de retomar a caminhada.

A cada queda mais marcas e cicatrizes vão se desenhando em nossos corpos. O movimento de caminhar rumo à pátria celeste vai consumindo muitos recursos e provando tantos outros. O marasmo das comodidades silenciosamente e sutilmente dá sinal de que o tsunami que ainda não se vê, está a caminho. Os distraídos, lembrados por São Pedro em suas cartas, são os que caem vítimas do bote do inimigo que como um leão, espreita atrás de quem atacar.

Não bastasse o inimigo cruel mostrar suas facetas, ainda nos ronda o mundo com suas investidas autenticadas do mal e a própria concupiscência que, como diz São Tiago, nos atrai e alicia. Ora, ademais ainda não basta isso, a própria igreja de Jesus (Mateus 16,18), que está garantida não ser subjugada pelo inferno, mesmo assim sofre duros golpes. Já nos disse acertadamente Paulo VI que a fumaça de satanás invadiu a igreja.

O católico engajado no caminho da vida, abraçado a sua cruz e mirando no alvo, que é Jesus, sofre e como diz São Paulo, une seus sofrimentos aos de Cristo. Não há outra forma, porque a igreja que o salva, padece por causa de seus membros que mais parecem frutos podres em uma grandiosa árvore. Eis que surge em tempos assim, aqueles que prontamente bradam em alta voz que vão pular fora do barco porque ele está afundando; já deu o que tinha que dar, afirmam com uma certeza que convence outros da mesma espécie: os covardes.

Nas sagradas escrituras, no livro das revelações, um dos tantos que apresenta uma lista de pecadores condenados, vemos uma lista desta estirpe que são encabeçados pelos tíbios, pessoas de alma fraca, resumindo, pelos covardes. Jesus não mandava recados enquanto de passagem por aqui e tão pouco a palavra de Deus deixa por menos. Como o Cristo mesmo disse que entrar no reino do céu é muito difícil e são só os violentos que o conseguem (Mateus 11,12), vemos aqui a plena sintonia da questão. Ora, não é possível ao covarde empreender algum esforço, fazer alguma coisa com violência (firme propósito e compromisso) que é o que se ensina na palavra santa e é esperado de cada um de nós.

Não adianta, se a cada queda ficarmos ao levantar nos lamentando a respeito de nossa beleza espiritual do batismo, perdida após tantos tombos e que nos recorda quão estúpidos fomos a dar ouvidos ao pecado, não haverá resultado diferente daquele que é esperado pelo demônio. Pois é com isso que ele conta; ferindo o orgulho próprio e incapaz de olhar para a própria miséria humana e dependência absoluta de Deus para tudo, o pecador derrotado troca sua causa e adere ao lema do “junte-se a ele”. Triste fim e amarga decisão é jogar a toalha antes de se ouvir o gongo final do sino que anuncia que terminou a batalha. Por mais difícil que seja ainda assim, não são sofrimentos infernais e eternos. Por mais difícil que seja não se mede uma vida inteira aqui na terra de dificuldades com a eternidade de felicidades. Por isso os santos diziam que os pecadores são loucos. Não há comparação para aquele que crê, aceita e entende o que lhe cerca em sua existência. Fiquemos firmes naquilo que acreditamos e não arredemos o pé porque com a cruz caímos e seguros a ela, nos levantamos, mas sem ela, se cairmos podemos rolar pela ladeira dos ímpios que aguardam o destino certo da condenação eterna.


fonte: Jefferson Roger

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