segunda-feira, 5 de março de 2018

Palavras não curam um coração partido

O bem-estar físico, psíquico, mental e espiritual é uma coisa pela qual muitas, e quem sabe podemos dizer todas, pessoas buscam obter para suas vidas. De fato podemos concordar que buscar um mal-estar, um sofrimento doloroso voluntário cheira como algo que possui em sua essência uma dose de sadomasoquismo. Ou será que não? Querer o sofrimento o felicitar-se com ele não parece algo a se fazer, mas é nesse ponto que, como diz São Paulo, a cruz de Cristo para os cristãos, é loucura. A dor que é filha do amor faz o católico compreender que a cruz é a regra e não a exceção. No entanto, fora da experiência de Jesus, que nos concede a salvação mediante a cruz, não há o que fazer se as dores da vida, como flechadas atingem nossos corações.

Não existe palavra alguma de consolo, pois a seta que perfurou, mesmo que retirada, irá deixar marcas que serão carregadas para toda a vida aqui na terra. Neste ponto para os que se acham autossuficientes e tentam resolver tudo sem a ajuda dos céus, terminam por levarem da vida um tombo ainda maior.

Sabemos muito bem que a vida não é moleza e Jesus mesmo nos disse que sem ele nada podemos fazer (João 15,5). Então, como Jesus não é nenhum mentiroso, de nada adianta tentar remar com a mão contra a correnteza. Aqui, portanto, é importante que se diga para os que possam namorar a tentação de que palavras curam sim um coração partido, de que elas precisam de algo maior para que produzam o que se ouve pela pronúncia destas. Vamos entender. Quando o sacerdote pronuncia a bênção as palavras ditas são o veículo pelo qual Deus nos abençoa, as palavras pronunciadas por ele. Sem o sacramento da ordem e a economia da salvação revelada aos filhos de Deus, demonstrando os planos e vontades do Pai, seriam só palavras. Há essência por trás delas.

Se só falarmos a palavra mãe, sabemos do que se trata. De uma mulher que é mãe, isso nos vem à mente. Agora, se falarmos Mãe de Deus, a palavra mãe ganhou um significado e importância muito maior e diferente. Assim como Jesus disse que nos dá uma paz que é diferente do mundo, suas palavras são também diferentes daquelas que o mundo diz, sobretudo quando quem nos fala é o príncipe deste mundo, satanás. Se não buscarmos em Jesus não adianta ouvirmos por aí palavras e mais palavras para a solução deste ou daquele problema, dificuldade, tribulação ou preocupação. Elas precisam vir da fonte que é caminho, verdade e vida (João 14,6), daquele que pode nos aliviar quando estivermos cansados. Jesus.

O coração partido é curado quando mergulhado no Sangue do Cordeiro, que tira os pecados do mundo, não vos conformeis com este mundo, nos recorda São Paulo. Ele vai passar e nós temos que seguir adiante. Precisamos das palavras, mas sobretudo da palavra, do verbo que se fez carne e habitou entre nós.


fonte: Jefferson Roger

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