quarta-feira, 20 de junho de 2018

O perigo de nos acharmos santos

Nos evangelhos Jesus nos fala daquelas três obras que temos de realizar a fim de purificarmos o nosso coração: a esmola, o jejum e a oração. Tudo isso — diz-nos o Senhor —, devemos praticá-lo sempre e com generosidade, mas precavidos de que o diabo, que anda em derredor buscando a quem devorar, é capaz de fazer-nos desvirtuar até mesmo essas obras de justiça. O jejum, por isso, pode converte-se em farisaísmo; a esmola, em vaidade; a oração, em soberba.

Ainda que já nos tenhamos convertido, o inimigo se aproxima, vê-nos afastados dos pecados mais grosseiros de outros tempos e, para roubar nossos méritos e reconduzir-nos consigo para o fogo do inferno, inspira-nos a pestilenta sensação de nos acharmos muito santos. Ele, que está em pé de guerra com os membros do Corpo de Cristo, procura a todo custo destilar em nossas almas o veneno da vaidade espiritual, que torna estéril nossa virtude e mortas nossas obras. Para não cairmos nesses laços de mentira, a primeira coisa que podemos fazer é encomendar a Deus logo pela manhã as ações de cada dia, pedindo a graça de que elas lhe sejam gratas e realizadas com reta intenção.

Além disso, é de grande ajuda, seguindo as recomendações que Jesus hoje nos oferece, lembrarmos frequentemente que estamos na presença daquele que é três vezes Santo, em comparação com cuja bondade as nossas obras valem menos do que nada: que razão temos, pois, para empinar o nariz? Nosso Pai, embora esteja no oculto, está sempre perto de nós, recordando-nos que tudo o que de bom podemos fazer, é só dele que o recebemos. Que Ele, a cujos olhos está nua toda alma humana, extirpe de nossos corações a má raiz da hipocrisia e da vaidade, a fim de o agradarmos com obras limpas, bem-intencionadas e adornadas com o dom de sua graça.

Afinal, devemos sempre fugir da tentação de não usarmos termos de comparação inadequados com nossa realidade. Termos de comparação visivelmente abaixo da condição que já adquirimos pela graça divina facilmente nos colocam com a autoestima elevada, nas alturas. O contrário nem cogitamos, termos de comparação que estão bem acima de nós no caminho da santidade. Corremos para longe deles porque, também facilmente, nos colocam numa posição de desânimo frente ao nosso esforço que parece não render frutos. Momento perigoso de nossa caminhada espiritual porque se nossa fé não estiver fincada no chão, as tentações irão nos derrubar. No cotidiano das pessoas esse desânimo pode se agravar para depressão, fosso muito profundo que envolve corpo e alma, escravizando a pessoa e tornando muito difícil sua escalada para fora dessa preguiça espiritual. Devemos tomar cuidado, conforme o tropeço a queda pode machucar mais do que aparenta.


fonte: Jefferson Roger e padrepauloricardo.org

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