segunda-feira, 23 de julho de 2018

Marcas do Passado

Não se pode mudar o passado, mas pode-se aprender com ele. No curso de nossa história somos convidados a perceber que Deus nos concede apenas o dia de hoje. O ontem não existe mais, o amanhã não existe ainda. Serviram e nos servirão, porém, depende de Deus quanto tempo ainda teremos. Por isso que se costuma dizer que o católico sempre deve estar com a malinha pronta para a viagem. Não sabemos se nossa contagem regressiva, aberta no momento de nosso nascimento, está a poucos minutos, poucos metros, poucos dias, enfim, não sabemos. Mesmo em caso de doenças terminais, o segundo final, o momento final é sabido apenas pelo Pai Eterno.

Se pararmos para refletir em nossa relação com o tempo, o que fizemos, fazemos e faremos, nos fica muito clara a sensação de não sermos senhores absolutos dele. Cabe aqui um exemplo? Basta pensarmos nos imprevistos, eles são especialistas em atrapalhar nossos planos futuros. No entanto, biblicamente falando, recebemos de Jesus o aprendizado de vigiarmos e orarmos sem cessar; também nos foi ensinado para sermos simples como as pombas e prudentes como as serpentes; também prontos em ouvir e tantos outros ensinamentos relacionados ao nosso aqui e agora.

Sabemos que se não existir sentido no agora, o futuro não é almejado. Todos somos capazes de suportar qualquer como desde que se conheça o porquê. A meta do cristão é alcançar a glória eterna dos céus, porque ele quer atingir esse objetivo ele vive como vive. Não é assim? Tem que ser, pois se não for o amanhã perde a razão de esperá-lo. E nessa falta de razão aumentam as chances de no presente agirmos contrários à vontade de Deus. Esses erros, conforme a proporção que alcançam podem complicar e muito nossa sentença final. Ainda bem que o presente nos presenteia através das graças divinas com a contrição de nossos pecados, o arrependimento e a possibilidade de aprendermos com eles.

O presente passa e passando se torna passado. Um passado que marca nossas vidas, alegrando-nos ou entristecendo-nos. Se ficamos contentes, é sinal de que algum esforço está acontecendo e estamos procurando agradar a Deus; se ficamos tristes, é sinal de que nosso passado guarda uma história de muitas quedas. O que fazermos? Já sabemos, é a história do leite derramado, já aconteceu, resta o aprendizado que o erro pode nos proporcionar. Aprendizado que muitas vezes pode ser colocado em prática adiante para que não caiamos de novo nos mesmos erros (pecados). Sabemos o que nos faz mal, aprendemos de Deus, se achamos que não faz e agimos errado tentando justificar nossas atitudes remamos no mesmo lugar, buscamos o agora sem colocarmos nosso olhar na eternidade. Além do nosso passado temos a graça de Deus de aprender como passado de tantas outras pessoas, sobretudo com a vida dos santos, a vida da Virgem Maria e de seu filho Jesus. O céu nos espera e não há tempo para cruzarmos os braços, trabalhemos, Deus espera de nós, no mínimo o máximo de esforço porque (Eclesiástico 42,18-21) “Ele sonda o abismo e o coração humano, e penetra os seus pensamentos mais sutis, pois o Senhor conhece tudo o que se pode saber. Ele vê os sinais dos tempos futuros, anuncia o passado e o porvir, descobre os vestígios das coisas ocultas. Nenhum pensamento lhe escapa, nenhum fato se esconde a seus olhos.”


fonte: Jefferson Roger

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